Policiais do ES negociavam prisões e desviavam cargas de drogas, diz investigação
Apuração revela que agentes vendiam narcóticos apreendidos para os traficantes, que repassavam localização de rivais para prisões
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Policiais do Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc) são suspeitos de negociar prisões, desviar drogas apreendidas durante operações e vendê-las a traficantes.
A denúncia consta em um inquérito de aproximadamente duas mil páginas, em investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Estado (MPES), que deflagraram a Operação Turquia, no ano passado.
Os policiais civis Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha, o Dudu, Turco ou D33, e Erildo Rosa estão presos. Eles e outros três investigadores foram afastados de suas funções pela Justiça.
As investigações começaram a partir da prisão em flagrante de um dos principais líderes do tráfico de drogas na região da Ilha do Príncipe, em Vitória, em fevereiro de 2024. Trata-se de Yago Saib Bahia da Silva, 33, o Passarinho, do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo informações da repórter Suzy Faria para a TV Tribuna/Band, postos de combustível, lanchonetes e viaturas descaracterizadas eram usados para os encontros entre policiais e traficantes.
Durante o período em que estava livre, segundo o inquérito, Yago negociou prisão de rivais e apreensão de drogas com Eduardo Tadeu. Um exemplo é que o traficante chegava a passar o endereço de rivais para que os policiais fossem ao local e os prendessem.
Um traficante contou em depoimento à Polícia Federal que chegou a pagar R$ 49 mil em 50 kg de maconha. Segundo o inquérito, Eduardo entregou uma remessa de crack a 100 metros do Denarc, pela qual recebeu R$ 18 mil.
Em um print de uma conversa em aplicativo de mensagens, que consta no inquérito, Eduardo pergunta a Yago se ele teria interesse em determinada droga apreendida.
Segundo a reportagem, a relação entre ambos estremeceu quando o policial perdeu parte de uma carga de maconha. Turco respondeu que a apreensão foi feita por Erildo, que rodou mais de 130 km de carro para fazer a apreensão em Rio Novo do Sul. Dos oito quilos apreendidos, dois foram registrados.
O advogado Frederico Pozzatti de Souza, que faz a defesa de Erildo, frisou à TV Tribuna/Band que se trata de uma denúncia e não há sentença. “A defesa olha com muita cautela as acusações, principalmente porque muitas delas são feitas por meio de dados extraídos de telefones. Fizeram interpretação equivocada.”
As defesas de Eduardo e Yago não foram localizadas.
Entenda o caso
Operação
A Polícia Federal no Espírito Santo e o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-Central/MPES), deflagraram, em 7 de novembro de 2025, a Operação Turquia.
O objetivo é o enfrentamento de um grupo criminoso com atuação no tráfico de drogas.
A ação contou com apoio da Corregedoria da Polícia Civil do Espírito Santo e do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do Ministério Público.
Investigação
As investigações tiveram início a partir da prisão em flagrante de um dos principais líderes do tráfico de drogas na região da Ilha do Príncipe, em Vitória, em fevereiro de 2024.
Trata-se de Yago Saib Bahia da Silva, 33 anos, o Passarinho, do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Foram identificados indícios consistentes de vínculo entre o investigado e os policiais, evidenciando possível cooperação ilícita durante diligências policiais.
Desvio de drogas
Parte das drogas apreendidas em ações oficiais seria desviada para a própria organização criminosa.
Uma fração dos entorpecentes não era devidamente registrada nos boletins de ocorrência, sendo posteriormente repassada a intermediários ligados ao grupo.
Prisões
Os policiais civis Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha, conhecido como Turco, Dudu, ou D33, e Erildo Rosa estão presos.
Eles e outros três investigadores já haviam sido afastados de suas funções pela Justiça.
Um dos policiais foi preso em novembro de 2025 e o outro neste mês, na segunda fase da Operação Turquia.
Todos os policiais suspeitos atuavam no Departamento Especializado em Narcóticos da Polícia Civil (Denarc).
Denúncia
O MPES ofereceu denúncia à Justiça contra oito investigados no âmbito da Operação Turquia, por envolvimento em um esquema estruturado de criminalidade que inclui organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, tráfico de drogas e associação para o tráfico.
A denúncia, ajuizada em dezembro do ano passado, foi recebida pela Justiça no mesmo mês e os denunciados passaram a responder à ação penal, tornando-se réus no processo.
O caso tramitava em segredo de Justiça, mas, atendendo um pedido do Ministério Público, o sigilo foi levantado.
Fonte: Inquérito da Ficco, MPES e TV Tribuna/Band
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