Polícia Civil age após postagem de adolescente e alerta para violência
Adolescente de 14 anos fez postagem em tom ameaçador após relatar bullying, e Polícia Civil atuou para evitar possível escalada de violência
Uma publicação em uma rede social levou a Polícia Civil do Espírito Santo a agir antes que uma situação de bullying pudesse evoluir para um episódio mais grave de violência. O caso envolve uma adolescente de 14 anos, que relatou sofrer bullying de colegas e publicou uma mensagem em tom ameaçador.
A investigação começou após o Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça identificar a publicação e encaminhar um relatório à Polícia Civil. Segundo a Polícia Civil, apesar de não se tratar de uma ameaça direta, o conteúdo apresentava características que poderiam indicar uma possível escalada de violência.
Postagem em rede social
A adolescente publicou uma foto de uma sala de aula acompanhada de um texto em que afirmava sofrer bullying há bastante tempo e dizia que os responsáveis “pagariam para ver”. Posteriormente, os policiais constataram que a imagem havia sido retirada da internet e não correspondia à escola onde a jovem estudava.
De acordo com a Polícia Civil, a adolescente já havia estudado em uma escola municipal de Vila Velha e, atualmente, está matriculada em uma escola estadual na Serra. Durante o atendimento, a adolescente também relatou sofrer bullying relacionado a características físicas e a cicatrizes no corpo.
Diante da situação, os policiais foram até a residência da adolescente na última semana e conversaram com ela e com a mãe. As duas foram intimadas a comparecer à delegacia para prestar esclarecimentos. Durante o atendimento, a mãe entregou o celular da filha, que foi lacrado e encaminhado à Polícia Científica para perícia.
"Ela confessou a postagem, essa foto que ela havia postado em uma rede social, que diz respeito a uma foto dentro de uma sala de aula, não era uma foto da escola propriamente dita. Ela pegou essa foto da internet e fez essa postagem em tom de desabafo", disse o chefe da Divisão Patrimonial (DRCCP) e titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Brenno Andrade.
O delegado afirmou ainda que os investigadores identificaram interesse da adolescente por ataques ocorridos anteriormente e pelo consumo de conteúdos relacionados a casos graves de violência. Segundo ele, esses elementos foram considerados em conjunto com o relato de bullying e a publicação em tom ameaçador.
"E nesse caso da adolescente, ela consumia esse tipo de material, tinha interesse por esse tipo de material de violência, externou isso publicando em uma rede social e o trabalho da polícia foi justamente esse, evitar que isso escalasse e pudesse levar no futuro uma gravidade maior a comunidade escolar", afirmou o delegado.
O delegado responsável pelo caso ressaltou, no entanto, que isso não significa que a adolescente necessariamente pretendesse cometer um ataque. Segundo ele, a Polícia Civil trabalha nesses casos com a possibilidade de que determinados comportamentos possam evoluir para situações mais graves e, por isso, prefere agir antes que isso aconteça.
“A adolescente falou que era uma brincadeira mas a gente entende que não é bem assim. A gente entende que foi uma ameaça, uma coisa que iria escalar e que poderia se tornar de fato uma agressão a uma escola pelas características da postagem. Muito características de uma pessoa que já está tendo a intenção, que já não aguenta mais e que acontecendo mais algum fato na vida dela, pode partir para a violência física", explicou o delegado.
A Polícia Civil também pretende ouvir representantes da escola onde a adolescente estudava para entender como os relatos de bullying eram tratados no ambiente escolar. Segundo os investigadores, o objetivo inicial é compreender o contexto da situação, e não necessariamente responsabilizar a instituição.
Para a polícia, o caso também evidencia a necessidade de que escolas e famílias mantenham um acompanhamento permanente sobre situações de bullying e cyberbullying. Os investigadores afirmaram que campanhas pontuais de conscientização não são suficientes para modificar o comportamento dos estudantes e defenderam que o tema seja trabalhado continuamente no ambiente escolar.
Alerta aos pais
Os policiais também fizeram um alerta aos pais sobre a importância de acompanhar o que os filhos consomem e com quem interagem nas redes sociais.
"Em relação a mãe, há características de não acreditar no que a filha estava fazendo com a justificativa de que essa menina tem tudo, que não precisava disso. A gente até entende esse tom de desabafo da mãe mas essa argumentação ela não vai ajudar a causa ser resolvida, que é o acompanhamento, o monitoramento, a instalação de programas parentais. Então tudo isso é importante, a gente precisa se interessar no que os filhos estão fazendo". disse o delegado Brenno Andrade.
A divulgação do caso também representa uma mudança na estratégia da Polícia Civil. Segundo o delegado, durante anos investigações envolvendo possíveis ameaças em escolas não eram divulgadas para evitar o chamado “efeito copycat”, quando outras pessoas poderiam se inspirar nos casos noticiados.
Agora, a corporação pretende divulgar algumas dessas ocorrências de maneira cuidadosa, sem revelar a identidade dos adolescentes, das escolas ou detalhes que possam estimular a reprodução dos comportamentos. A intenção é mostrar que os casos estão sendo monitorados e, ao mesmo tempo, orientar pais e profissionais da educação sobre como identificar e lidar com situações de risco.
A investigação sobre o caso continua, e o celular da adolescente será analisado pela Polícia Científica. A Polícia Civil também pretende ouvir representantes da escola para entender como os relatos de bullying eram tratados no ambiente escolar.
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