Perícia descarta suicídio e 2 são presos por morte de diarista
Companheiro e cunhado da vítima foram presos em flagrante após a perícia apontar que a cena de suicídio foi simulada
Uma diarista de 30 anos, identificada como Lucelena dos Santos, foi morta na madrugada deste domingo (13), no bairro Jabaeté, em Vila Velha. Inicialmente, o caso foi tratado como um possível suicídio, mas a perícia identificou sinais incompatíveis com essa hipótese e apontou indícios de que a cena teria sido simulada.
A mulher foi encontrada por uma amiga com uma corda no pescoço e pendurada. Ela chegou a ser levada à UPA de Riviera da Barra, mas chegou à unidade de saúde já sem vida.
De acordo com a chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), delegada Raffaella Aguiar, a vítima e o companheiro teriam passado a noite ingerindo bebida alcoólica e fazendo o uso de drogas durante a madrugada.
Pela manhã, os dois teriam tido um desentendimento e, um tempo depois, o corpo da vítima foi encontrado pela amiga.
"O plantão chegou ao local, se deparou com os familiares que trouxeram a informação que na UPA, o filho da vítima tinha relatado que tinha visto o companheiro e o seu irmão colocando a corda ao redor do pescoço da vítima", explicou .
A delegada explicou que após o relato, a perícia foi acionada e, juntamente dos policiais civis, foi possível reunir vestígios suficientes para apontar o companheiro e o seu irmão como principais suspeitos do crime.
Lesão incompatível com a corda
Após a Polícia Cientifica realizar o trabalho de perícia, foi constatado que as lesões apresentadas no pescoço da vítima eram incompatíveis com a corda em que ela foi encontrada amarrada. Segundo a perícia, a corda encontrada no local não apresentava sinais de tensão e a forma como estava presa ao caibro do telhado também era incompatível com a lesão encontrada no pescoço da vítima.
Para o chefe do Departamento de Perícia Externas da Polícia Científica (PCIES), Perito Oficial Criminal Regis Farani, a vítima teria sofrido a constrição no pescoço em outro momento e, posteriormente, a corda teria sido colocada no local com o objetivo de criar um contexto de suicídio.
"O que foi observado, é que a lesão era mais consistente com um estrangulamento, quando uma força não é a força do peso do corpo, foi uma força imposta por uma outra pessoa, que gerou uma compressão no pescoço, ao contrário do enforcamento quando é o peso do próprio corpo que gera essa compressão", disse.
Regis Farani explicou que os elementos analisados até o momento são mais compatíveis com a hipótese de homicídio.
"É importante destacar que o exame do IML ainda está sendo executado, tem uma série de exames de laboratório que devem trazer novas informações, mas todos os elementos que a gente tem até agora são compatíveis com a atribuição de homicídio", explicou.
O perito ainda explicou que a cena havia sido parcialmente descaracterizada porque a amiga retirou a vítima da corda na tentativa de socorrê-la. Segundo o perito, a alteração considerada intencional teria sido a própria colocação da corda no local, posteriormente, para simular um suicídio.
Suspeitos
Os dois suspeitos presos em flagrante são um homem de 23 anos, companheiro da vítima, e outro de 19 anos, cunhado dela e irmão do companheiro. Segundo a delegada Raffaela Aguiar, os dois foram conduzidos à delegacia inicialmente para prestar esclarecimentos. Após a análise dos elementos reunidos durante a investigação, incluindo informações da perícia e o relato do filho da vítima, ambos foram autuados em flagrante.
Os dois são investigados pela morte da mulher e, até o momento, a Polícia Civil trabalha para esclarecer a participação de cada um na dinâmica do crime. Durante o interrogatório, eles exerceram o direito constitucional de permanecer em silêncio.
A Polícia Civil busca agora entender como se deu o homicídio e também descobrir a motivação para o crime.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários