Perícia aponta falha grave nos freios de ônibus que tombou em acidente com 3 mortes
Polícia identificou desgaste completo das lonas de freio e problemas em outros componentes do veículo que tombou na BR-262
O ônibus de turismo que tombou na BR-262, em Ibatiba, na região do Caparaó, estava com o sistema de freios em condições graves de desgaste, segundo a perícia da Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES). A análise apontou que as lonas de freio haviam sido completamente consumidas e que, em um dos lados, a sapata chegou a se desmontar.
O acidente aconteceu na noite de 27 de setembro, na região conhecida como Curva da Ferradura, e deixou três pessoas mortas e outras 45 feridas. O ônibus retornava de Itaoca, no litoral sul capixaba, com destino a Contagem, em Minas Gerais, após uma viagem de excursão.
Segundo o chefe do Departamento de Engenharia Forense da PCIES, perito oficial criminal Temístocles Macedo, o estado do sistema de frenagem chamou a atenção durante a análise do veículo.
“Destaco que esse daqui foi de fato um dos acidentes mais grosseiros que a gente já verificou do ponto de vista da negligência na manutenção dos sistemas mecânicos veiculares. A análise que fizemos no veículo foi muito determinante para identificar porque o veículo adentrou uma curva tão complexa com uma velocidade tão incompatível e inclusive cometendo uma infração de trânsito na entrada da curva porque tinha um radar.”
A perícia constatou que as lonas estavam completamente desgastadas nos dois lados. No lado direito, a sapata do freio havia se desmontado e a mola se soltado. Também foi identificado desgaste excessivo em um dos pneus, condição que poderia impedir a circulação do veículo caso fosse constatada em uma fiscalização.
“Os dois lados estavam completamente desgastados, inclusive no lado direito a sapata tinha se desmontado.”
Para a Polícia Científica, porém, a investigação não deve considerar apenas o estado do veículo. A análise de um acidente desse tipo leva em conta possíveis falhas na operação, manutenção, controle e liberação dos ônibus. O perito destacou ainda que o caso deve ser analisado também sob a perspectiva de um acidente de trabalho, já que havia atividade profissional de transporte de passageiros.
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar possíveis crimes de homicídio culposo e lesão corporal culposa. O delegado Hélio Flávio Martins explicou que os laudos periciais serão fundamentais para determinar se houve imprudência, negligência ou outra conduta que tenha contribuído para o acidente.
“É necessário aguardar os laudos periciais enviados pela polícia científica, mas com base nos elementos informativos colhidos até então, tem-se que é possível construir uma ideia de imprudência ou de negligência, de uma violação de um dever objetivo de cuidado em relação ao fato, aos feridos, tanto aqueles que foram lesionados, quanto aquelas pessoas que eventualmente vieram a óbito também.”
O inquérito ainda está em fase inicial. Segundo o delegado, representantes da empresa responsável pelo ônibus ainda não foram ouvidos. A investigação deverá reunir os laudos, depoimentos e demais evidências antes de definir eventual responsabilização.
A perícia também identificou que o veículo não possuía autorização para circular no Espírito Santo, segundo as informações apresentadas durante a análise. A Polícia Civil deverá avaliar a relação entre as irregularidades encontradas e as causas do tombamento.
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