Vigilantes viram réus por sequestrar e matar homem em situação de rua em Vitória
Acusados eram integrantes de uma empresa de segurança privada. Um deles está foragido
Nove vigilantes de uma equipe de rondas de uma empresa de segurança privada se tornaram réus pelo sequestro seguido de morte de Marcos Vinícius Lopes Rodrigues, conhecido como "Bracinho". A vítima, que era pessoa em situação de rua, foi raptada no bairro Praia do Suá, em Vitória, durante a madrugada do dia 17 de março deste ano. Logo depois, foi levada para uma área de plantação de eucalipto nas proximidades do novo contorno de Jacaraípe, na Serra, onde foi assassinada e enterrada em cova rasa. O corpo foi localizado pela Polícia Civil no dia 20 de março.
Segundo a Polícia Civil, Marcos Vinícius já havia sido torturado pelos acusados no dia 8 de março. Na ocasião, a vítima teve um dente extraído. A tortura aconteceu pois Marcos Vinícius havia entrado em um condomínio monitorado pela empresa de segurança para a qual os réus trabalhavam.
O crime foi capturado por uma câmera de videomonitoramento. Nas imagens (abaixo), é possível ver uma movimentação de motocicletas. Logo após, Marcos Vinícius é cercado por homens armados e é imobilizado. Em seguida, chega um veículo e a vítima é colocada dentro dele. Durante a ação, também é possível observar a chegada de mais homens em motos.
Segundo a investigação da polícia, o grupo atuava de forma organizada na captura e agressão de pessoas em situação de rua apontadas como autoras de pequenos furtos. A apuração identificou, ainda, outros episódios de violência que podem estar relacionados aos envolvidos.
Com o recebimento da denúncia feita pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) pela Justiça, os nove vigilantes, que até então eram suspeitos do crime, se tornaram réus. Oito deles já estão presos e um permanece foragido. Os nove acusados são:
- GABRIEL DOS SANTOS AMARAL, 29 anos, sem antecedentes (PRESO)
- GABRIEL FITTIPALDI, 22 anos, sem histórico criminal (PRESO)
- LUCAS MIGUEL OLIVEIRA DOS SANTOS, 28 anos, sem histórico criminal (FORAGIDO)
- PAULO HENRIQUE ESTEVES SILVA, 30 anos, sem histórico criminal (PRESO)
- RAFAEL DE SOUZA SILVA, 33 anos, histórico por tráfico de drogas (PRESO)
- SAIMON SALES CESAR, 30 anos, sem histórico criminal (PRESO)
- THIAGO GONÇALVES, 24 anos, sem histórico criminal (PRESO)
- RALSON AMANCIO CHAGAS, 42 anos, sem histórico criminal (PRESO)
- CELSO HENRIQUE DE AZEVEDO, 25 anos, sem histórico criminal (PRESO)
De acordo com a Polícia Civil, o veículo utilizado para sequestrar e levar a vítima até a área de plantação de eucalipto na Serra era dirigido por Ralson. No banco do carona estava Celso. Já no banco de trás estavam Thiago e Gabriel Amaral. Os demais conduziam as motocicletas.
Crimes eram discutidos em grupos de mensagens
Ao se aprofundar nas investigações, a Polícia Civil constatou que os acusados participavam de grupos no WhatsApp. Neles, era deliberado o que era pra ser feito com moradores em situação de rua que cometiam pequenos furtos nas proximidades dos condomínios que eram monitorados pela empresa para a qual os vigilantes trabalhavam.
Nas mensagens, os acusados decidiam, por exemplo, se era para bater, torturar ou cometer algum outro tipo de crime contra os moradores em situação de rua. As agressões eram filmadas e compartilhadas nos grupos.
Empresa de vigilância foi fechada pela PF
Conforme noticiado pela reportagem do Tribuna Online, a empresa de vigilância que empregava os nove acusados teve suas atividades encerradas no dia 15 de maio deste ano. O local foi fechado pela Polícia Federal.
À época, a corporação informou que a empresa, além de ser suspeita de ter envolvimento no assassinato de Marcos Vinícius, não possuía autorização do órgão para atuar no âmbito da segurança privada. Mesmo assim, de acordo com a PF, os vigilantes executavam funções de ronda noturna, atuando uniformizados e utilizando tonfas, outras armas brancas e até simulacros de arma de fogo.
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