Mais de 25 mil pessoas já foram vítimas de golpes no Espírito Santo este ano
Número é referente ao período entre janeiro e junho deste ano no Estado e equivale a 140 crimes cometidos por dia
Utilizando-se de dados vazados, impondo um senso de urgência a seus alvos e aplicando os mais diversos golpes, estelionatários fizeram 25.652 vítimas no Estado de janeiro a junho deste ano. O número equivale a 140 golpes aplicados por dia no Espírito Santo.
Os dados são do Painel dos Crimes Contra o Patrimônio da Secretaria de Estado da Segurança (Sesp) e referem-se ao número de ocorrências registradas. O painel não detalha os tipos de golpes. Porém, levantamento feito pela reportagem junto a especialistas traçou o perfil dos mais frequentes.
O adjunto da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa), delegado Jonathan Lana, destaca que o golpe do Falso Advogado lidera os registros, além das fraudes na compra e venda de terrenos e bancárias.
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“Hoje em dia, com muitos dados vazados, a gente percebe que cada vez mais os criminosos têm se especializado, têm estudado a vítima para criar uma história justamente para aquele tipo de vítima que eles querem. Há dados de perfis em redes sociais que são abertos também. Às vezes até a própria pessoa fornece informações”, destaca.
O especialista em Crimes Cibernéticos Eduardo Pinheiro observa que as pessoas frequentemente se tornam vítimas devido a uma combinação de vulnerabilidades tecnológicas e comportamentais.
“Um dos fatores decisivos é o suposto anonimato dos golpistas no ambiente digital, o que lhes confere uma sensação de impunidade e facilita a execução dos crimes”. Ele cita golpes do Pix, clonagem do WhatsApp, boletos com falsas cobranças, entre outros.
Emir Pinho, especialista em Segurança Pública e Privada, aponta que a investigação é extremamente difícil. “Hoje muitos golpes são praticados por organizações criminosas utilizando contas bancárias de 'laranjas', celulares descartáveis ou furtados, VPNs, servidores localizados em outros países e criptomoedas”.
O delegado Jonathan Lana destaca ações da Polícia Civil como operações conjuntas com outras forças de segurança para desarticular quadrilhas complexas; investimento em tecnologia e no contínuo aprimoramento da investigação policial, por exemplo, com ferramentas de IA aplicada às investigações e a realização de concurso público para reforço do efetivo policial.
Os golpes mais comuns
1. Falso Advogado
Criminosos entram em contato por telefone ou WhatsApp se passando por advogados. Usam nomes, fotos e números da OAB de profissionais reais e, em alguns casos, recorrem à clonagem de voz por Inteligência Artificial. Informam que a vítima tem valores judiciais a receber e exigem o pagamento de taxas, induzindo transferências via Pix ou a entrega de dados pessoais e bancários.
2. Compra e Venda de Imóveis
Golpistas anunciam imóveis inexistentes ou se passam por proprietários e corretores, utilizando documentos falsificados para negociar o bem. Antes da conclusão da venda, pedem pagamentos antecipados e desaparecem com o dinheiro.
3. Funcionário de Banco
Criminosos ligam fingindo ser funcionários de instituições financeiras e mascaram o número para parecer oficial. Alegam movimentações suspeitas na conta e convencem a vítima a fazer transferências ou instalar aplicativos que dão acesso remoto ao celular.
4. Fraudes no Pix
Os golpes mais comuns envolvem comprovantes falsos de Pix agendado, cancelados antes da compensação e o “Pix errado”, em que a vítima devolve um valor que nunca foi efetivamente transferido, sofrendo prejuízo.
5. Clonagem de WhatsApp
golpistas criam um perfil falso com a foto da vítima ou clonam a conta e entram em contato com familiares e amigos, alegando mudança de número e uma emergência financeira para solicitar dinheiro via Pix.
6. Golpe do Amor
bandidos criam perfis falsos em redes sociais ou aplicativos de relacionamento, conquistam a confiança da vítima ao longo de semanas ou meses e, posteriormente, inventam situações de emergência para pedir dinheiro ou presentes.
7. Golpe da Taxa de Importação
A vítima recebe mensagens informando que uma encomenda foi retida e precisa pagar uma suposta taxa alfandegária ou de despacho para liberar a entrega. O dinheiro é direcionado aos golpistas.
8. Boletos e Falsas Cobranças
Aproveitando vazamentos de dados, criminosos enviam boletos falsos de escolas, planos de saúde, internet ou energia. O documento parece verdadeiro, mas o pagamento é desviado para contas de laranjas.
9. Falso Intermediário
Muito comum na compra e venda de veículos e outros bens pela internet, o golpista se apresenta como intermediador entre comprador e vendedor, altera informações e faz o pagamento ser enviado para contas da quadrilha, sem que nenhuma das partes perceba a fraude.
10. Falso Investimento
Criminosos prometem lucros rápidos em aplicações financeiras, criptomoedas ou plataformas de investimento para seus alvos. Após convencerem a vítima a realizar depósitos, os golpistas interrompem o contato ou impedem o resgate dos valores.
Como evitar
- Nunca tomar decisões sob pressão ou senso de urgência.
- Confirmar qualquer solicitação utilizando outro canal de comunicação.
- Nunca compartilhar senhas, códigos de autenticação ou tokens.
- Desconfiar de ofertas muito vantajosas.
- Manter autenticação em dois fatores ativa em aplicativos e redes sociais.
- Comprar apenas em sites e empresas reconhecidas.
- Verificar dados bancários antes de realizar um Pix.
- Em caso de dúvida, interromper a conversa e procurar diretamente a instituição envolvida.
Se cair num golpe
- Registre boletim de ocorrência.
- Salve prints, comprovantes de Pix, e-mails, números de telefone, links e demais informações que possam auxiliar na investigação.
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