“Maioria dos crimes a idosos é praticada pelos filhos”, diz delegado
Boa parte dos crimes que foram registrados e que tiveram seus inquéritos concluídos na Delegacia Especializada de Proteção ao Idoso (Depi), em Vitória, foram praticados pelos próprios filhos da vítima. É o que afirma o delegado Márcio Braga.
“A maioria dos crimes é praticada por filhos que são usuários de drogas e ficam querendo tirar o dinheiro do pai ou da mãe, que são aposentados, justamente para comprar os entorpecentes”, explica o delegado titular da Depi.
O delegado destacou que, como muitos idosos não concordam em entregar o dinheiro ou seu cartão do banco ao filho, começa um processo de violência com as vítimas que pode culminar em vários tipos de crimes.
“Como o acusado não tem aquilo que queria, ele começa a xingar, ameaçar, fazer pressão psicológica e até agredir o idoso. Essas atitudes podem culminar em crimes como lesão corporal leve ou grave, ameaça, entre outros”, aponta.
Dentre os crimes mais praticados pelos acusados, de acordo com o delegado, lesão corporal, ameaça, apropriação em débito e extorsão, são os que lideram o ranking na delegacia.
Além do uso do dinheiro do idoso, outros motivos também desencadeiam os crimes cometidos contra eles.
“Às vezes, o filho ou até mesmo o irmão mora no mesmo terreno e não quer mais a presença do idoso ali. Daí começa uma briga que termina com a vítima agredida”, afirma o delegado.
Braga falou ainda sobre a importância de se denunciar os maus-tratos que culminam em diversos crimes. Segundo o delegado, na maioria dos casos que chegam à delegacia, idosos optam por não representar contra o agressor.
“Como na maioria das vezes o agressor é o próprio filho, o idoso não quer representar contra ele. Com isso, eu não consigo pedir à Justiça, por exemplo, uma medida protetiva para evitar novas agressões ou crimes”.
O delegado informou ainda que a maioria dos idosos que são vítimas desses crimes sofrem de algum tipo de doença degenerativa, como Alzheimer.
Para impedir que esses crimes ocorram, o delegado orienta que as pessoas façam suas denúncias. “Ligue para 190, em casos urgentes, ou os canais das prefeituras”.
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SAIBA MAIS Onde buscar ajuda
- Canais de denúncias
- Disque 100: de forma anônima e gratuita, atende 24 horas
- Aplicativo Direitos Humanos
- Creas de Cariacica: 3346-6320
- Creas de Vitória: 3132-1719 ou final 8065 e 3420.
- Creas da Serra: 3251-6022
- Delegacia do Idoso: 3227-9545, das 8h às 18h
- Ciodes: 190
- Disque-Denúncia: 181
Delegacia registra 793 ocorrências
De janeiro a maio deste ano, a Delegacia Especializada de Proteção ao Idoso (Depi) registrou 793 ocorrências de crimes praticados contra idosos no Estado. Desse número, 150 ocorrências geraram inquéritos policiais que foram ou estão sendo investigados pela polícia.
Pelo menos 557 pessoas foram chamadas na delegacia ou conduzidas até o local, na condição de suspeitos por terem praticado algum tipo de crime contra idosos, e liberados em seguida.
Segundo a Polícia Civil, todas os suspeitos assinaram um Termo Circunstanciado (TC) e foram liberados, para responder o processo em liberdade.
O titular da Depi, Márcio Braga, disse que não ter observado um aumento gradativo nos casos de maus-tratos que terminam em algum tipo de crime este ano.
Mas Braga salienta que o abandono de idosos pode ser enxergado nas delegacias de plantão, em ocorrências de brigas entre familiares que não aceitam ficar com a responsabilidade de cuidar de seus pais/mães.
“Às vezes, um irmão tenta criminalizar o outro porque ele próprio não quer cuidar do seu pai, da sua mãe e aí gera uma discussão que em muitas situações termina em agressão”, destaca o delegado.
Furtos
Segundo a coordenadora da instituição do Lar Semente do Amor e que também faz parte da equipe do Serviço de Proteção Social Especial para Pessoa Idosa (Sead), da Serra, Viviane Guerra, além de sofrerem os mais diversos tipos de violência abordados nesta reportagem, há casos de idosos que sofrem furtos dentro de sua própria casa. “Esse caso aplica-se principalmente a filhos e netos dependentes químicos, sobre os quais exigem-se medidas jurídicas cabíveis”, aponta Viviane.
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