Júri de engenheiro acusado de feminicídio pode durar 6 dias
Engenheiro acusado de matar a esposa professora em 2017 começou a ser julgado em Vitória, e sessão do júri pode se estender por seis dias
O engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueira, acusado de matar a esposa, a professora Danielly Wandermurem Benício, começou a ser julgado pelo Tribunal do Júri, nesta terça-feira (03), no Fórum Criminal de Vitória. A previsão é de que o júri possa se estender até domingo.
O crime aconteceu em 2017, quando a vítima tinha 36 anos, no apartamento onde o casal morava, no bairro Jardim Camburi, na capital capixaba. De acordo com o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Patrick será julgado pelo crime de homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe e feminicídio.
Ontem, prestaram depoimento o primeiro perito, que fez a perícia no local de crime, a mãe da vítima, o diretor da escola onde ela trabalhava e um familiar do réu que estava com ele no momento do encontro do corpo. Um período seria ouvido ainda ontem, mas as oitivas não haviam sido finalizadas, até o fechamento da edição.
Inicialmente, a morte da professora foi registrada e investigada sob a hipótese de suicídio. No entanto, com o avanço das apurações policiais, o caso passou a ser tratado como feminicídio, e o marido da vítima foi apontado como acusado do crime.
O advogado Marcos Daniel Vasconcelos Coutinho, que faz a defesa de Patrick, disse, em entrevista para a reportagem, que a vítima sofreu um acidente decorrente do uso de remédios controlados combinados com álcool.
“A defesa vai provar com base nos os autos, que ela estava viva depois que o Patrick saiu do apartamento, de modo que não seria possível imputar essa situação a ele”, afirmou Marcos Daniel Vasconcelos Coutinho.
Já o promotor de Justiça Rodrigo Monteiro afirma que é fisicamente impossível que a vítima tenha se suicidado e que a vítima tenha caído da própria altura.
“Agora, a defesa fala que a tese é convulsão, que a vítima teve convulsão por conta de um medicamento que acharam no lixo, que nem se sabe se a vítima tomou, o laudo não mostrou, e que ela convulsionou, caiu, bateu a cabeça. O perito mostrou que, fisicamente, essa tese da defesa é insustentável. Não foi acidente, foi homicídio”, afirmou o promotor.
Para o julgamento, foram convocadas 25 testemunhas, que deverão prestar depoimento durante a sessão. Devido ao número de pessoas a serem ouvidas e à complexidade do processo, a expectativa é de que o júri popular se estenda até domingo.
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