Homem que matou namorada em Piúma é preso após desobedecer e ameaçar policiais
Maria Aparecida da Silva teria sido vítima de estelionato e foi encontrada morta em um lotamento no bairro Portinho
Um homem suspeito de matar Maria Aparecida da Silva, de 60 anos, foi preso após ameaçar policiais durante tentativa de fuga ao ser chamado para depor, na segunda-feira (31). Na ocasião, ele ainda confessou o assassinato e bens da vítima foram encontrados no imóvel.
Maria Aparecida, conhecida como Cida, foi encontrada morta no sábado (29), em uma estrada de um loteamento no bairro Portinho, em Piúma, no Sul do Estado. O corpo apresentava algumas escoriações e a cabeça da vítima estava carbonizada.
Segundo a polícia, a crueldade do crime chamou atenção da equipe. Após investigações, um homem que seria namorado da vítima foi apontado como suspeito. Ele teria praticado alguns golpes comprando bens em nome de Cida, e quando a vítima desconfiou, teria praticado o crime.
A polícia deu detalhes sobre o caso em uma coletiva de imprensa concedida nesta quarta-feira (02). Segundo o delegado Rodrigo Toscano, investigações dão conta de que o suspeito agia como estelionatário, colocando bens da vítima em nome dele e afirmando que possuia fazendas e comércio de gado.
"A vítima acreditou, caiu nesse golpe e aí quando percebeu que estava sendo lesada por esse suspeito, ela foi correr atrás de seus direitos e aí muito provavelmente por essa motivação, ele seifou a vida dela", explicou o delegado.
O caso ainda está sendo investigado e a real motivação, assim como detalhes de como o suspeito matou Maria Aparecida, ainda serão esclarecidos.
O suspeito não tem antecedentes criminais e é natural do Ceará. Ele declarou à polícia que morou no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, e estava há poucos meses no Espírito Santo.
Após o crime, a polícia foi até o imóvel onde ele morava para intimá-lo a depor. Ele seria interrogado na delegacia, mas no momento em que a equipe chegou ao local, o suspeito fugiu, correu até o terraço da casa e resistiu à ação policial, precisando ser dada a ele ordem de parada. Ao ser levado à delegacia, ele ainda ameaçou um dos policiais de morte, segundo relato da PC.
"Por conta desses fatos ele foi autuado em flagrante pelos crimes de desobediência, resistência, lesão corporal majorada e ameaça e foi encaminhado pro sistema prisional", destacou o delegado.
Suspeito confessou o crime
O suspeito ainda confessou o assassinado de Maria Aparecida, porém não deu detalhes do modo de execução. Segundo o delegado, o suspeito afirmou que matou a vítima no mesmo local onde ela foi encontrada.
Um carro no nome da vítima, utilizado no crime, foi apreendido no imóvel, assim como um celular que pertencia a ela. "Ele colocou a vítima dentro desse carro e foi até esse local. E aí esse carro foi apreendido também em diligências policiais", relatou Rodrigo.
"Ele lavou esse carro, só que a gente requisitou a perícia da polícia científica para a gente identificar o que tinha naquele carro, se tinha algum material inflamável, se tem risquício de sangue... E o laudo necroscópico, o exame necroscópico vai poder apontar pra gente", completou o delegado.
O suspeito teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pelos fatos da desobediência e já foi representado contra ele um pedido de prisão temporária em razão da morte de Maria Aparecida.
Se condenado, ele pode responder pelo crime de feminicídio majorado pelo fato da vítima ter 60 anos ou mais e por ter utilizado de meio cruel. "Ao final do inquérito, nada impede que se reconheçam outros crimes, como o estelionato anterior, ou então até furto, apropriação indébita, tudo ao final do inquérito a gente vai conseguir um enquadramento jurídico melhor", detalhou ainda o delegado.
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