Grande Vitória tem 5 casos por dia de violência a idosos durante a quarentena
A violência e os maus-tratos contra idosos cresceu até cinco vezes no Brasil durante a pandemia. É o que aponta levantamento feito pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. No Espírito Santo, a situação não é diferente.
Só na Grande Vitória, em levantamento feito pela reportagem de A Tribuna, 820 registros foram feitos nos Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Cariacica, Vila Velha, Serra e Vitória, entre janeiro e maio deste ano, o que equivale a mais de 5 casos por dia.
No Estado, foram 495 queixas feitas ao órgão federal de 1º de março até o último dia 19 de junho. Aumento de 46,5% em relação ao mesmo período no ano passado, que somou 338 denúncias.
Dos mais de 800 casos reportados por prefeituras e instituições, pelo menos 195 foram registrados como crimes de negligência. Outros 123 foram de algum tipo de violência psicológica contra idosos, além de outras 53 denúncias apontarem violência física.
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Para a secretária de Assistência Social de Vila Velha, Ana Cláudia Simões, o aumento dos casos de violência contra idosos se deve à falta de paciência de familiares. “São parentes próximos desse idoso, que, às vezes por falta de amor e paciência, cometem esses delitos”, disse.
A presidente do Conselho Municipal do Idoso de Vila Velha, Marquele Martinelli, percebe um aumento dos crimes de negligência e violência psicológica. “Temos casos de a família exigir que os idosos fiquem com netos e, se eles recusam, são xingados e ameaçados, o que caracteriza em violência psicológica”.
A secretária adjunta de Assistência Social da Serra, Elcimara Loureiro, faz um alerta. “Muitos idosos vivem isolados da família até mesmo dentro de casa, e isso acaba acarretando em doenças como a depressão e ansiedade”.
Atuante no Serviço de Proteção Social Especial para Pessoa Idosa da Prefeitura da Serra, Viviane Guerra, aponta aumento em outros casos: abandono e abuso financeiro. “São conflitos oriundos de dependência química de um familiar, brigas entre irmãos pela posse dos bens e renda do idoso (cartão da aposentadoria)”.
Abandono por medo de Covid-19
Por trás da necessidade de isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus, há um lado cruel: são cada vez mais comuns os casos de idosos que são abandonados em suas casas, pela própria família – situação caracterizada como abandono e negligência.
“Às vezes, o idoso mora sozinho, mas não tem suporte dos familiares. Ele começa a desenvolver sintomas de Covid-19 e todo mundo some. Ele fica sem comida, água e sem qualquer condição de sobreviver”, explica a coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Vitória, Fabíola Calazans.
A coordenadora explicou que, quando esse tipo de situação, assim como qualquer outra que implique em maus-tratos ou violência, chega para os Creas, imediatamente é feito um estudo de caso e, em seguida, a justiça é procurada.
“Como não temos poder de polícia e a gente depende dos outros atores para intervir nesses casos, encaminhamos um relatório com a denúncia para a Delegacia do Idoso”, contou.
Fabíola também lembrou de outros casos que se caracterizam em abandono e negligência.
“Muitos familiares não receberam as equipes de saúde para dar a vacina contra a gripe. Isso também é negligência e, infelizmente, vem aumentando muito”, lamentou a coordenadora.
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