ES registra 1.342 pessoas desaparecidas somente em 2026
Dados são da Sesp e se referem ao período entre janeiro e junho. Número representa uma média de sete novos casos por dia
A cada dia, sete novos registros de desaparecimento são feitos no Espírito Santo. Entre janeiro e junho deste ano, foram contabilizadas 1.342 ocorrências no ES, segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp).
Na Grande Vitória, área de atuação da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas (DEPD), mais de 80% das pessoas acompanhadas foram localizadas.
O delegado titular da DEPD, Tarcísio Otoni, explica que em 2026, até agora, a unidade registrou 234 ocorrências: 189 pessoas foram encontradas vivas, 17 localizadas mortas e 28 seguem desaparecidas.
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O perfil predominante dos desaparecidos no Espírito Santo é formado por homens adultos (61,1%), sendo as mulheres 34% e não informado, 4,9%. Adolescentes de 12 a 17 anos são 23,5% dos desaparecidos.
Casos envolvendo idosos com algum tipo de demência e pessoas com transtornos mentais também são recorrentes.
“O desaparecimento voluntário ainda é a principal causa. São adolescentes em conflito familiar, ou adultos que decidem sair por vontade própria. Os casos como homicídios com ocultação de cadáver representam a minoria. Todos os registros são investigados”, explicou o delegado.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelas autoridades é o mito de que é necessário aguardar 24 horas para registrar o desaparecimento.
O delegado reforça que a procura pela polícia deve ser imediata. “A legislação brasileira considera desaparecida qualquer pessoa cujo paradeiro seja desconhecido. Se houve quebra da rotina e a família não consegue localizar a pessoa, o registro deve ser feito imediatamente. As primeiras horas são fundamentais”, ressaltou.
Para ampliar a capacidade de resposta, a Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas trabalha em novos projetos.
“Hoje temos ferramentas tecnológicas e sistemas integrados que aumentam muito as chances de localização. O desafio agora é estruturar uma rede ainda mais rápida e eficiente para atender as famílias”, concluiu Tarcísio Otoni.
De acordo com o delegado, fora da Grande Vitória, os registros de desaparecidos são feitos nas delegacias de cada município, onde são investigados.
Associação para dar orientações às famílias
“O luto do desaparecimento não tem fim”. A definição é do coordenador do atendimento psicossocial da Associação de Apoio Familiar de Pessoas Desaparecidas (Afaped), Rogério Santana Costa.
No Espírito Santo, esse sofrimento motivou a criação da Afaped, entidade fundada em junho de 2024 para oferecer acolhimento psicológico, orientação jurídica e assistência social a familiares de pessoas desaparecidas.
A iniciativa nasceu da própria experiência do coordenador da associação, Adriel Moreira, que perdeu o irmão, Joeser Ludolfo Moreira, em 2012.
Segundo Adriel, as dificuldades são grandes, especialmente nas áreas rurais. “Às vezes, estamos falando de famílias da zona rural, que não sabem usar WhatsApp ou acessar serviços públicos”.
Rogério exemplifica como o desaparecimento pode impactar o sustento das famílias. “Se o desaparecido é provedor, como fica essa família? A Afaped entra com esse apoio jurídico”, diz.
Casos
“Muito triste”, diz mãe
A jovem Kamilly dos Santos Oliveira, 18 , está desaparecida desde 2021, após ir a um bar no centro da Serra. Ela foi vista saindo de um posto de gasolina da região e uma foto enviada pela jovem, informando que estava na casa de um conhecido, teria sido seu último contato, segundo a polícia.
Ele depôs como testemunha e disse que deixou Kamilly num ponto de ônibus, a pedido da jovem, que iria uma festa. “Até hoje, não acharam nada dela. Fico muito triste, não tem como fazer nada”, diz a mãe da jovem, a dona de casa Viviane dos Santos Oliveira, 39, (foto). O caso é investigado na Delegacia de Pessoas Desaparecidas.
Treze anos de espera pelo filho na Serra
Márcio Lucas de Jesus Lopes está desaparecido desde 15 de novembro de 2013. Ele tinha 10 anos. O paulistano Hidreley Dião fez, em 2023, a pedido da reportagem de A Tribuna, uma projeção com Inteligência Artificial de como estaria Márcio, que teria 20 anos, na ocasião. Hoje, se for encontrado com vida, ele tem 23.
“Meu filho era autista. Um dia saiu de casa enquanto eu dava banho na minha filha, que tinha 2 anos, e nunca mais foi encontrado. Não desejo para ninguém, é desesperador”, diz a mãe, Jane de Jesus, de 44 anos.
Saiba Mais
Espírito Santo
- 1.342 registros de desaparecimento foram feitos no Espírito Santo, de janeiro a junho deste ano, sendo 240 (17,9%) localizados, 222 vivos e 18 mortos.
Perfil
- Masculino: 61,1%
- Feminino: 34%
- Não informado: 4,9%
- Adolescentes de 12 a 17 anos são 23,5% dos desaparecidos.
Investigação
- As ocorrências podem ser registradas em qualquer delegacia, ou na Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas, Rua Dr. João Carlos de Souza, 89, B. Vermelho, Vitória.
- Delegacia Online: delegaciaonline.sesp.es.gov.br/deon
Divulgação
A divulgação dos desaparecidos é feita com autorização das famílias nos perfis do Instagram:
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