Empresário preso por venda ilegal de lotes já havia aplicado outros golpes antes
Vinícius Pires da Silva Allazio foi detido em Barra do Jucu ao tentar negociar um lote; terreno é avaliado em R$ 670 milhões, segundo a polícia
O empresário Vinícius Pires da Silva Allazio, 40 anos, foi preso no último dia 9, em Barra do Jucu, em Vila Velha, investigado por comercializar ilegalmente lotes de um terreno avaliado em R$ 670 milhões. Ele foi flagrado tentando vender mais um lote no mesmo local onde acabou detido.
Esquema usava estrutura para dar aparência de legalidade
O chefe do Departamento Especializada de Investigações Criminais (Deic), delegado Gabriel Monteiro, explicou que o esquema envolvia corretores, empresas da construção civil, vigias e containers no terreno, a fim de transmitir suposta legalidade e confiança às vítimas durante as negociações.
Segundo o delegado, Vinícius estava em nova negociação quando os policiais chegaram. Com ele, a equipe encontrou um cheque de R$ 100 mil, confirmado pela polícia como sendo de uma vítima.
"Nós estavamos o monitorando através do cerco eletrônico e abordamos, porque ele já possuía mandado de prisão preventiva. E ele estava tentando, na hora, vender um lote não autorizado. Na revista pessoal, nós encontramos um cheque no valor de R$ 100 mil, que ele nos informou que teria sido de uma vítima há um dia atrás", disse Monteiro.
Monteiro afirmou que o investigado não tinha qualquer registro para realizar as vendas.
"Ele não possuía o requisito essencial que é o título, a propriedade. Então, ele não possuía nenhum procedimento de parcelamento de solo para estar vendendo aqueles terrenos. Ou seja, ele estava vendendo sonhos que não iriam se realizar", afirmou Monteiro.
Defesa nega fraude e fala em investimento
O advogado Jorge Martins, que representa o empresário, disse que seu cliente não usou documentos falsos, nem integra grupo criminoso. Segundo ele, houve negociação com uma empresa: venda de um bar em troca de frações de lotes que equivaleriam a “6 mil m, ou 20 lotes”, quando a área fosse regularizada.
De acordo com a defesa, a empresa detém a posse do terreno e move ação de usucapião. “Hoje, as pessoas que estão procurando as frações de lote o fazem como uma proposta de investimento”, afirmou o advogado, ao acrescentar que a regularização foi solicitada aos órgãos competentes.
A defesa também negou que Vinícius seja corretor e disse que o cheque de R$ 100 mil seria de um investidor da empresa, que prestou depoimento e declarou não ter sido vítima de golpe, mantendo o compromisso de seguir com o investimento.
Outra investigação: placas solares e prejuízo superior a R$ 500 mil
Durante as apurações, surgiu ainda outro caso em que o empresário é investigado por estelionato envolvendo uma empresa de placas de energia solar. Conforme o titular da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa), delegado Fabiano Alves, Vinícius vendia as placas, recebia antecipadamente e não entregava o produto, provocando prejuízo superior a R$ 500 mil.
"A empresa dele era regular e funcionava normalmente até novembro de 2024. Em novembro de 2024, ele teve um problema financeiro e ele sabia que não tinha mais condições de entregar as placas solares que eram vendidas por ele, ainda assim, ele continuava captando clientes, recebendo os valores das placas solares vendidas e deixando as vítimas no prejuízo", expôs Alves.
A defesa do empresário disse que em relação à prisão preventiva relacionada à venda de placas solares que não eram entregues, o advogado afirmou que a empresa de seu cliente, que faturava de R$ 10 a R$ 15 milhões mensais, teve problemas de liquidez, após a pandemia. "Uma série de acordos estão sendo feitos, por exemplo, na Justiça do Trabalho, em causas cíveis e até mesmo em processos criminais para quitar eventuais débitos", disse o advogado Jorge Martins.
Orientações à população e canal de denúncia
Com as investigações em andamento, o delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), Jordano Bruno, orientou que vítimas ou quem possua informações procure a PCES ou acione o Disque-Denúncia 181.
"Que a população se conscientize toda vez que entrar em uma compra, uma aquisição, ainda mais se tratando de um imóvel, verificar a situação desse imóvel. Ir em um cartório regional de imóveis, verificar uma certidão de ônus, ir na Prefeitura para verificar a regularização", instruiu o delegado-geral.
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