Condenado por matar enfermeira grávida tem pena ampliada para 51 anos
Condenação de Cleilton Santana dos Santos pelo feminicídio de Íris Rocha é agravada; decisão reconhece premeditação e ocultação do corpo
O Tribunal de Justiça do Espírito Santo aumentou para 51 anos e três dias de prisão a pena de Cleilton Santana dos Santos, condenado pelo assassinato da enfermeira Íris Rocha, de 30 anos, que estava grávida de oito meses. A nova dosimetria reconheceu circunstâncias que agravaram o crime, entre elas a premeditação, o estágio avançado da gestação e a tentativa de ocultar o corpo da vítima.
Inicialmente fixada em 37 anos de reclusão, a condenação foi revista após julgamento de recursos. Embora parte das penas relacionadas ao aborto sem consentimento da gestante e à ocultação de cadáver tenha sido reduzida, os desembargadores aumentaram a punição pelo feminicídio, elevando a pena total para mais de cinco décadas de prisão.
Na decisão, o Tribunal também considerou que a vítima foi levada para um local isolado antes de ser assassinada e que o uso de cal sobre o corpo demonstrou a intenção de dificultar a localização e comprometer a produção de provas.
A investigação foi conduzida pela delegada Maria Glória da Pessotti, da Delegacia de Polícia de Alfredo Chaves, responsável por reunir os primeiros elementos que levaram ao esclarecimento do crime.
“Foi um crime que exigiu uma investigação minuciosa e um grande esforço da equipe para reunir provas técnicas e esclarecer toda a dinâmica dos fatos. A decisão da Justiça representa uma resposta à altura da extrema violência praticada contra Íris e sua filha, além de reforçar a importância do enfrentamento aos casos de feminicídio”, afirma.
Entenda o caso
Íris Rocha desapareceu em 11 de janeiro de 2024, após sair para encontrar Cleilton Santana dos Santos, com quem mantinha um relacionamento. Dias depois, o corpo da enfermeira foi encontrado em uma área de mata às margens de uma rodovia, em Alfredo Chaves.
A vítima estava grávida de oito meses da filha Rebeca. Segundo a investigação, o crime foi motivado pelo comportamento possessivo do condenado, que desconfiava da paternidade da criança. Posteriormente, um exame de DNA confirmou que ele era o pai da bebê.
Durante a investigação, Cleilton negou participação no homicídio. No entanto, no julgamento realizado em dezembro de 2025, confessou o assassinato. O caso teve ampla repercussão no Espírito Santo e se tornou um dos feminicídios de maior impacto registrados no Estado nos últimos anos.
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