Caso Luísa Lopes: ré passa mal e acompanha júri de casa
Quatro anos após o atropelamento que matou Luísa Lopes, Adriana Pereira começa a ser julgada em Vitória e acompanha o júri por videoconferência.
O julgamento da corretora de imóveis Adriana Felisberto Pereira, acusada pela morte da modelo e ciclista Luísa da Silva Lopes, começou ontem, em Vitória, quase quatro anos e quatro meses após o atropelamento que matou a jovem de 25 anos.
A ré responde por homicídio qualificado por dolo eventual, por perigo comum e por recurso que dificultou a defesa da vítima, além de embriaguez ao volante.
Pela manhã, Adriana chegou ao Fórum Criminal de Vitória, mas passou mal e precisou acompanhar a sessão por videoconferência.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), Adriana dirigia acima do limite de velocidade permitido, sob efeito de álcool e de medicamentos controlados, quando atingiu Luísa, que atravessava a avenida Dante Michelini, na altura de Jardim da Penha.
A acusação sustenta que ela assumiu o risco de provocar a morte da ciclista ao decidir dirigir nessas condições.
Primeiro dia de depoimentos no júri
Ao longo do primeiro dia de julgamento, foram ouvidos três policiais, um perito e duas peritas.
A promotoria também havia solicitado que jurados visitassem o local do atropelamento para verificar as condições de visibilidade da via, mas a diligência foi cancelada após a defesa alegar que a bicicleta instalada em homenagem à vítima poderia influenciar os jurados.
Para o promotor Leonardo Augusto Cezar, que falou à TV Tribuna/Band, a conduta da ré é incompatível com um crime apenas culposo.
"Se a vítima ficou invisível, isso ocorreu porque a ré associou bebida alcoólica e medicamentos que comprometem a visão periférica e os reflexos. Ao dirigir nessas condições, ela assumiu o risco de matar alguém"
Já o advogado especialista em Trânsito Fábio Marçal avalia que o caso deve ser tratado como homicídio culposo na direção de veículo.
"Não podemos banalizar o dolo eventual. O fato de haver consumo de bebida alcoólica, por si só, não transforma um crime culposo em homicídio doloso"
Para Hudson Lupi Ribeiro, do Coletivo Pedalamente e do movimento Justiça por Luísa, o julgamento representa o encerramento de um longo período de espera.
"Esperamos que a Justiça reconheça a gravidade da violência que tirou a vida da Luísa"
A expectativa é que o julgamento seja encerrado até amanhã.
Como foi o atropelamento de Luísa Lopes
O acidente aconteceu em 10 de abril de 2022, na avenida Dante Michelini, no bairro Jardim da Penha, em Vitória.
A corretora de imóveis Adriana Felisberto Pereira atropelou a modelo e ciclista Luísa Lopes, de 25 anos.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Adriana dirigia em direção à Serra a 72 km/h, acima do limite de 60 km/h.
A acusação afirma que a motorista estava sob efeito de bebida alcoólica e de medicamentos controlados.
Segundo a defesa, Luísa iniciou a travessia na faixa de pedestres, mas o acidente aconteceu fora da faixa, com o sinal verde para os veículos.
A ciclista foi arremessada por 40 metros e morreu no local.
Adriana foi presa em flagrante, recusou-se a fazer o teste do bafômetro e foi liberada após pagar fiança de R$ 3 mil.
Acusações que serão avaliadas pelos jurados
Adriana responde pelos crimes de homicídio qualificado por dolo eventual, por perigo comum e por recurso que dificultou a defesa da vítima, além de embriaguez ao volante.
O Ministério Público do Estado pediu que os jurados fossem ao local do atropelamento para avaliar a visibilidade da via, mas a visita foi cancelada após a defesa alegar que a bicicleta instalada em homenagem à vítima poderia influenciar os jurados.
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