Câmeras ajudaram a prender 832 criminosos em um ano no ES
Rede de câmeras com inteligência artificial, totens e cerco inteligente funciona 24 horas e já ajudou na prisão de 832 pessoas no Espírito Santo.
O avanço da tecnologia de alta precisão ampliou a capacidade das forças de segurança de localizar foragidos e recuperar veículos roubados no Espírito Santo. De junho do ano passado até o último dia 5, foram 832 prisões com a ajuda de câmeras com reconhecimento facial.
O Núcleo de Intervenções Rápidas (NIR), do Ciodes, monitora, 24 horas por dia, os alertas emitidos pelas câmeras de reconhecimento facial e de leitura de placas espalhadas pelo Estado. A rede funciona em tempo real e integra diferentes instituições de segurança.
Cerco inteligente com câmeras e totens 24 horas
O cerco inteligente conta com 1.476 câmeras voltadas principalmente para a identificação de veículos. Já o reconhecimento facial é realizado por 323 câmeras instaladas em espaços públicos da Grande Vitória e por outras 500 câmeras embarcadas em ônibus do Transcol.
Os totens de segurança também integram a rede de monitoramento do NIR. Atualmente, são 60 equipamentos instalados no Espírito Santo: 40 distribuídos entre Guarapari, Vila Velha, Cariacica, Vitória e Serra, e outros 20 no interior, sendo quatro em cada um dos municípios de Cachoeiro de Itapemirim, Colatina, Aracruz, Linhares e São Mateus.
Cada totem tem seis câmeras: quatro voltadas para os diferentes quadrantes ao redor do equipamento, uma destinada ao atendimento do cidadão e outra do tipo Speed Dome, capaz de girar 360 graus para acompanhar situações em tempo real.
Como funciona o monitoramento do NIR
O Núcleo de Intervenções Rápidas faz o monitoramento em etapas, desde a geração do alerta até a confirmação da identidade do suspeito.
Veja como é o fluxo de atuação do NIR:
- Monitoramento 24 horas: acompanha, em tempo real, os alertas gerados pelas câmeras de reconhecimento facial e leitura de placas.
- Análise dos alertas: antes de qualquer abordagem, a equipe verifica a similaridade da imagem e confirma se o mandado de prisão ou a restrição do veículo continua válido.
- Acionamento das forças de segurança: após a validação, o NIR aciona a equipe policial mais próxima, que pode ser da Polícia Militar, Polícia Civil, PRF ou Guarda Municipal.
- Abordagem e confirmação da identidade: a prisão só ocorre após a checagem presencial. Se a pessoa não for o alvo procurado, é liberada.
- Tecnologia aliada à atuação humana: embora utilize inteligência artificial para gerar alertas, o NIR depende da análise de operadores que filtram informações, orientam as equipes em campo e coordenam as ocorrências.
Inteligência artificial e índice mínimo de similaridade
Segundo o coordenador do NIR, coronel Leandro Menezes, o sistema utiliza inteligência artificial e cruza as imagens com bancos de dados oficiais, analisando características como olhos, nariz, boca, queixo, sobrancelhas e orelhas. O índice mínimo de similaridade adotado pelo NIR é de 90%.
"A máquina vai aprendendo. À medida que acerta ou erra, ela ajusta a leitura e se torna cada vez mais precisa"
O coronel destaca ainda o aumento da cobertura da rede.
"Hoje temos uma rede de cobertura muito maior, que amplia nossa capacidade de identificar veículos com restrição e orientar as equipes em tempo real"
Menezes observa, contudo, que a tecnologia não substitui a atuação humana.
"Toda essa tecnologia está disponível, mas temos uma equipe de seres humanos funcionando 24 horas por dia."
Precisão das câmeras e bases consultadas
As câmeras têm inteligência artificial embarcada ou enviam as imagens para um sistema que faz a análise e o cruzamento de dados automaticamente. O sistema compara as imagens com bases como o Banco Nacional de Mandados de Prisão, CNH, Registro Civil, TRE e registros de pessoas que já passaram pelo sistema prisional.
Mesmo que a pessoa mude a aparência, como retirar uma verruga ou usar acessórios, a tecnologia identifica características como olhos, nariz, orelhas, queixo, boca, sobrancelhas e cabelo para calcular a similaridade.
O NIR trabalha, em regra, com alertas de 90% ou mais de similaridade, o que reduz as chances de abordagens equivocadas. O alerta, porém, não significa confirmação: o reconhecimento facial apenas indica uma possível correspondência, e a identidade é confirmada somente após a abordagem e conferência feita pelos policiais.
Números do cerco inteligente e das capturas
Além das prisões feitas com apoio da tecnologia, o cerco inteligente também contribui para a recuperação de veículos com restrição.
Confira alguns dos principais números:
- Câmeras do cerco inteligente: 1.476.
- Veículos apreendidos pelo cerco inteligente (agosto de 2022 a 5 de agosto de 2026): 2.020.
- Totens de segurança ativos: 60.
- Câmeras de reconhecimento facial em espaços públicos da Grande Vitória: 323.
- Câmeras embarcadas em ônibus do Transcol: 500.
Prisões por instituição e principais crimes
As prisões realizadas com apoio do sistema envolvem diferentes forças de segurança e abrangem diversos tipos de crime.
Veja a distribuição das capturas por instituição:
- PMES: 553.
- SEI/Supic: 186.
- CGM Vitória: 65.
- CGM Vila Velha: 15.
- CGM Cariacica: 12.
- CGM Serra: 01.
Entre as principais prisões registradas pelo sistema, estão:
- Pensão alimentícia: 225.
- Tráfico: 168.
- Roubo: 155.
- Homicídio: 98.
- Furto: 42.
- Estupro: 33.
Os dados são do coronel Leandro Menezes, do Núcleo de Intervenções Rápidas (NIR).
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