Boato espalhado por mulher motivou morte de diarista em Cariacica
Investigações apontam que vítima foi acusada injustamentes de ser "X9" e colaborar com inimigos de suspeitos
Três pessoas foram indiciadas pela morte da diarista Luciana Siqueira Rodrigues, de 42 anos, morta a tiros dentro de casa no bairro Boa Vista, em Cariacica, no dia 25 de agosto de 2025.
Na época, os suspeitos acusaram a vítima de ser "X9" e de colaborar com inimigos deles, segundo as apurações do caso.
A investigação aponta Adrielly Dias Ribeiro, de 27 anos, como responsável por espalhar um boato de que inimigos de Genésio José Endilch, de 34, marido dela, e de Flávio Souza Ribeiro, de 48, estariam procurando pelos dois.
Segundo as apurações, a informação circulou na comunidade local e foi vinculada à ideia de que Luciana Rodrigues seria a responsável pela situação e estaria enviando informações sobre os indiciados.
De acordo com as investigações, Adrielly teria inventado a alegação após pegar uma quantia em dinheiro que pertencia ao marido para suprir suposto vício em apostas digitais. Em suas afirmações, ela chegou a dizer que os inimigos de Genésio Endilch estiveram na casa deles e levaram o dinheiro.
“Ela foi alimentando essa narrativa, espalhando terror por meio de mensagens de whatsapp para várias pessoas daquela localidade de Novo Brasil, inclusive para familiares dela, e foi direcionando para a vítima como se ela fosse aliada a esses supostos inimigos, como se ela fosse uma pessoa que estivesse colaborando com os inimigos para que eles pudessem levar a cabo as ameaças de morte", disse a chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), delegada Raffaella Aguiar.
Suspeitos foram até a casa e atiraram, aponta apuração
Diante da situação, os dois homens foram até a casa da diarista, onde estavam presentes as filhas dela, e a mataram a tiros.
Conforme apurado pela repórter Suzy Faria, da TV Tribuna/Band, a indiciada teria se aproveitado da fama que a vítima tinha de ser "fofoqueira" para vinculá-la à falsa história.
"Ao invés de procurarem a polícia para resolver esse problema, não, eles optaram por usar da violência e foram lá e executaram a suposta X9, para que, assim, os inimigos não tivessem acesso a localização deles. A vítima é uma pessoa totalmente inocente. A vítima ela foi morta em virtude da criação de uma mentira", afirmou a delegada.
A investigada foi presa em 13 de outubro de 2025, assim como Flávio Ribeiro, detido em 18 de novembro do mesmo ano. Já Genésio Endilch segue foragido.
Os três foram indiciados por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima, por prática do crime para assegurar a execução ou a impunidade de outro delito e emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido.
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