Adolescente que planejava reativar jogo 'Baleia Azul' é alvo de operação no ES
Segundo as investigações, menor de idade liderava uma organização criminosa digital acusada de transmitir ao vivo sessões de sadismo
Um adolescente de 16 anos foi apreendido durante uma operação da Polícia Civil no bairro Jardim Limoeiro, na Serra, na manhã dessa quarta-feira (04). De acordo com a corporação, ele é investigado por liderar uma organização criminosa digital suspeita de usar ambientes virtuais para incentivar e transmitir condutas violentas.
A ação, que recebeu o nome de Operação ‘Desconectado’, cumpriu um mandado de busca e apreensão contra o menor de idade. "Durante buscas na residência do investigado, foram apreendidos computadores, aparelhos celulares e dispositivos de armazenamento de dados, que serão submetidos à perícia técnica para aprofundamento das investigações e identificação de outros possíveis envolvidos", explicou a corporação.
Ainda segundo a Polícia Civil, a operação foi deflagrada com urgência após a inteligência da corporação identificar que o adolescente articulava a reativação do jogo "Baleia Azul" — uma sequência de 50 desafios que induzem progressivamente à automutilação e culminam, obrigatoriamente, no suicídio da vítima.
"A apreensão do adolescente foi fundamental para interromper um risco iminente e letal a jovens em todo o território nacional", destacou a polícia.
Entenda
De acordo com as investigações, a organização liderada pelo adolescente apreendido cometia atos infracionais em plataformas digitais como o Discord e o Telegram, com vítimas em diversos estados brasileiros. Entre os delitos apurados, estão maus-tratos e tortura contra animais e o estímulo à automutilação, sobretudo entre crianças e adolescentes.
Segundo o delegado Tarsis Gondim, adjunto da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas, as investigações revelaram um "teatro do horror", onde o grupo utilizava plataformas de comunicação para transmitir ao vivo sessões de sadismo.
“Foi constatado que a organização tratava a crueldade contra animais como forma de entretenimento. Os envolvidos, sob comando do adolescente apreendido, realizavam chamadas de vídeo onde mutilavam e matavam animais domésticos, enquanto espectadores incentivavam os atos” explicou o delegado.
Além disso, a organização também atuava na distribuição massiva de material de abuso sexual infantil e utilizava esses conteúdos, além de ameaças de vazamento de dados, para coagir outras vítimas — em sua maioria crianças e adolescentes — a se submeterem a rituais de degradação física e psicológica transmitidos ao vivo.
O procedimento tramita sob segredo de justiça e, em razão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Polícia Civil não divulga informações que possam levar à identificação do adolescente. "As ações visam à proteção das vítimas e à repressão de crimes praticados no ambiente virtual", concluiu a corporação.
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