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Polícia

780 mil capixabas caíram em golpes digitais no último ano

Pesquisa aponta que a maioria foi vítima de clonagem de cartão, de fraude na internet ou de invasão de contas


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Imagem ilustrativa da imagem 780 mil capixabas caíram em golpes digitais no último ano
780 mil capixabas caíram em golpes digitais no último ano |  Foto: Imagem ilustrativa/Canva

Em evolução constante, usando táticas cada vez mais sofisticadas, os golpes virtuais já fizeram 780 mil pessoas no ES perderem dinheiro em um ano.

A estimativa faz parte de um levantamento do DataSenado, de 2024, que revelou que 26% dos capixabas afirmam ter perdido dinheiro nos últimos 12 meses em função de algum crime cibernético, tal como clonagem de cartão, fraude na internet ou invasão de contas bancárias.

O dado no ES é superior ao da média nacional, em que 24% da população com mais de 16 anos foi vítima de crimes virtuais.

O professor do Doutorado em Segurança Pública da Universidade Vila Velha (UVV) e diretor do Instituto Jones dos Santos Neves, Pablo Lira, explicou que a pandemia contribuiu para a “explosão” de crimes virtuais.

“Nessa época, muitas pessoas passaram a usar mais as tecnologias para compras, pedidos de delivery de comida e interagir nas redes sociais. Os criminosos passam então a desenvolver também novos tipos de crimes e de fraudes”.

Ele ressaltou que, diante das novas tecnologias, os cuidados devem ser ainda maiores. “É preciso desconfiar ao receber mensagens, ligação de pessoas desconhecidas – ou até de conhecidas – pedindo valores, além de desconfiar de vantagens e valores tentadores”.

E completou: “A gente deveria acreditar em todo mundo, até que prove o contrário. Mas – principalmente no ambiente virtual – a gente precisa desconfiar de tudo, até que se prove o contrário”.

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Bruno Guerra de Azevedo diz que nem todas as vítimas registram ocorrências, levando a uma subnotificação |  Foto: Leone Iglesias/AT

O advogado da área de Direito Digital Bruno Guerra de Azevedo observa que nem todas as vítimas registram ocorrências desse tipo de crime, levando a uma subnotificação. “Alguns não comunicam por vergonha, em especial quando se trata de golpes de cunho sexual. Outros, não comunicam por serem valores mais baixos”.

Outro ponto que merece atenção, segundo ele, é a necessidade de se pensar em ensinar o uso adequado da internet, desde a educação básica. “Muita gente não tem noção sobre segurança virtual, como identificar possíveis golpes. Isso torna a internet hoje um terreno propício para fraudes”.

Paralelamente, ele enfatiza a necessidade de reforços nas forças de segurança na área. “Os golpistas se aprimoram a cada dia, investem a tecnologia. E, em contrapartida, as autoridades policiais e o próprio Poder Judiciário, às vezes, não conseguem se modernizar na mesma velocidade”.

Prejuízo

Falso boleto e falso leilão

O contador Anderson Mendonça, de 51 anos, é uma das vítimas de golpes virtuais no ES. Ele contou que não conseguia acessar o boleto de financiamento pelo aplicativo, então solicitou pelo WhatsApp. “Paguei R$ 1.300, mas depois fui informado que o boleto era falso. Tive que pagar novamente, com juros”.

Outro golpe ocorreu em um anúncio de leilão de eletrônicos de uma empresa de logística conhecida.

“Dei um lance de R$ 270. Depois comentaram que era golpe”, revelou.

Girlan Quidute Oliveira, professor: “Fui vítima de crimes três vezes”

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Girlan mostra os perfumes comprados após cair em um dos golpes |  Foto: Acervo pessoal

Quando o assunto são crimes virtuais, o professor Girlan Quidute Oliveira, de 43 anos, aprendeu a lição da forma mais difícil: por três vezes, ele foi vítima de golpes.

Apesar de não ter perdido valores significativos, ele revela a dor de cabeça e preocupação por causa dos crimes.

A Tribuna - Como aconteceu o primeiro golpe?

Girlan Quidute Oliveira - Foi há alguns anos, pelo Facebook. Tinha um jovem que conheci quando dava aulas e depois também encontrava ocasionalmente no serviço. Um dia ele me mandou mensagem pelo Facebook pedindo dinheiro emprestado, pois tinha que fazer tratamento de câncer. Conversei com minha mulher e resolvemos fazer uma doação.

Ainda, para tentar ajudar, postei as informações pedindo ajuda para ele em minha página. Foi quando amigos começaram a entrar em contato comigo dizendo que era golpe e que a pessoa não estava doente. Fiquei indignado por se aproveitar da boa-fé das pessoas.

E na segunda ocasião?

A outra situação foi naquele momento em que a gente está na correria mesmo e acaba não prestando atenção. Eu vi uma promoção de cuecas de marca nas redes sociais e já cliquei. Eram 10 cuecas por R$ 100, então achei um valor muito bom. Fiquei tão feliz, que indiquei a outra pessoa.

Na hora nem me liguei no nome da página que era “Como viver sem”. O nome já falava que eu ia ficar sem meu produto mesmo (risos). Bem, comprei e nunca recebi nada. Só depois que percebi os comentários na página reclamando.

Parou de fazer compras em sites desconhecidos?

Não. Ano passado, novamente, apareceu uma propaganda linda no Instagram para mim de perfumes importados com valores promocionais. A página tinha imagens, vídeos lindos, bem produzidos e as marcas famosas de perfumes. Dessa vez, ainda olhei se o site era certinho, se tinha informações de contato. Resolvi comprar.

Não chegou novamente?

Dessa vez, chegou, mas não foi o que eu tinha comprado. Chegaram vidrinhos transparentes, iguais, mas não eram os perfumes importados mostrados nas propagandas. Era aguado, com muito álcool, pequeno. Não tinha como usar.

Aí foi a dificuldade para conseguir devolver, falar com a empresa. Deu trabalho, porque eu cancelei a compra no cartão e eles emitiram um boleto em meu nome. Eu comecei a receber cobranças. Todas as vezes eu precisava explicar.

Eles pararam a cobrança?

Até o momento, sim. Eu fico com medo, pois eles têm todos os meus dados. Tudo preenchido.

Mas agora, depois de tudo, deixou de comprar on-line?

Não parei, mas agora só faço compras em páginas conhecidas, sempre me certificando de que são os sites certos. De tudo, ficou o aprendizado. Hoje sou mais desconfiado com as coisas.

Saiba mais

Mais de 21 mil foram ouvidos

Pesquisa

O estudo “Panorama Político 2024: apostas esportivas, golpes digitais e endividamento”, realizado pelo Instituto DataSenado, ouviu 21.808 pessoas com 16 anos ou mais no ano passado.

No ES

26% dos capixabas afirmam ter perdido dinheiro nos últimos 12 meses em função de algum crime cibernético, tal como clonagem de cartão, fraude na internet ou invasão de contas bancárias.

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