Victor Marques: novo prefeito quer entregar a Orla de Boa Viagem até o Réveillon
Em entrevista à TV Tribuna, o engenheiro Victor Marques detalha o cronograma da Orla e plano para conter alagamentos
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Victor Marques (PCdoB) assumiu formalmente a Prefeitura do Recife no último dia 6 de abril. Engenheiro por formação e braço direito da gestão de João Campos desde o início, ele agora ocupa a cadeira principal com um mandato de dois anos e oito meses pela frente. Em conversa detalhada com a TV Tribuna, Marques não fugiu dos temas que mais cobram paciência do recifense: o saneamento da Orla de Boa Viagem e o drama histórico dos alagamentos. Com um estilo técnico e frases diretas, o novo prefeito defende que a escuta no território é o que garante o acerto na gestão. Para ele, o Recife não permite apenas uma prioridade, mas uma gestão em várias áreas onde a técnica de engenharia dita o prazo e a qualidade das entregas. "Quem sabe os problemas é quem está no território. Tem que estar na rua o tempo inteiro", afirma.
A entrevista foi concedida ao apresentador do JT1, Artur Tigre. Veja os principais trechos
Prefeito, o senhor tem um mandado curto de dois anos e oito meses. Quais são as suas prioridades a partir de agora?
Recife é uma cidade com muitos desafios. Não dá para elencar apenas uma prioridade. Agora a gente sabe que educação, saúde, infraestrutura, problemas de drenagem que a nossa cidade tem, são ações prioritárias que toda gestão da cidade tem que priorizar. E a gente tem feito muita coisa. O recifense viu a quantidade de ações que foram feitas nos últimos anos e o nosso compromisso é manter esse ritmo intenso, estar próximo das pessoas, podendo andar a cidade, podendo ouvir as pessoas. Uma das coisas que eu mais aprendi na minha vida e na gestão pública é que quando a gente escuta as pessoas, a gente acerta mais. Quem sabe realmente os problemas que acontecem é quem está no território. Tem que estar na rua para isso. Tem que estar na rua o tempo inteiro.
Um dos maiores problemas do Recife aqui, o senhor já meio que falou por alto, são os alagamentos. Como enfrentar esse problema, principalmente ali na área da Avenida Recife, da Mascarenhas de Moraes?
Não é simples explicar qual é a situação daquela região. A nossa cidade é dividida em três bacias hidrográficas, tentando resumir rapidamente. Uma delas é a bacia do Tejipió, 40% do território que vai ali desde a Abdias de Carvalho. Também alaga muito na Mascarenhas de Moraes, na Avenida Recife... todo aquele trecho está em uma bacia só que é do Tejipió.
A Prefeitura conseguiu conquistar recursos desde de 2022 e principalmente está fazendo a modelagem hidrodinâmica. O que é isso? Quando chove hoje, a gente sabe, chuva mais maré, naquele ponto vai ter muita água. Aí com essa informação a gente conseguiu fazer uma modelagem para entender qual é a obra que realmente vai resolver aquele problema. Se fosse uma coisa fácil, em algum momento já teria sido resolvido. E não é uma obra só, são várias obras que, em integração, feito teias de aranha, quando elas estiverem prontas, esse problema vai ser mitigado, tanto nas avenidas quanto para quem mora ali.
Vale ressaltar algumas delas: quem passa ali na região da Universo, Ferreira Costa, sabe que aquela região fica super cheia. Só naquele entorno, são 7 reservatórios que a gente vai fazer de 3 milhões de litros de água, mais um de 6.1 com sistema de bombeamento, que vai jogar para o Canal da Malária.
O Canal da Malária, que hoje é ruim, vai ser todo refeito. Lá na frente, em Dois Unidos, vai ter uma comporta com bombeamento. A Dom Helder vai ter reservatório, ao longo do Rio Tejipió vários parques alagáveis, vai ter dique de contenção, mureta.
São várias obras que, em conjunto, quando todas estiverem prontas — umas ficam prontas esse ano, outras no ano que vem, e assim vai, um, dois, três anos — aí sim você vai ter impacto direto. São obras sonhadas há muitos anos, que deu um trabalho para você conseguir fazer o projeto e, principalmente, quando estiverem prontas, a gente vai ter um novo cenário. As chuvas que acontecem hoje, que alagam, não alagarão mais.
Em relação à obra ainda, Prefeito, uma que já vem se arrastando desde 2023 é a da Orla de Boa Viagem. O que é que falta para concluir?
A orla tem mais de 100 anos de idade e, até hoje, por incrível que pareça, a orla não tinha saneamento básico. Você, às vezes, passava ali na frente de um banheiro e tinha um caminhão para esgotar uma fossa, porque essa orla não tinha esse saneamento. Como é que você faz saneamento? Cavando. Tem lugares que têm escavação de mais de 3 metros de profundidade. Isso dá um trabalho grande para ser feito. E é uma orla que é linear, mas são quase 10 quilômetros. Então, de fato, é uma grande intervenção.
A gente sabe que gera transtorno, mas o que a gente está fazendo não é mudando o piso da orla. A gente está elevando ela de patamar. Então, a gente está fazendo toda a infraestrutura, fiação enterrada, rede lógica, que é a conexão da internet, nos quiosques, enterrada.
A gente vai fazer as novas centralidades. É, de fato, uma mudança de patamar. A gente quer entregar o quanto antes, mas o desafio é grande e foi preciso ter muita coragem para tomar a iniciativa de executar uma obra como essa. Assim que estiver pronto, nós teremos uma orla em outro patamar. No trecho entregue, a gente já vê que é um sucesso.
O problema também que a gente vê, Prefeito, é que essa obra estava estipulada para ser terminada em dois anos, só que esse tempo aí já passou.
A gente inicialmente teve desafio para começar a obra. Então, esse prazo é um prazo estimado de obra. A gente prevê que vai acontecer. Às vezes, quando você está em casa e quer reformar o banheiro, vai dar um grau na cozinha e você começa uma obra, você às vezes vê que tem um problema na parede, um problema elétrico e essa obra pode se estender. O mais importante é que a gente gasta muita energia para que ela avance o mais rápido possível. E lembrando, os trechos que vão ficando prontos já estão à disposição da cidade. O trecho que vai ali de Brasília Teimosa praticamente até o segundo jardim está pronto, alguns inclusive com o mobiliário já, outros em execução; o trecho na divisa com Jaboatão também está pronto.
A gente sabe que é um desafio, a gente pede paciência. Se fosse fácil, mais uma vez, alguém já tinha feito essa obra — são 100 anos sem ter feito. Agora vai ficar feito, vai ficar muito bem feito e a gente está no pé e eu monitoro essa obra pessoalmente. Toda semana eu estou lá cobrando secretarias para que a gente minimize o impacto.
Tem previsão agora?
A nossa expectativa é que até o final do ano ela esteja pronta. 2026. Lembrando: período de muita chuva, como a gente faz escavação, pode impactar diretamente nesse prazo. Mas a nossa expectativa é que até o final do ano a gente já tenha o Réveillon de Boa Viagem, que é um sucesso, com a orla toda entregue. Com a iluminação show de bola que vocês estão vendo e o novo clima na nossa orla, que era tão esperado.
Prefeito, uma outra questão também são os patinetes. Eles começaram a circular e agora já estão trazendo alguns problemas, como acidente de trânsito. Recentemente um bateu numa bicicleta no meio da rua e a gente tem também pessoas usando de má forma — duas, três pessoas no mesmo patinete. Como é que o senhor consegue administrar aquilo ali, já que são duas empresas com mais de 600 patinetes na cidade?
A gente fez uma concessão pública para que as empresas possam tocar. A gente já vê isso nas bicicletas, que funcionam muito bem na cidade, você vê menos problemas. Como é uma novidade, a gente tem acompanhado de perto o que é que está acontecendo e tomando as medidas necessárias.
É possível, por exemplo, em alguns trechos, você limitar a velocidade por sistema para evitar que você tenha acidentes. Lembrando, o objetivo central é dar mais opções de mobilidade, de turismo e lazer para a cidade. Então a gente também pede a quem utiliza que tenha responsabilidade. Essa é uma iniciativa nova que tem várias cidades do Brasil e do mundo que a gente sabe que dá para fazer. O mais importante é que todo mundo tenha compreensão e use de forma adequada. Se você fizer a sua parte, com certeza a cidade ganha com isso.
Mas a Prefeitura está ali em cima, fiscalizando?
Sim, a gente tem acompanhado de perto os problemas que têm acontecido. A gente tem canal permanente com as empresas e ao longo dos próximos dias a gente vai fazer as mudanças para garantir que a gente tenha a redução disso. Mais uma vez, se todo mundo fizer a sua parte, a gente tem segurança que esse problema não vai se agravar.
Mas em termos de obras, o que é que o senhor pretende entregar até o final do mandato de 2028?
Tem muita coisa engatilhada, eu queria que o cidadão recifense tivesse a segurança que a gente vai continuar o ritmo muito intenso. São diversas iniciativas. Hoje, por exemplo, mais cedo, eu entreguei a número 78, Unidade de Saúde da Família Mais. Só lá a gente dobra o número de atendimentos, amplia a área de cobertura. Além disso, muita pavimentação de rua, que a gente sabe que é muito importante. Mais de R$ 200 milhões de reais em proteção de encostas — o dia a dia da encosta é muito importante.
As obras de drenagem... daqui a pouquinho a gente vai inaugurar a duplicação da ladeira da Cohab, uma coisa sonhada há muitos anos. Só lá passam 56 mil pessoas de ônibus por dia. É maior do que grande parte das cidades de Pernambuco, e a gente está duplicando. Daqui a pouco fica pronto. A gente está acelerando também a obra da Ponte do Monteiro-Casa Forte. Enfim, são várias e várias obras que vão sendo entregues ao longo do mandato.
O senhor falou recentemente que Recife não tem apenas uma prioridade e que o "problema não gosta de chamego, gosta de solução". Quais seriam esses principais problemas e as soluções?
Eu gosto de falar muito isso, que para gerir uma cidade você tem que ter a tranquilidade e a capacidade de fazer gestão em diversas áreas. Eu às vezes acompanho um desafio da educação, um da saúde, um de infraestrutura. São vários desafios.
Tem como o senhor dizer qual é a prioridade?
Tem. A gente sabe que educação e saúde são sempre prioridades. Na educação, a gente triplicou o número de vagas de creche. Enquanto houver crianças precisando de vaga de creche, a gente não vai parar de entregar obras. Quando a gente tinha pessoas sem atendimento, a gente ampliou a cobertura da atenção básica. Enquanto houver área descoberta, a gente não vai parar de investir recursos.
Além disso, infraestrutura: a cidade do Recife tem 488 anos, muitos desafios de drenagem. Problema não gosta de chamegos, problema gosta de solução. Para resolver isso, precisa de gestão, capacidade política, equipe preparada, muita técnica. Eu sou engenheiro, o João era engenheiro, a gente coloca sempre a técnica em primeiro lugar para que o problema de hoje tenha uma solução endereçada, responsável, com prazo e principalmente em qualidade nas entregas. É isso que as pessoas esperam da gente.
Muito bem, então, Prefeito, obrigado pela entrevista, portas abertas aqui para a gente ter outras também.
Obrigado, Arthur. Quero agradecer a todo mundo, deixar um abraço apertado, dizer que vocês vão me ver muito na rua. Meu compromisso é estar na rua todo dia, acompanhando as demandas da nossa cidade e endereçando naquelas soluções que as pessoas esperam. Obrigado.
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