Morre aos 67 anos o deputado Waldemar Borges, do PSB
Parlamentar teve trajetória de quase quatro décadas e foi líder do governo na Alepe; velório será neste domingo (5), no Recife.
O deputado estadual Waldemar Borges morreu na tarde deste sábado (4), aos 67 anos, em decorrência de câncer. Ele era uma figura histórica do Partido Socialista Brasileiro (PSB) em Pernambuco e marido da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
Com quase quatro décadas de vida pública, Borges consolidou sua trajetória na articulação política e na ocupação de espaços estratégicos nas gestões da Frente Popular. Considerado um dos principais nomes do PSB no estado, teve papel de destaque na relação entre o Executivo e o Legislativo.
Atuação na Alepe e trajetória política
Durante os governos de Eduardo Campos, João Lyra Neto e Paulo Câmara, ele assumiu a liderança do governo na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Antes de ingressar no parlamento estadual, construiu sua base como vereador do Recife por quatro mandatos consecutivos, chegando a presidir a Câmara Municipal no biênio de 2003 e 2004.
Economista de formação, Borges iniciou a militância política na juventude, quando se engajou na reorganização dos movimentos estudantil e comunitário no Brasil. Sua estreia em cargos eletivos ocorreu em 1988, com a eleição para vereador do Recife, e, em 2010, chegou à Alepe, reelegendo-se sucessivamente até a atual legislatura.
Passagens pelo Executivo e programas no estado
Além da atuação parlamentar, Waldemar Borges acumulou experiência no Poder Executivo ao longo dos governos de Miguel Arraes e Eduardo Campos. Na trajetória administrativa, comandou as secretarias de Projetos Especiais, de Desenvolvimento Econômico e de Articulação Social.
À frente da Articulação Social, foi responsável por coordenar ações de grande impacto no estado, especialmente as ligadas ao programa Pacto pela Vida e ao Conselho Estadual de Desenvolvimento Social. Ao longo da carreira, consolidou-se como um dos mais habilidosos articuladores políticos do PSB em Pernambuco, com atuação decisiva na construção de governos estaduais.
Velório e sepultamento neste domingo (5)
As últimas homenagens ao parlamentar serão prestadas neste domingo (5). O velório ocorrerá das 8h às 13h, no Hall Monumental da Alepe, na área central do Recife.
Em seguida, o corpo será trasladado para o Cemitério Morada da Paz, onde será realizado o sepultamento.
Luto e homenagens no meio político
A morte de Waldemar Borges gerou repercussão e homenagens no meio político pernambucano e nacional. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), decretou luto oficial de três dias no estado e relembrou o período em que ambos atuaram juntos na Alepe, citando respeito mútuo e amor a Pernambuco.
No Legislativo, o presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), estabeleceu luto oficial de cinco dias na Casa. Ele exaltou o histórico de Borges em mandatos consecutivos, na liderança de governos e à frente de comissões como Constituição, Legislação e Justiça, Educação e Administração Pública.
As manifestações de pesar também vieram de lideranças de diferentes espectros políticos. O prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), classificou a partida como uma grande perda para as causas populares; o presidente nacional do PSB, e ex-prefeito do Recife, João Campos, destacou a lealdade de Borges e a amizade com Eduardo Campos; o senador Humberto Costa (PT) citou os cerca de 40 anos de vida pública; e o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) mencionou a defesa do desenvolvimento do estado.
Licença do mandato e nota da família
O falecimento ocorreu cerca de três semanas após Waldemar Borges se licenciar do mandato na Alepe por 180 dias, por orientação médica, período em que a cadeira passou a ser ocupada por um suplente. Naquela ocasião, ele anunciou que não disputaria a reeleição em 2026.
Em nota oficial assinada por Luciana Santos e pelos filhos Walzinho, Mariana e Luana, a família lamentou a perda e afirmou que o parlamentar lutou bravamente contra a doença. O comunicado descreveu uma lacuna irreparável na vida pública e familiar e destacou a memória de um marido e pai amoroso, cujo legado permanecerá como referência.
Outro comunicado da família confirmou que o deputado, nascido em 10 de julho de 1958, lutava contra um câncer e exaltou os 32 anos de mandatos exercidos, descrevendo-o como representante de uma política transformadora e voltada para a coletividade. A nota também ressaltou a saudade e a generosidade do marido e pai, apontadas como legado para as próximas gerações.
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