Deputados pedem impeachment da vice-governadora Priscila Krause
Parlamentares do PSB acionaram a Alepe após auditoria do SUS apontar irregularidades em hospital ligado ao marido da vice-governadora.
Atualizada às 18h20
A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) recebeu, na tarde desta quarta-feira (19), um pedido de impeachment contra a vice-governadora do Estado, Priscila Krause (PSD). O documento, elaborado pelos deputados Sileno Guedes, Rodrigo Farias e Romero Albuquerque, todos do Partido Socialista Brasileiro (PSB), foi encaminhado à presidência da Casa e aponta suposto crime de responsabilidade.
O caso está ligado à denúncia feita por auditoria do Sistema Único de Saúde (SUS), que identificou falhas no repasse de recursos e na prestação de contas do hospital Perpétuo Socorro, localizado em Garanhuns, no Agreste do Estado. A unidade tem como sócio Jorge Branco, marido de Priscila Krause. A administração do hospital contestou as falhas apontadas na auditoria.
Auditoria do SUS e suspeitas sobre hospital em Garanhuns
Segundo a nota divulgada pelos deputados, a decisão de protocolar o pedido de impeachment se deu pela “importância de fiscalizar e acompanhar os recursos públicos geridos pelo Governo de Pernambuco”. Eles relacionam a iniciativa à auditoria federal que apontou irregularidades na Casa de Saúde e Maternidade Nsa. do Perpétuo Socorro LTDA.
De acordo com o texto, o relatório mencionou graves prejuízos aos cofres públicos, principalmente pelo apontamento de fraudes em tratamentos de câncer e de hemodiálise. Ainda na nota, os parlamentares afirmam que a auditoria “se tornou um escândalo nacional, revelado pelos veículos de imprensa”.
Os autores do pedido alegam também que a unidade de saúde já teria recebido R$ 75 milhões do Governo de Pernambuco, o que, na avaliação deles, reforçaria a necessidade de investigação por parte do Legislativo estadual.
Atos atribuídos à vice-governadora no pedido de impeachment
No texto encaminhado à Alepe, os deputados afirmam que a medida ocorre após uma série de denúncias feitas pela bancada de oposição, especialmente no período em que a vice-governadora ocupou interinamente a chefia da administração estadual.
"A medida ocorre depois de uma série de denúncias já feitas pela bancada da oposição quando a vice-governadora ocupou interinamente a chefia da administração estadual, assinando R$ 200 milhões de orçamento que também chegava ao hospital que tem, como principal sócio e administrador, seu marido, Jorge Branco - com quem é casada em comunhão de bens. Na última semana, auditoria federal apontou irregularidades na Casa de Saúde e Maternidade Nsa. do Perpétuo Socorro LTDA com graves prejuízos aos cofres públicos, principalmente pelo apontamento de fraudes em tratamentos de câncer e de hemodiálise. A auditória se tornou um escândalo nacional, revelado pelos veículos de imprensa"
Os parlamentares afirmam ainda que, conforme informações disponíveis no próprio Diário Oficial, Priscila Krause nomeou os responsáveis das áreas jurídica, de licitação e financeira da Secretaria de Saúde que cuidavam de toda a cadeia de pagamento para o hospital administrado por seu marido.
"De acordo com informações disponíveis no próprio Diário Oficial, Priscila Krause ainda nomeou os responsáveis das áreas jurídica, de licitação e financeira da Secretaria de Saúde que cuidavam de toda a cadeia de pagamento para o hospital gerido pelo seu marido. Esse conjunto de irregularidades, que fez o Ministério da Saúde exigir que o marido da vice governadora faça a devolução de recursos para o SUS, nos levaram a exigir que a Assembleia Legislativa se mobilize formalmente para apreciar o caso"
Ao final da manifestação, os deputados Sileno Guedes, Rodrigo Farias e Romero Albuquerque reiteram o pedido de que a Alepe se mobilize formalmente para analisar o processo de impeachment da vice-governadora.
O que diz o governo
Em nota enviada ao portal Tribuna Online, o Governo de Pernambuco afirma que as acusações não correspondem a realidade, que o pedido protocolado pelos três deputados de oposição na Assembleia Legislativa tem caráter político-eleitoral e que a vice-governadora Priscila Krause não integra o quadro societário da Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que presta serviços ao Estado há mais de 50 anos. Veja a nota na íntegra:
O Governo de Pernambuco afirma que as acusações não correspondem aos fatos e que o pedido protocolado por três deputados de oposição na Assembleia Legislativa tem caráter político-eleitoral. O Governo ainda esclarece que a vice-governadora Priscila Krause não integra o quadro societário da Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que presta serviços complementares ao estado há 55 anos, ao longo de 16 governadores.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) recebeu o relatório final do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS) relacionado Casa de Saúde, em Garanhuns, e segue com os encaminhamentos dentro da norma jurídica da mesma forma que realiza para qualquer outro prestador da secretaria.
O relatório apontou inconsistências documentais correspondentes a 1,4% do montante analisado. Sendo certo que, das cerca de 150 mil sessões de hemodiálise analisadas uma a uma, o parecer contesta a documentação de apenas 90, o equivalente a 0,06% do total.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) já analisou o caso, ainda em 2024, afastando a hipótese das irregularidades alegadas: “os fatos não indicam a concretização das referidas hipóteses de vedação à contratação”.
Segundo o mesmo parecer, as contratações questionadas pela Alepe “não se tratam de novidades, já tendo sido realizadas, por mais de uma vez, entre o Estado e a Casa de Saúde, inclusive durante o mandato de outra gestão, nos quais foram envolvidas cifras similares às contestadas”.
O Governo de Pernambuco reafirma seu compromisso com a transparência e seguirá prestando todos os esclarecimentos necessários.
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