Policial militar investigado por feminicídio é expulso da corporação em Pernambuco
Decisão administrativa aponta que ex-sargento efetuou disparo contra a vítima, omitiu socorro e alterou a cena do crime
O policial militar Leonardo Vieira Gomes foi expulso da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) após a conclusão de um Processo Administrativo Disciplinar Militar que apurou sua participação na morte da comerciante e estudante de gastronomia Amanda Carolina Pacheco Pereira, de 34 anos. O casal tinha um relacionamento de alguns meses quando o crime aconteceu.
A decisão pela expulsão do PM da corporação foi publicada no Diário Oficial do Estado desta terça-feira (9) e assinada pelo secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho. Segundo a portaria, a Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) concluiu que há provas suficientes de que o então terceiro-sargento efetuou o disparo de arma de fogo que resultou no óbito da vítima, em abril de 2025, no bairro de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife.
DADOS DO INQUÉRITO
O documento oficial destaca que, além de causar a morte de Amanda, a investigação administrativa apontou que o militar deixou o local sem prestar socorro e alterou a cena do crime para tentar simular um suicídio. De acordo com a decisão, Leonardo posicionou a própria pistola na mão da vítima com o objetivo de induzir peritos policiais ao erro. Para a SDS, a conduta configura fraude processual. Amanda deixou dois filhos, um adolescente de 14 anos e um bebê de 1 ano e 6 meses.
A decisão administrativa também ressalta que o processo respeitou a ampla defesa. Com base nos relatórios da Corregedoria e pareceres técnicos produzidos durante a apuração, a Secretaria concluiu que Leonardo Vieira Gomes não possui condições de permanecer nos quadros da corporação, aplicando a penalidade de exclusão, considerada a mais grave prevista para militares. A portaria aponta que a conduta do policial afetou o decoro da classe, além de violar dispositivos do Estatuto dos Militares de Pernambuco e do Regulamento de Ética Profissional da categoria.
COMO FOI O CRIME
Amanda Carolina Pacheco Pereira foi morta na madrugada de 12 de abril de 2025, quando ela e Leonardo Vieira Gomes estavam no apartamento da madrinha da vítima, em Piedade. Segundo relatos colhidos durante as investigações, os dois consumiam bebidas alcoólicas e conversavam normalmente antes do disparo. A madrinha de Amanda informou ter acordado após ouvir um tiro e, ao chegar ao cômodo, encontrou a afilhada caída e ferida por arma de fogo, momento em que Leonardo já havia deixado o local. Pouco tempo depois, o policial se apresentou na Delegacia de Prazeres, onde foi preso em flagrante, mas acabou colocado em liberdade após audiência de custódia realizada no mesmo dia.
Na decisão judicial que concedeu a liberdade provisória, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) considerou que não havia elementos concretos que indicassem risco à instrução processual ou possibilidade de fuga, destacando que o acusado possuía residência fixa e era policial militar da ativa. O Ministério Público também se manifestou pela liberdade provisória ao apontar que o investigado não possuía antecedentes criminais e que ainda existiam dúvidas sobre a dinâmica da morte.
Com o fim das investigações e o oferecimento da denúncia, foi apresentado um novo pedido de prisão. Leonardo Vieira Gomes responde criminalmente pelos por feminicídio e fraude processual. A data de julgamento do ex-sargento da PM ainda não foi definida pela Justiça.
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