Polícia Civil investiga fraude de R$ 90 mil em hortifrúti
Ação apura associação criminosa que usava acesso interno a sistema para fraudar compras; um dos envolvidos foi preso em flagrante
A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) deflagrou, na manhã desta quarta-feia (19),a Operação de Repressão Qualificada Caixa Vazio, que tem como objetivo desarticular uma associação criminosa suspeita de praticar estelionatos contra uma empresa do segmento de hortifrúti.
O prejuízo é estimado em aproximadamente R$ 90 mil.
Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão contra os investigados, nas cidades do Recife, Jaboatão dos Guararapes e Vitória de Santo Antão.
Um dos suspeitos foi preso em flagrante por posse ilegal de munições de uso restrito.
A polícia busca reunir novos elementos para detalhar a participação de cada integrante do grupo e verificar a eventual existência de outras fraudes praticadas com o mesmo método contra a empresa e, possivelmente, contra outros estabelecimentos.
Como funcionava o esquema de fraude
Segundo a investigação, iniciada em outubro de 2022, o grupo utilizava uma estratégia que dependia do acesso de um dos envolvidos ao sistema interno da empresa. Inicialmente, as compras eram feitas de forma regular e pagas com cartões de crédito válidos. Após a confirmação da transação, os investigados retiravam as mercadorias das lojas.
O golpe ocorria em seguida. Um integrante que possuía acesso ao sistema da empresa alterava ou cancelava as transações depois que os produtos já tinham sido retirados dos estabelecimentos. Na maior parte dos casos, os valores eram reduzidos de maneira significativa, chegando próximo de zero, mas sem o cancelamento completo da compra, numa tentativa de evitar que a fraude fosse percebida de imediato.
De acordo com a delegada Lígia Cardoso, adjunta da Delegacia de Polícia de Repressão ao Estelionato (DPRE/DEPATRI), a participação de alguém com acesso ao sistema foi fundamental para o funcionamento do esquema.
"As compras eram realizadas, aparentemente, de forma regular, pagas com cartão de crédito, e depois da retirada das mercadorias, uma pessoa que tinha acesso ao sistema fazia a alteração dos valores. A estratégia era reduzir bastante o valor da compra, muitas vezes quase zerando, mas sem cancelar completamente, para não chamar tanta atenção", explica.
Descoberta da fraude e produtos envolvidos
A fraude foi descoberta após a substituição de um funcionário da empresa. O novo responsável identificou inconsistências no sistema interno e solicitou uma auditoria, que apontou diversas alterações realizadas ao longo de aproximadamente um ano.
Entre os produtos adquiridos, estavam principalmente bebidas, embora a empresa também comercializasse outros itens. Os investigados utilizavam veículos para transportar as mercadorias retiradas dos estabelecimentos.
Divisão de funções dentro do grupo
A investigação aponta que os cinco alvos tinham funções distintas dentro da dinâmica criminosa.
A PCPE também analisou imagens de câmeras de segurança que registraram etapas da ação, com investigados realizando compras, retirando os produtos dos estabelecimentos e a movimentação relacionada à alteração das transações no sistema.
Segundo a delegada Cardoso, alguns investigados reconheceram que estiveram nos estabelecimentos e realizaram as compras, mas negam a prática criminosa e afirmam não conhecer outros integrantes. A investigação, entretanto, reúne elementos que apontam para a existência de vínculo entre eles.
"Cada pessoa tinha uma função. Existia o braço dentro da empresa, responsável por realizar os cancelamentos ou alterações; havia quem fornecesse o veículo para a retirada das mercadorias; e também aqueles que realizavam as compras e faziam o transporte", afirmou.
Próximos passos
Um dos investigados que possuía acesso ao sistema chegou a registrar boletins de ocorrência relacionados ao suposto extravio de equipamentos eletrônicos e de um token utilizado para acesso. Esse registro poderia ser usado posteriormente como justificativa para tentar afastar sua responsabilidade sobre eventuais alterações feitas no sistema.
Com o cumprimento dos mandados, a PCPE vai analisar o material apreendido para buscar novas provas, identificar eventual participação de outras pessoas e verificar se o grupo pode ter utilizado o mesmo método contra outros estabelecimentos.
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