Polícia Civil desarticula esquema de agiotagem na Região Metropolitana do Recife
Grupo criminoso oferecia empréstimos fáceis com juros abusivos e aterrorizava comerciantes com mensagens violentas e visitas intimidadoras
A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) desarticulou uma rede criminosa especializada em agiotagem, ameaças e cobranças extorsivas contra comerciantes no município do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife. A operação, conduzida pela 10ª Delegacia Seccional, resultou na prisão em flagrante de 14 pessoas, entre cidadãos colombianos e venezuelanos, além da apreensão de motocicletas, celulares e materiais de divulgação.
Iniciada em maio após denúncias anônimas e presenciais, a investigação revelou que o grupo oferecia empréstimos com pagamentos diários e juros abusivos. Mesmo quando as vítimas quitavam as parcelas, os cobradores alegavam falta de comprovação para exigir novos valores.
Violência, intimidação e monitoramento das vítimas
A pressão psicológica exercida pelos suspeitos incluía visitas diárias aos estabelecimentos comerciais utilizando motocicletas, capacetes e balaclavas. Quando os valores não eram repassados, os criminosos chegavam a consumir ou retirar produtos das lojas.
As ameaças também ocorriam por aplicativos de mensagens e ligações. Para o delegado Altemar Mamede, gestor da Delegacia Seccional do Cabo de Santo Agostinho (10ª DESEC), a atuação dos suspeitos apresentava elevado grau de violência e coação:
“Eles se utilizavam de artifícios muito violentos do ponto de vista da coação e da ameaça, mandando mensagens com fantasias de palhaços, armas de fogo e outros textos ameaçadores. Mesmo enquanto o flagrante estava sendo lavrado, outras pessoas envolvidas continuavam mandando mensagens para as vítimas, ameaçando e coagindo, inclusive porque elas tinham procurado a polícia para denunciar os fatos”, afirmou.
Estrutura organizada com financiadores e cobradores
De acordo com as investigações, o esquema contava com uma divisão de funções bem estruturada. Sobre essa dinâmica, o delegado detalhou como o grupo operava:
“Foi identificada uma estrutura muito bem elaborada. Existe o financiador, que seria o responsável por repassar o dinheiro aos supervisores. Esses supervisores coordenam os panfleteiros e captadores e, posteriormente, os cobradores, que passam a agir de forma ameaçadora quando as vítimas não conseguem pagar os valores exigidos.”
O delegado Augusto de Castro e sua equipe lideraram as diligências que permitiram destituir grande parte do grupo. Sobre os desdobramentos, Altemar Mamede pontuou:
“A investigação presidida pelo delegado Augusto de Castro, com sua equipe, conseguiu desbaratar uma grande parte desse grupo criminoso que estamos investigando. A partir dessas informações, estamos avançando para verificar se, de fato, está configurada uma organização criminosa.”
As investigações continuam para identificar outros envolvidos na organização criminosa e responsabilizar cada um de acordo com o crime praticado.
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