Oito suspeitos de grupo criminoso ligado a 17 homicídios são presos na RMR
Além das prisões, ação policial resultou no bloqueio de R$ 800 mil vinculados aos criminosos
A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) deflagrou a Operação de Repressão Qualificada Revocation nesta quarta-feira (12). A ação é resultado de uma investigação iniciada em 2023 para desarticular uma organização criminosa ligada a 17 homicídios, com atuação em tráfico de drogas, extorsões, porte ilegal de armas e lavagem de dinheiro.
Ao todo, as equipes cumpriram oito mandados de prisão e tentam localizar um investigado que permanece foragido. A investigação é conduzida pela 4ª Delegacia de Polícia de Homicídios (4ª DPH/DHPP) e começou a partir de um homicídio ocorrido no bairro do Totó, na Zona Oeste do Recife, há três anos atrás.
Segundo a polícia, a apuração desse assassinato permitiu identificar uma estrutura criminosa mais ampla, com ramificações em diferentes áreas da Região Metropolitana.
Rivalidade entre grupos e série de homicídios
De acordo com as investigações, o homicídio que deu origem à apuração ocorreu durante uma disputa entre grupos criminosos que atuavam na região. A vítima teria ido ao Totó com a intenção de matar um integrante de um grupo rival, mas acabou sendo assassinada.
Essa vítima já era conhecida das forças de segurança e, conforme a investigação, integrava o grupo criminoso que atuava principalmente no Curado I, em Jaboatão dos Guararapes, e mantinha uma disputa territorial com traficantes do Totó.
A partir da análise de diferentes elementos, a Polícia Civil conseguiu relacionar 17 homicídios à rivalidade entre os grupos criminosos investigados.
Liderança mantinha influência mesmo presa
As investigações também apontaram que a organização era comandada por uma liderança que, mesmo após ter sido presa, continuou exercendo influência sobre os integrantes que permaneciam em liberdade.
“Ele continuou tendo influência mesmo recolhido no sistema prisional, mandando ordens para os comparsas que estavam na rua para efetuarem homicídios e continuarem com o tráfico na comunidade”, detalhou a delegada Mariana Martins.
Em 2025, porém, o líder da organização e a companheira dele foram sequestrados em João Pessoa e posteriormente mortos em Igarassu, em Pernambuco, em um caso investigado pela Divisão de Homicídios Metropolitana Norte (DHMN/PCPE).
A investigação aponta que a ida do grupo à Paraíba tinha como finalidade a tentativa de ocultação de seus integrantes. A atuação identificada pela Polícia Civil estava concentrada principalmente nos bairros do Curado I e Totó, além do fornecimento de drogas para outras localidades.
Extorsões internas e ocultação de patrimônio
Além dos homicídios e do tráfico de drogas, a organização também é investigada por práticas de extorsão contra os próprios integrantes do grupo. Conforme a apuração, integrantes que ficavam devendo drogas à organização eram pressionados a entregar bens para quitar os débitos.
Em alguns casos, familiares dos devedores também eram alvo das cobranças. A investigação identificou ainda que integrantes do grupo eram utilizados para ocultar o patrimônio obtido com as atividades criminosas.
Bens e valores não eram registrados diretamente em nome das lideranças, numa tentativa de dificultar a identificação da origem do patrimônio e a responsabilização dos envolvidos.
Bloqueio de mais de R$ 800 mil e andamento do caso
Durante a operação deflagrada nesta quarta-feira (12), a Polícia Civil conseguiu o bloqueio de R$ 800 mil vinculados aos investigados. Não houve apreensão de armas ou drogas durante o cumprimento das medidas judiciais realizadas hoje.
No entanto, a investigação reuniu registros e outros elementos que demonstram a existência de um arsenal de armas e a movimentação de grande quantidade de drogas pelo grupo ao longo do período investigado.
Os oito presos foram encaminhados ao Cotel e permanecem à disposição da Justiça. As equipes policiais continuam nas ruas para localizar o nono investigado que possui mandado de prisão em aberto.
A delegada Mariana Martins explica que os envolvidos poderão responder por diferentes crimes. “Temos extorsão, tráfico de drogas, porte ilegal de arma, homicídios e também lavagem de dinheiro. Cada um terá sua pena individualizada, de acordo com os crimes cometidos”, afirma.
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