Jovem indiciado por esquartejar companheira dormiu ao lado do corpo
Após matar Maysa Emilly, Felipe Inácio planejava assassinar vizinho por suspeita de traição e acabou entregue à polícia pela própria mãe
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Com informações de Rafaella Pimentel
O silêncio de uma residência no bairro do Curado II, em Jaboatão, ocultou durante dias uma sequência de atos bárbaros que culminou na morte de Maysa Emilly Juliana da Silva, de 18 anos. O companheiro da vítima, Felipe Inácio Martins da Silva, de 19 anos, confessou ter asfixiado a jovem na última quarta-feira (8), após uma discussão motivada por ciúmes. O caso ganhou contornos de crueldade quando o homem revelou que, após o assassinato, dormiu ao lado do corpo antes de dar início ao processo de esquartejamento e ocultação.
De acordo com o depoimento prestado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Felipe utilizou um machado para esquartejar Maysa no dia seguinte ao crime. Ele separou os membros e a cabeça do tronco, colocou as partes em malas e as transportou em um carrinho de mão até uma área de mata próxima à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro. O corpo foi enterrado em dois pontos distintos para dificultar a localização.
A posse e o aviltamento do corpo feminino
O crime levanta uma discussão sobre a natureza da violência de gênero contemporânea. Se em décadas passadas a traição — real ou imaginária — era frequentemente respondida com o término da relação, revide com a mesma moeda ou silenciamentos, o cenário atual expõe uma necessidade de aniquilação total da mulher. Felipe não apenas retirou a vida de Maysa; ele buscou o aviltamento do cadáver, tentando apagar a identidade da companheira através do desmembramento.
Enquanto gerações de mulheres silenciaram diante da infidelidade masculina para manter o ambiente doméstico, a simples suspeita de uma ação independente da mulher vem despertando, também em homens jovens, um ímpeto de destruição física e moral. A Polícia Civil agora aguarda laudos do Instituto de Medicina Legal (IML) para verificar se houve violência sexual pós-morte, o que evidenciaria um desejo de domínio absoluto sobre o corpo, mesmo após a interrupção da vida.
Vingança interrompida e denúncia familiar
A prisão de Felipe evitou que o ciclo de mortes continuasse. O jovem admitiu que planejava assassinar o vizinho, com quem acreditava que Maysa mantinha um relacionamento. Não existem provas da infidelidade; o cenário de sangue foi erguido sobre as conjecturas do agressor.
O desfecho do caso partiu da mãe de Felipe. Ao notar a ausência prolongada da nora e confrontar o filho, ela ouviu a confissão e tomou a decisão de entregá-lo ao 25º Batalhão da Polícia Militar. Felipe indicou o local dos restos mortais e foi autuado em flagrante por feminicídio e ocultação de cadáver. Ele segue para o sistema prisional após audiência de custódia, enquanto a família da vítima, residente em Limoeiro, aguarda a liberação dos restos mortais após exames de arcada dentária. Felipe pode pegar mais de 40 anos de prisão, considerando que ele também ocultou o cadáver.
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