Família de MC Galego pede justiça e busca respostas após execução
Eduardo foi morto a tiros em Casa Amarela; comerciante atingida por bala perdida segue internada na área vermelha do Hospital da Restauração
Dois homens encapuzados e com roupas camufladas descem de um Sandero prata. Armados, disparam diversas vezes contra Eduardo Vitor de Andrade Lima, de 24 anos, conhecido como MC Galego. O crime aconteceu na última segunda-feira (22), na Rua Padre Lemos, no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife, enquanto o jovem vendia milho e camarão na calçada. Eduardo morreu no local.
Uma comerciante de 49 anos, que trabalhava ao lado dele, também foi atingida na barriga por uma bala perdida. Até o momento, ninguém foi preso. A Polícia Civil investiga a motivação do assassinato e os autores.
O rastro dos tiros e o socorro no HR
As câmeras de segurança da via registraram a aproximação dos criminosos e o momento da execução. Os homens encapuzados saltaram do veículo e efetuaram os disparos à queima-roupa. No meio do tiroteio, a comerciante vizinha de banca acabou baleada.
A mulher foi socorrida e encaminhada ao Hospital da Restauração (HR), no bairro do Derby. Ela permanece internada na área vermelha da unidade de saúde. A filha da comerciante, que preferiu não se identificar, relatou a situação atual da mãe:
"Minha mãe nesse momento está na sala vermelha, mas o quadro dela é estável, graças a Deus. E no momento a gente só precisa de fralda, até o momento que ela não pode se levantar todinha. E queremos uma resposta do HR sobre se vai fazer cirurgia ou não."
A família da vítima de bala perdida enfrenta dificuldades financeiras para acompanhar o tratamento e custear os insumos que o hospital não fornece. A filha da comerciante ferida está desempregada e seu marido trabalha como auxiliar de pedreiro. Para quem puder ajudar com doações de fraldas ou assistência, a família disponibilizou o telefone de contato (81) 99535-0102.
Linhas de investigação e os apelos do pai
No Instituto de Medicina Legal (IML), durante a liberação do corpo, o pai de Eduardo, que também falou sob proteção do anonimato, cobrou respostas sobre a motivação do crime. Eduardo utilizava o trabalho nas ruas para financiar as produções musicais.
"O maior sonho dele era ser MC. Ele vivia na batalha para um dia estourar. Nas horas vagas ele ia para Casa Amarela para buscar algum [dinheiro], para investir na carreira de MC. Eu quero saber qual foi a causa de tudo isso, que até hoje eu não sei."
Uma linha de investigação inicial apontava para uma briga ocorrida há cerca de seis meses, quando Eduardo defendeu o irmão de uma agressão. Segundo o pai do jovem, homens armados chegaram a ir até a residência da família na época.
No entanto, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) descartou essa hipótese, pois os quatro envolvidos no caso anterior foram detidos pela polícia na mesma noite. Os investigadores trabalham agora com outras possibilidades para descobrir quem ordenou e quem executou o artista.
O sonho interrompido e a despedida do irmão
O irmão de Eduardo, de 18 anos, esteve presente no IML e relembrou os planos que compartilhava com o jovem. Ele também deu entrevistas de costas, sem mostrar o rosto.
"Eu lembro quantas madrugadas a gente passava acordado, da gente falando que ia mudar de vida, ia dar uma vida melhor aos nossos pais, que a gente ia lançar a moto dos nossos sonhos, mas infelizmente a vida do meu irmão foi interrompida. E o que eu peço é que ore pela vida da nossa família. E eu peço justiça."
O caso segue sob a responsabilidade da 3ª Delegacia de Polícia de Homicídios (DPH). A polícia solicita que qualquer informação que ajude a identificar os homens encapuzados que aparecem nas imagens do circuito de segurança seja repassada ao Disque-Denúncia (181).
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