Família acusa pai de omissão após morte de mulher martelada pelo filho
Jovem com esquizofrenia tentou confessar o crime em delegacia antes de receber abrigo do pai; vítima agonizou por 48 horas
Com informações de Simone Santos
A Polícia Civil investiga um homem por omissão de socorro após a morte da ex-esposa, Ângela Cristina, de 56 anos, que passou dois meses internada após ser agredida a marteladas pelo próprio filho em Jaboatão dos Guararapes. O crime, ocorrido no final de março em Jaboatão Centro, envolve uma sequência de falhas e negligência: logo após atacar a mãe, o jovem — que tem esquizofrenia — foi até o Complexo de Segurança de Prazeres para confessar o crime, mas os plantonistas não registraram a ocorrência. Sem receber voz de prisão, ele seguiu para a casa do pai. O homem abrigou o filho e escondeu o ataque por mais de 48 horas, deixando a ex-mulher sangrando e agonizando trancada em casa.
O caso, que tramitava como tentativa de homicídio, passou nesta semana para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) como homicídio consumado. O agressor está internado no Hospital Psiquiátrico Ulisses Pernambucano, enquanto os familiares exigem a punição do pai por cumplicidade e, principalmente, omissão de socorro. Ângela está sendo sepultada nesta tarde, no Cemitério da Muribeca, no mesmo município.
O abrigo do pai
O ataque aconteceu no interior da residência onde Ângela morava com o filho. Após desferir os golpes de martelo na cabeça da mãe, o rapaz caminhou até o Complexo de Segurança de Prazeres, onde funcionam o 6º Batalhão da Polícia Militar e a delegacia local. Ele tentou relatar a agressão, mas os policiais de plantão, ao ouvirem o relato de que o jovem sofria de problemas mentais graves, não levaram a denúncia a sério e o liberaram.
Ao sair da unidade policial, o agressor procurou o pai biológico. Mesmo ciente de que o filho havia tentado matar a ex-esposa, o homem decidiu resguardar o jovem em sua casa e não acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou qualquer autoridade para verificar o estado de Ângela.
O resgate e o socorro tardio
A barbárie só veio à tona mais de dois dias depois. Mônica, filha da vítima e moradora do município de Paulista, estranhou o sumiço da mãe e telefonou para o pai. O homem mentiu e alegou que não sabia de nada.
Desconfiada, a filha foi até Jaboatão. Ao entrar na casa, encontrou a mãe caída no chão, consciente, mas em estado de agonia extrema e com uma hemorragia severa na cabeça. Uma ambulância socorreu a idosa para o Hospital da Restauração (HR), no Recife, de onde foi transferida uma semana depois para o Hospital Alfa. Ela resistiu por pouco mais de dois meses antes de falecer.
Confissão sob pressão de prisão
O pai do jovem só admitiu o conhecimento do crime em depoimento formal na delegacia. Inicialmente, ele manteve a versão de desconhecimento, mas confessou a história aos investigadores após receber a advertência de que seria preso em flagrante por obstrução e omissão de socorro.
A Polícia Civil agora analisa os depoimentos e as provas colhidas para determinar o indiciamento formal do pai. A família sustenta que o atraso de 48 horas no atendimento médico foi determinante para o agravamento das lesões que causaram a morte da dona de casa.
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