Dois feminicídios em Pernambuco expõem a covardia de homens que não suportam o fim
Duas mulheres foram assassinadas nesta quarta em Cupira, no Agreste, e em São José da Coroa Grande, na divisa com Alagoas
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Dois covardes, assassinos que escondem sua fraqueza atrás da violência, tiraram a vida de duas mulheres em Pernambuco nesta quarta-feira (27). Foram crimes que nasceram da recusa em aceitar o fim: a vingança patética de homens que confundiram amor com propriedade.
Nesta quarta-feira, em Cupira, no Agreste, Josélia Maria da Silva, 39 anos, foi atingida com tiros na cabeça na porta de casa, na Rua Antônio Aureliano, no Centro de Cupira. Era por volta de 6h30. Ela ainda chegou a ser socorrida, porém morreu no hospital.
O principal suspeito é o ex-companheiro,Vagner da Silva Ferreira, de idade não revelada. Ele teria roubado uma moto e fugiu após o crime. Segundo a investigação preliminar, ele não suportava a separação.
O corpo de Josélia Maria ficou estendido no chão duro de paralelepípedos, por onde se esvaiu a vida física, como se não tivesse história, pais, família, amigos.
Na verdade, contudo, o suspeito é que corre o risco de ainda ser esquecido com os anos que pode passar na cadeia, cerca de 40. O caso está sendo investigado pela 94ª Delegacia Circunscricional de Cupira.
Em São José da Coroa Grande
Na mesma manhã, em São José da Coroa Grande, litoral sul, Adriana Lúcia de Souza, 40 anos, foi assassinada dentro da própria casa. O principal suspeito é o marido, que também não aceitava o pedido de separação. O nome dele ainda não foi revelado. A polícia faz buscas para encontrá-lo.
Adriana era frentista, mãe de dois filhos: um rapaz de 22 anos e uma menina de 7. Os dois ficaram sem mães e vão enfrentar o luto da partida.
A marca da covardia
Os dois crimes reforçam a escalada de violência contra mulheres em Pernambuco. Em Pernambuco, os feminicídios se repetem como uma missa macabra: mulheres assassinadas por homens que juraram amá-las. Eles não aceitam a separação, não suportam perder o domínio. Na falta de coragem para enfrentar a vida, escolhem a covardia de matar.
O feminicídio não é um crime “do nada”: ele nasce de relações desiguais de poder, machismo estrutural e ausência de políticas consistentes de proteção.
Feminicídios se repetem: falha do Estado em prevenir, proteger e punir
Se os feminicídios se repetem e se repetem, dia após dia, é porque algo está falhando. A cada mulher assassinada, fica claro que as políticas de prevenção, proteção e punição não estão funcionando como deveriam.
As políticas públicas mais eficazes para reduzir feminicídios costumam combinar estas três ações. E o Estado, como responsável por assegurar o direito à vida, tem o dever de combatê-los. Mas as prefeituras não podem ficar omissas diante da morte das mulheres dia após dia.
Os feminicídios tiveram o boom em Pernambuco a partir da pandemia da Covid-19, durante o isolamento. Não pararam mais. Lembra aquela imagem grega de Atlas carregando o mundo nas costas como punição. Atlas, neste caso, são as mulheres.
6 mulheres são vítimas de violência doméstica por hora em Pernambuco
Entre janeiro e julho de 2025, 32.245 mulheres registraram denúncias de violência doméstica, segundo dados oficiais da Secretaria de Defesa Social. Isso equivale a 6,3 mulheres por hora, ou uma denúncia a cada nove minutos.
Trata-se de um crime que exige atenção de todos: familiares, amigas e vizinhos não podem hesitar em agir, seja conversando com a vítima ou acionando o Disque 100, Disque 180 ou 190 para risco de morte.
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