Defesa de mulher fala sobre troca de taças em morte de PM em Boa Viagem
Advogados de ex-namorada de militar apontam marcas em utensílios e agressões, mas acreditam que laudo também pode indicar óbito por causas naturais
A defesa da mulher de 48 anos investigada pela morte do cabo da Polícia Militar José Maria Alexandre Silva, de 40 anos, apresentou publicamente a versão dela sobre o caso nesta quarta-feira (17). O policial militar morreu na última quinta-feira (11), dentro do apartamento da ex-namorada, localizado no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Os advogados exibiram imagens das taças utilizadas pelos dois e afirmaram que houve uma tentativa de troca dos recipientes de bebida antes do óbito.
De acordo com o advogado Rafael Nunes, o casal estava bebendo energético no imóvel quando a moradora se ausentou temporariamente. Ao retornar, ela percebeu que as taças haviam sido trocadas. A identificação do copo original foi possível porque a mulher possuía uma marcação específica, descrita como um pontinho preto presente em seus utensílios domésticos. A defesa afirma que ela conseguiu destrocar os recipientes antes do consumo e que o policial passou mal em seguida.
Indícios materiais e atuação da perícia
O corpo do policial militar foi periciado pela Polícia Científica de Pernambuco no local do fato. Durante a varredura no apartamento, além das taças e do energético, os investigadores apreenderam uma porção de maconha, uma faca peixeira e um frasco com conteúdo não identificado guardado dentro da bolsa de uso pessoal do cabo. Todos os materiais biológicos e objetos recolhidos foram encaminhados para exames laboratoriais.
O caso é tratado formalmente pela Polícia Civil de Pernambuco como "morte a esclarecer". O laudo oficial do Instituto de Medicina Legal (IML), que determinará se a causa do óbito foi provocada por envenenamento ou por um mau súbito, ainda não foi concluído pelas autoridades. "O que vai nos trazer isso com riqueza de detalhe é a perícia. A perícia vai ser fundamental", declarou o advogado Rafael Nunes durante a coletiva.
Relacionamento conturbado e descumprimento de medida protetiva
O relacionamento entre a mulher e o policial militar durou seis meses e foi classificado pela defesa técnica como marcado por episódios de violência física, registrada em imagens. Diante das agressões brutais sofridas anteriormente, a vítima havia solicitado e obtido uma medida protetiva de urgência na Justiça contra o ex-companheiro.
O cabo da PM, contudo, descumpria a ordem judicial ao efetuar ligações telefônicas e enviar mensagens frequentes à ex-namorada.Segundo Rafae Nunesl, o PM esteve no apartamento dela depois de muita insistência e dizendo que queria se casar com ela.
Os registros telefônicos apresentados pelos advogados mostram que o policial insistia para que a mulher retirasse a queixa criminal e a medida protetiva. A restrição legal imposta pelo Judiciário havia provocado reflexos administrativos na corporação, resultando no recolhimento da arma de fogo do militar e no seu afastamento das funções operacionais nas ruas. Devido à natureza do crime de lesão corporal sob o contexto de violência doméstica, a legislação atual não permitia a retratação ou a desistência do processo por parte da vítima.
Discussão e acionamento da polícia
No dia do óbito, o militar teve a entrada autorizada no prédio pela moradora. Durante a manhã e o início da tarde, ocorreu um desentendimento motivado por ciúmes. Segundo o advogado, o cabo exigiu vistoriar o aparelho celular da ex-companheira e, diante da recusa, apanhou os telefones e os arremessou pela janela da varanda do apartamento. Logo após o início das reações físicas que levaram à morte do policial, a própria moradora telefonou para o seu suporte jurídico de urgência e acionou as autoridades policiais.
A mulher permaneceu no imóvel aguardando a chegada das equipes de socorro e da polícia. Ela foi conduzida ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para prestar os esclarecimentos iniciais e não foi autuada em flagrante. O inquérito policial segue sob a condução da Terceira Delegacia de Polícia de Crimes Contra a Vida, chefiada pelo delegado Rodrigo Belo.
A Polícia Civil de Pernambuco informou que as investigações sobre a morte do cabo José Maria Alexandre Silva continuam em andamento pela Delegacia de Boa Viagem. O laudo oficial do Instituto de Medicina Legal (IML), que vai apontar a causa exata do óbito do militar, ainda não foi concluído e divulgado pelas autoridades.
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