Comissário morto a tiros é enterrado em Olinda; principal linha é latrocínio
Crime ocorreu durante tentativa de assalto; duas motos participaram da abordagem, uma deu cobertura, segundo investigação
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Com colaboração de Marwyn Barbosa e Luciana Queiroz
Familiares, amigos e colegas de farda se despediram, neste domingo (29), do comissário da Polícia Civil de Pernambuco, Fábio Fernando Souza da Câmara, de 52 anos. O velório ocorreu pela manhã e o enterro, no início desta tarde, no Cemitério Jardim Metropolitano, no bairro de Águas Compridas, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. Houve muita comoção.
O comissário morreu sob a mira de um revólver apontado por bandidos, num abordagem que durou segundos, durante a madrugada deste último sábado. Foi morto por um perfil de ser humano que ele combateu ao longo de uma carreira de mais de 30 anos. Há suspeita de pelo menos três pessoas envolvidas no crime, cuja linha de investigação principal é de latrocínio.
A sangue frio
Fábio foi morto no bairro de Tabajara, também em Olinda. Ele estava em uma motocicleta com a namorada quando foi abordado por dois criminosos.
Imagens de câmeras de segurança registraram a ação. O comissário chega a parar o veículo em frente a um bar. Segundos depois, a dupla se aproxima, também de moto. O garupa desceu armado para anunciar o assalto.
O criminoso ainda mexeu na ignição da moto do comissário. Fábio desceu, tentou escapar da mira do revólver. Mas não conseguiu. Foi atingido pelos disparos ao tentar reagir.
Os suspeitos fugiram sem levar nada. E a informação trazida neste domingo pelo delegado Felipe Monteiro, chefe da polícia Civil, é de uma possível participação de uma segunda moto, que acompanhou a abordagem de longe. É possível ver, nas imagens, que um homem fica de longe, fazendo giros em outra moto, acompanhando.
Mesmo ferido, o policial ainda tentou se levantar. Caiu novamente, contudo, e morreu no local. (veja mais detalhes abaixo)
Tentativa de reação
A namorada do comissário não ficou ferida. Assustada, saiu em busca de ajuda e encontrou uma viatura da Polícia Militar.
Aos policiais, ela relatou que os dois haviam parado no local para entrar em um bar, que estava fechado. Foi nesse momento que os criminosos anunciaram o assalto.
O comissário teria reagido, sacando a própria arma, que foi entregue aos policiais. Ela já foi ouvida duas vezes pela polícia.
“Um cara tranquilo”
A morte interrompeu uma rotina próxima da família. Fábio estava prestes a se aposentar.
Segundo o primo dele, o supervisor de segurança Lenildo Alves, de 49 anos, a perda deixa um vazio.
“Ele estava comigo sempre nos finais de semana, é uma pessoa que vai fazer falta porque ajudava muito a gente, era um bom pai, um bom filho e um bom amigo também. Se dava com todo mundo”, afirmou.
O comissário deixa três filhos: duas meninas, de 15 e 22 anos, e um homem de 30, que é policial militar.
Linha principal é latrocínio, diz chefe da Polícia Civil
A principal linha de investigação segue sendo latrocínio — roubo seguido de morte. De acordo com o delegado Felipe Monteiro, que esteve no velório, a hipótese é baseada nas imagens e nos primeiros relatos colhidos pela polícia.
“Na verdade, a gente não pode descartar nenhuma linha, né? Surgiram algumas ideias, mas a principal linha que está sendo trabalhada pela equipe que fez o local de crime, à espera de diligências, é de latrocínio. Na verdade, ele estava com uma namorada que tinha vindo de um estabelecimento comercial já, estava indo para outro, quando foi surpreendido por duas motocicletas.”
Duas motos e abordagem rápida
Segundo o delegado, a dinâmica da ação aponta para uma abordagem típica de assalto.
Uma das motocicletas teria feito a aproximação direta ao casal. E outra, possivelmente, dava apoio, de longe.
“Uma, de fato, foi quem fez a aproximação e abordou o casal. E aí, quando ele tentou sacar a arma para se defender, ele foi alvejado por alguns disparos de arma de fogo. Então, a principal linha mais forte nesse momento é a de latrocínio, efetivamente.”
Reação pode ter mudado o rumo do crime
A polícia trabalha com a hipótese de que a reação do comissário tenha alterado o desfecho da abordagem.
“Eu acho que talvez eles também não imaginassem que poderiam estar lidando com uma pessoa que estaria armada. É tudo muito rápido, sai do controle talvez do que eles imaginavam que fosse acontecer.”
Investigação aberta: nenhuma hipótese descartada
Apesar da linha principal, outras possibilidades ainda não foram descartadas. A polícia segue em diligências.
“Isso não quer dizer que outras linhas não possam ser trabalhadas e que mais para frente possa surgir algo novo.”
Polícia busca imagens e identifica suspeitos
Equipes estão nas ruas desde o momento do crime. Câmeras de segurança são peça-chave.
“Desde ontem, várias equipes foram para o local, já pegamos várias imagens, várias câmeras para tentar identificar. Já vimos que tem duas motocicletas envolvidas na situação. A gente vai trabalhar incansavelmente até encontrar a resposta”
“A polícia não vai parar”
Segundo o delegado, a investigação segue sem interrupção. Para ele, a morte de um policial aumenta a pressão por resposta.
“A gente está avançando, muitas equipes colocadas à disposição, a polícia não vai parar enquanto a gente não der essa resposta. Sempre é muito difícil quando um membro da força policial é abatido dessa forma.”
Sinpol aponta cenário de violência
Para o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol), Áureo Cisneiros, o crime reflete um problema maior. Ele associa o caso ao cenário de violência no estado.
Veja mais informações de Marwyn Barbosa e Luciana Queiroz no JT1 desta segunda-feira, na TV Tribuna PE/Band (canal 4.1)
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