Adolescente autista sofre traumatismo e muda de escola em São Lourenço da Mata
Família relata bullying, violência física e traumatismo leve; caso foi registrado e é acompanhado pela Justiça
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Com colaboração de Rubens Marinho da TV Tribuna PE/Band
Um adolescente de 13 anos, diagnosticado com transtorno do espectro autista, teria sido vítima de agressões dentro de uma escola da rede municipal em São Lourenço da Mata.
De acordo com a mãe, o estudante sofreu episódios de bullying e violência física ao longo de meses dentro da unidade de ensino.
Lesão e impactos emocionais após agressões
Segundo a família, o menino chegou a apresentar um quadro de traumatismo craniano leve em decorrência das agressões. Ele foi atendido em uma unidade de saúde e ficou em observação na emergência.
Além das lesões físicas, os familiares relatam impactos emocionais. O adolescente teria apresentado mudanças de comportamento e passou a ter medo de retornar à escola.
Diante da situação, ele foi transferido da rede municipal para uma instituição particular. A mensalidade está sendo custeada com o benefício que o estudante recebe. A mudança, no entanto, trouxe dificuldades para a rotina da família, incluindo deslocamentos mais longos.
O caso foi registrado por meio de boletim de ocorrência, e o adolescente passou por exame de corpo de delito. A situação está sendo acompanhada pela Justiça.
Violência silenciosa: quando o bullying vira caso de saúde e Justiça
Casos como o de São Lourenço da Mata não são isolados. No Brasil, o bullying escolar é reconhecido como problema de saúde pública e educacional. A prática envolve agressões repetidas — físicas, verbais ou psicológicas — e tende a atingir com mais força crianças em situação de vulnerabilidade, como estudantes com deficiência ou transtornos do neurodesenvolvimento, a exemplo do Transtorno do Espectro Autista.
Quando há agressão física, o caso ultrapassa o ambiente escolar e entra no campo legal. A escola tem dever de cuidado e pode ser responsabilizada se houver omissão diante de situações recorrentes.
Medo de ir à escola é um dos sinais de sofrimento
Especialistas apontam que sinais como isolamento, medo de ir à escola, queda no rendimento e mudanças bruscas de comportamento costumam ser alertas. Em muitos casos, eles aparecem antes mesmo das agressões mais graves.
A resposta, segundo profissionais da área, passa por três frentes: prevenção, acolhimento e responsabilização. Isso inclui desde políticas claras contra o bullying dentro das escolas até acompanhamento psicológico das vítimas e medidas disciplinares para os agressores.
Também há um desafio estrutural. Famílias relatam dificuldade de acesso a suporte adequado, especialmente na rede pública, o que muitas vezes leva a mudanças abruptas de rotina — como troca de escola — para garantir segurança.
Quando chega à polícia e à Justiça, como neste caso, o episódio já ultrapassou um limite: o da convivência escolar. E passa a exigir resposta institucional.
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