Santa Cruz bate recorde de público e arranca empate, mas resultado é insuficiente
Com um a menos, Tricolor consegue o 1 a 1, mas público de quase 20 mil exige mais do que o empate contra o Ferroviária
A torcida do Santa Cruz esgotou os ingressos e ocupou as arquibancadas da Arena de Pernambuco com a postura de quem exigia o fim do jejum de grandes palcos. O público total de 19.981 pessoas transformou o estádio emprestado em um caldeirão contra o Ferroviária, de São Paulo. No entanto, o planejamento da tarde ruiu aos sete minutos do primeiro tempo.
O goleiro Thiago Coelho foi o carrasco da Cobra Coral quando abandonou a grande área em um avanço desmedido para derrubar o atacante Denilson, que veio na direção do gol honrando o apelido do seu clube: Locomotiva. Thiago realemente derrubou o centroavante, fazendo o árbitro aplicar o cartão vermelho direto e merecido.
O Santa Cruz ficou com dez jogadores em campo numa partida na qual pretendia subir para o G8.
A reação do público foi imediata, com uma forte vaia direcionada ao goleiro no momento da saída para os vestiários. Ele deixou a equipe desmantelada e não olhou para trás.
Para recompor o sistema defensivo, o técnico Cristian de Souza sacrificou o atacante Everaldo e promoveu a entrada do arqueiro reserva, Gabriel Souza. Everaldo saiu tão contrariado que entrou direto para o vestiário. E o time tricolor ficou abatido, não conseguiu reagir.
Com a superioridade numérica, a Ferroviária assumiu o controle do meio-campo e passou a girar a posse de bola. O gol da equipe paulista saiu aos 24 minutos. Alisson progrediu pelo lado direito e desferiu um cruzamento na pequena área. O centroavante Denilson - de novo ele - subiu sem o combate dos dois defensores corais e cabeceou para o fundo das redes, abrindo o placar.
Mudanças no intervalo e o gol da igualdade na Arena
O Santa Cruz retornou do vestiário com duas alterações na equipe: Alex Ruan e Renato entraram nas vagas de Zé Mário e Fabinho. A postura do time tornou-se mais agressiva no campo de ataque. Aos nove minutos, Alex Ruan cobrou escanteio na primeira trave. O volante tricolor Eurico realizou o desvio e, na tentativa de afastar o perigo, o zagueiro paulista Gustavo Medina empurrou a bola contra a própria meta, decretando o empate. Eurico comemerou o gol como se fosse dele. Atuou bem em campo.
O lance expôs a fragilidade defensiva da Ferroviária na competição, registrando o quinto gol sofrido pela equipe paulista em jogadas de bola parada neste campeonato. A torcida tricolor aumentou o apoio nas arquibancadas, e o Santa Cruz criou chances para alterar o placar, como na cabeçada de Pedro Favela aos 17 minutos e na finalização de Renato, defendida por Denis Júnior aos 48.
Por outro lado, o zagueiro Jeferson enfrentou a resistência do público, recebendo vaias nominais a cada toque na bola até o encerramento da partida. O apito final confirmou o placar de 1 a 1 na Arena de Pernambuco.
Classificação na Série C e os bastidores do Arruda
O resultado de empate manteve o Santa Cruz na 11ª posição da tabela, agora com 12 pontos somados. A Ferroviária ocupa o 10º lugar, com 13 pontos. O topo da tabela da Série C segue sob a liderança do Guarani, com 18 pontos, seguido pelo Paysandu, que soma 17.
Este foi o quarto compromisso do treinador Cristian de Souza no comando técnico do Santa Cruz, acumulando duas vitórias e dois empates. Embora o comandante permaneça invicto, o desempenho em campo esbarra na limitação de peças do plantel. Em contrapartida, o Amazonas, ex-clube do técnico, amargou quatro derrotas desde a sua saída.
A análise fria dos números aponta que o empate teve sabor de lucro devido à desvantagem numérica desde o início do confronto. Contudo, para o torcedor que sustenta o clube mesmo diante de salários atrasados nos bastidores e sem o direito de jogar no Estádio do Arruda, o ponto somado representa pouco.
A entrega das arquibancadas sempre supera a qualidade técnica entregue pelo Clube e pelos atacantes em campo. A torcida do Santa Cruz compareceu para testemunhar uma vitória e saiu descontente com os resultados parciais. O próximo desafio será no domingo, 14 de junho, às 11h, contra o Brusque, fora de casa.
SAF
Nos camarotes da Arena de Pernambuco, o ambiente político e econômico do clube também se movimentou durante os noventa minutos. Alguns dos potenciais investidores que negociam a compra das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) tricolor acompanharam a partida de perto, acomodados ao lado do presidente Bruno Rodrigues.
A presença da comitiva, liderada pela chefia da gestora financeira carioca que atuará como âncora do negócio bilionário, sinaliza o avanço das tratativas de bastidores para a venda da Cobra Coral Participações, ocorrendo justamente em um domingo onde as arquibancadas lotadas deixaram claro o tamanho do potencial de consumo e de engajamento da torcida. No entanto, ainda é necessário algumas etapas para confirmar o negócio.
FICHA TÉCNICA
SANTA CRUZ 1
Thiago Coelho; Eurico, Edson Miranda, Jeferson (Andrey) e Zé Mário (Alex Rhuan); Fabinho (Renato), Pedro Favela e Ronald; Everaldo (Gabriel Souza) e Tiago Marques (Eron). Técnico: Cristian de Souza.
FERROVIÁRIA-SP 1
Denis Jr; Felipe Rodrigues, Gustavo Medina, Zé Vitor e Eduardo (Ruan); Ricardinho (Rafael Carrilho), Alencar (Douglas Skilo) e Albano; Allison (Fábio Fau), Denílson e Vitor Barreto (Thiago). Técnico: Rogério Corrêa.
Local: Arena de Pernambuco
Árbitro: Maguielson Lima Barbosa (DF)
Assistentes: Lucas Costa Modesto e Renato Gomes Tolentino (ambos do DF)
Cartão amarelo: Ronald (SC); Vitor Barreto, Denilson, Albano (F)
Cartão vermelho: Thiago Coelho (SC)
Gols: Denilson (24’/1º)(AFE) Gustavo Medina (contra) (09’/2º) (STA)
Público: 19.981
Renda: R$ 529.682,00
Comentários