No Recife, Cafu defende Neymar, elogia Ancelotti e aprova mescla nas laterais
Em entrevista exclusiva à TV Tribuna no Recife, capitão do penta projeta Copa do Mundo de 2026 e relembra estreia de 1998 contra Escócia e Marrocos
O ex-lateral e capitão do pentacampeonato mundial de 2002, Marcos Evangelista de Morais, o Cafu, desembarcou no Recife para uma agenda de compromissos e concedeu uma entrevista exclusiva à equipe de reportagem do Jogo Aberto, da TV Tribuna PE. Durante o diálogo conduzido pelo repórter Paulo de Tarso, o antigo camisa 2 da Seleção Brasileira analisou o cenário de desconfiança que cerca a equipe nacional na preparação para a Copa do Mundo de 2026, minimizou as pressões sobre o atacante Neymar e avaliou a estrutura tática do elenco sob o comando do técnico italiano Carlo Ancelotti.
"Desconfiança sempre teve em relação à Seleção Brasileira. Todas as vezes que a seleção brasileira foi para uma Copa do Mundo", declarou o ex-jogador ao conter o ceticismo do público e da crítica esportiva. Cafu manifestou otimismo quanto à recuperação física do principal astro do elenco atual, que lida com processos de reabilitação médica no período que antecede o torneio mundial.
“"Em relação ao Neymar, tudo muito normal, tudo muito tranquilo. A gente espera que ele possa recuperar o mais rápido possível e ajudar o Brasil. Se Deus quiser, trazer esse Hexa para o nosso país". Cafu, ex-lateral e capitão do pentacmpeonato mundial
A soberania de Carlo Ancelotti no comando técnico
Com a autoridade de quem trabalhou sob a gestão de Carlo Ancelotti durante cinco temporadas no Milan, da Itália — período no qual a equipe de Milão conquistou títulos da Liga dos Campeões da UEFA e do Mundial de Clubes da FIFA —, Cafu destacou o impacto do treinador no vestiário brasileiro. De acordo com o ex-capitão, o comandante europeu possui uma vantagem histórica em termos de respeito institucional perante o grupo de atletas convocados.
"O Ancelotti é um treinador experiente, é um treinador acostumado com esse tipo de competição. É um treinador super vencedor, por onde passou ele conquistou. É um treinador que vem com uma moral muito alta. Pela primeira vez na história eu vejo um treinador chegar em uma Copa do Mundo com tanta moral assim, mais moral até do que os próprios jogadores", apontou o ex-atleta.
O ex-defensor explicou que a liderança do técnico constitui um fator estratégico para a estabilização do ambiente interno da Seleção Brasileira. Ele enfatizou a necessidade de garantir tempo de treino para a fixação dos conceitos de posicionamento e movimentação. "Isso é um fato positivo. É um treinador que impõe respeito, é um treinador que sabe o que quer. A gente espera que ele tenha tempo hábil para mostrar para os meninos o que ele quer em termos tático e técnico dentro de campo", explicou.
A renovação das laterais e a mescla geracional
Setor de maior especialidade do entrevistado, as laterais da Seleção Brasileira concentram debates estruturais devido ao processo de transição de nomes. Cafu avaliou de forma positiva a convivência entre atletas experientes e novos talentos que atuam no cenário internacional, citando nominalmente as opções que compõem o planejamento tático do Brasil para a Copa.
A configuração atual apresenta o jovem Wesley, jogador com projeção recente e atuação no futebol italiano pela Roma, ao lado da bagagem do defensor Danilo, que também construiu carreira sólida na Itália pela Juventus e acumula torneios mundiais no currículo. Para o capitão do penta, essa dinâmica reduz o impacto da pressão psicológica sobre os recém-chegados ao grupo principal.
"Essa mescla é fantástica. Você mesclar jogadores experientes com jogadores um pouco mais jovens. Isso é um fato positivo quando se fala de uma Copa do Mundo. Mas nós estamos falando de jogadores jovens, que são já titulares absolutos nos seus clubes, são capitães dos seus clubes, jogam em grandes clubes do futebol europeu. Eu acho que não vai haver problema nenhum em relação a isso", avaliou Cafu.
O ex-defensor indicou que o nível competitivo das ligas europeias assegura a maturidade necessária aos atletas mais novos. "Sempre que tem uma mescla dentro de campo, isso é um fato muito positivo para a seleção brasileira. Isso faz com que os meninos fiquem mais tranquilos, até para realizar aquilo que eles querem", pontuou o ex-camisa 2.
As recordações de 1998 e os adversários do grupo
A tabela de grupos da Copa do Mundo de 2026 colocou o Brasil em uma chave que reedita confrontos históricos da Copa do Mundo de 1998, realizada na França. Naquela ocasião, o selecionado brasileiro enfrentou as seleções da Escócia e de Marrocos na fase inicial do torneio. O jogo de estreia contra os escoceses, vencido pelo Brasil por 2 a 1 no Stade de France, teve participação direta de Cafu, cujo arremate gerou o gol da vitória após desvio na defesa e terminou com uma comemoração em forma de cambalhota.
"As minhas lembranças são ótimas. Eu não sei a deles, mas as minhas são maravilhosas. Tanto contra Marrocos como contra a Escócia. São épocas diferentes. Você falou muito bem. São períodos diferentes. Hoje o futebol está completamente diferente daquele que era em 1998", recordou o ex-atleta ao projetar o reencontro com os adversários tradicionais.
Apesar das transformações estruturais e físicas ocorridas na modalidade esportiva nas últimas três décadas, o ex-capitão defendeu o peso histórico da camisa amarela no cenário internacional. "O Brasil é sempre um país a ser temido. O Brasil é sempre o Brasil. A gente espera que o Brasil possa repetir esses feitos agora também em 2026", concluiu o ex-jogador, finalizando sua participação no programa esportivo Jogo Aberto Pernambuco.
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