Bruno Rodrigues confirma nova SAF e garante: "vamos ascender à Série B"
Sem revelar nomes, em exclusiva a Rembrandt Júnior, presidente detalha troca de investidores, ressarcimento de R$ 8 milhões e planos para o acesso
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O "mistério" que rondava o Arruda foi desfeito em um diálogo franco e detalhado. No estúdio do Jogo Aberto, da TV Tribuna PE/Band, o presidente do Santa Cruz, Bruno Rodrigues, revelou ao jornalista Rembrandt Júnior que o clube está nos "45 segundos do segundo tempo" para oficializar a troca do grupo investidor de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
O mandatário explicou que a rescisão com o grupo anterior, a Cobra Coral, ocorre de forma amigável e sem multas, após um percalço no lastro financeiro da operação original. O movimento, contudo, não deixou o clube de mãos vazias: os R$ 8 milhões já aportados foram fundamentais para manter a Recuperação Judicial (RJ) em dia e serão ressarcidos pelo novo grupo que assume a gestão. Os nomes não foram revelados.
Mais do que uma mudança de nomes na mesa de negociações, Bruno Rodrigues trouxe uma perspectiva ambiciosa para o futebol. Mesmo disputando a Série C, o presidente explicou que o atraso dos salários se deu porque os jogadores tiveram salários aumentados.
O objetivo é claro: garantir que o acesso não seja apenas uma promessa, mas uma consequência matemática de um elenco "cascudo". No vestiário, o clima de união — selado por uma foto que viralizou — reflete um grupo que, segundo o presidente, recuperou o "sangue nas veias" e a confiança para o restante da temporada, contando com o apoio maciço da torcida para lotar a Arena de Pernambuco. Veja os principais trechos da entrevista.
Rembrandt Júnior entrevista Bruno Rodrigues
Presidente, a pergunta que todos fazem na rua: e a SAF? O processo voltou à estaca zero ou está caminhando?
Bruno Rodrigues: Nós fomos pelo caminho da transparência. No começo de 2025, conseguimos a melhor proposta financeira, mas no meio do processo o investidor desistiu da operação por questões de lastro. O que fizemos? Trocamos o lastro. Cumprimos o passo a passo no Conselho e na Assembleia. Por mais que estejamos trocando os investidores agora, esse andamento foi mantido. Já estamos em conversas para uma rescisão amigável com a Cobra Coral, sem multas, e vou apresentar as novas propostas em breve.
Rembrandt: Como fica o aporte de R$ 8 milhões que já foi feito pela Cobra Coral? O Santa terá que devolver esse dinheiro?
Bruno: Exatamente. O novo grupo investidor vai ressarcir esses valores à Cobra Coral. Esse recurso foi vital, pois serviu para pagarmos as mediações judiciais e manter nossa Recuperação Judicial. Qualquer investidor que venha assumir a SAF Santa Cruz terá que ressarcir esse valor porque o recurso é devido. Está tudo alinhado e a vida segue.
Rembrandt:Sobre o patrimônio, o senhor sempre defendeu o Arruda. Como ficam o estádio e os investimentos nessas novas propostas?
Bruno:Na negociação anterior, o estádio iria como cessão definitiva, o que gerou problemas internos e eu fui contra inicialmente. O fato novo é que as propostas atuais preveem um módulo de 35 anos: o investimento é feito, mas o patrimônio volta e nunca deixará de ser do Santa Cruz. Só reformamos o estádio a contento com dinheiro grande, e esse recurso tem que vir do investidor.
Rembrandt: Falando de futebol, o senhor mencionou um "desencaixe" na folha de pagamento. Como está a situação dos salários dos jogadores hoje?
Bruno: O desencaixe ocorreu justamente porque os investidores autorizaram o aumento da folha e nós confiamos no recurso que viria. Mas estamos fazendo um esforço enorme para deixar tudo em dia. O clima no vestiário é o melhor possível. Eu nunca duvidei do caráter desse grupo. Temos um dos melhores elencos da Série C, disparado, mas não estávamos performando. Agora o esquema mudou, a sorte voltou a aparecer e eu tenho convicção de que vamos subir.
Rembrandt: Este é o seu último ano de mandato. Com ou sem SAF, o senhor pensa em uma reeleição em dezembro?
Bruno: Meu compromisso foi resgatar o clube e entregar um Santa Cruz melhor do que peguei. Não está no meu radar a questão da eleição agora; meu radar está no acesso à Série B até o dia 30 de outubro. Após o término do campeonato, vamos discutir isso internamente, sem vaidade. O clube é difícil de administrar, a política às vezes atrapalha, mas resgatamos a credibilidade e a autoestima do torcedor. Então, essa questão da eleição em dezembro a gente vai tratar após o término do campeonato da Série C e, se Deus permitir, nós acenderemos a Série B.
Veja entrevista completa abaixo
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