Após protesto por salários, Santa Cruz volta aos treinos
Elenco cruzou os braços após promessa não cumprida; diretoria tenta pagamento parcial antes de viagem para Brusque
Com colaboração de Paulo de Tarso
O elenco do Santa Cruz encerrou o protesto por salários atrasados e voltou aos trabalhos na manhã desta segunda-feira (8), no Arruda. Os jogadores realizaram atividades no campo e na academia às 8h30, após passarem o sábado (6) e o domingo (7) sem treinar. O movimento ocorreu após a diretoria descumprir uma promessa de pagamento que deveria ter sido efetuada na última sexta-feira (5). A presidência tenta costurar um acordo para quitar uma parte dos débitos antes do embarque para Santa Catarina.
Os bastidores do clube coral ganharam contornos dramáticos no fim de semana. O elenco se reuniu e decidiu não participar da atividade de sábado. No domingo, o treino programado pela comissão técnica também acabou cancelado, resultando em uma folga forçada. O motivo da paralisação é o acúmulo de débitos financeiros: são quatro meses de direitos de imagem em aberto para parte do grupo e um mês de salário na carteira de trabalho (CLT). Além disso, funcionários do clube enfrentam atrasos que variam de um a quatro meses de vencimentos.
A crise financeira atinge de forma diferente os membros do plantel. Atletas remanescentes da temporada 2025 — que participaram da campanha do acesso — cobram, além das imagens e da CLT, os valores referentes ao décimo terceiro salário e às férias. É o caso de jogadores como o zagueiro William Alves e os volantes Lucas Siqueira e Pedro Favela. Outros atletas, como o meia Patrik Allan, que chegou em janeiro para o Campeonato Pernambucano, possuem saldo menor de atraso, enquanto os reforços contratados especificamente para a Série C estão em situação mais regular.
Impasse na SAF agrava cenário financeiro
A cúpula do Executivo tricolor, liderada pelo presidente Bruno Rodrigues e pelo vice Marco Benevides, condiciona a resolução definitiva dos problemas financeiros à implementação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A previsão inicial era de que o modelo de clube-empresa estivesse concretizado em abril, o que não ocorreu.
O impasse envolve a transição entre os grupos de investidores. A proposta atual do Grupo GPA conta com nomes como o empresário Vinícius Diniz, que foi da Cobra Coral e saiu, Elias Weber e o executivo Thairo Arruda. No entanto, para que a nova gestão avance, é necessária a resolução de pendências com o grupo anterior, a Cobra Coral Participações.
Representantes do GPA chegaram a acompanhar a partida do Santa Cruz contra a Ferroviária na Arena de Pernambuco, mas o contrato definitivo segue sem assinatura.
Com o mercado de transferências próximo da abertura na janela de julho, a falta de pagamento preocupa a comissão técnica. O risco de perder os principais destaques do elenco para equipes de divisões superiores aumentou devido à quebra de confiança entre os atletas e a direção.
Mudanças na equipe para o confronto contra o Brusque
Dentro das quatro linhas, o técnico Christian de Souza tenta blindar o grupo para manter a sequência invicta na Série C do Campeonato Brasileiro. O time somou 12 pontos em nove jogos e ocupa o meio da tabela, com o objetivo de entrar no G8, a zona de classificação para a próxima fase. O próximo compromisso será contra o Brusque, no domingo (14), às 11h, no Estádio Augusto Bauer, em Santa Catarina.
A escalação tricolor terá modificações obrigatórias. O goleiro Gabriel Souza assume a titularidade na vaga de Thiago Coelho, que foi expulso no empate diante da Ferroviária. No sistema defensivo, o lateral-direito Toty foi liberado pelo departamento médico após se recuperar de uma entorse no tornozelo e treina normalmente.
Por outro lado, o zagueiro William Alves permanece sob cuidados médicos devido a uma lesão muscular e está fora do jogo. O atacante Qurino iniciou o processo de transição física, mas ainda é dúvida.
A delegação do Santa Cruz tem viagem marcada para o Meio-Dia de sexta-feira (12). Até o momento do embarque, os jogadores aguardam o cumprimento do repasse financeiro prometido pela administração do clube para minimizar o clima de tensão antes do confronto em solo catarinense.
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