Rede de ódio na internet mira João Campos e contaria com verba do Governo Raquel
Reportagens da Record e do portal R7 apontam que empresa com contratos com o governo de Pernambuco comandaria ataques ao candidato João Campos.
Matéria atualizada às 11h50
O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) divulgou um vídeo em suas redes sociais nesta quarta-feira (26) afirmando que não se deixará intimidar pela suposta estrutura de ataques políticos, revelada em reportagem da TV Record e do portal r.7.com na noite desta terça-feira (25). João reagiu à denúncia de que um servidor público cedido ao Governo de Pernambuco estaria à frente de um esquema de ataques e difamação desde que ele foi reeleito para prefeito do Recife. “Nossos advogados vão tomar todas as medidas”, afirmou.
Reportagens do Jornal da Record e do portal R7, divulgadas na noite desta terça-feira (25), mostraram uma suposta rede de perfis em redes sociais e páginas na internet criada para difamar e prejudicar a imagem do candidato ao governo de Pernambuco, João Campos (PSB).
Segundo a Record, a Polícia Federal em Pernambuco investiga uma empresa suspeita de divulgar notícias falsas na internet. A reportagem afirma que essa mesma empresa recebe dinheiro público por meio de contratos com o governo de Raquel Lyra.
Rede de perfis e ataques a opositores
De acordo com a reportagem, a rede conta com centenas de perfis que, de forma simultânea, disparam ataques e difamações contra opositores, principalmente contra o candidato ao governo João Campos, do PSB.
A denúncia aponta que quem comandaria o esquema é Amisadai Andrade da Silva, funcionário da Caixa Econômica Federal (CEF) que, há cerca de um ano, foi cedido à Secretaria Estadual de Turismo. Segundo a Record, Amisadai controlaria cerca de 300 perfis na internet, todos ofensivos ao candidato João Campos.
Em vídeo exibido na reportagem, Amisadai aparece afirmando que o objetivo é " tentar desidratar ele", em referência a derrubar a popularidade de João Campos.
Uso de site e alcance nas redes sociais
Ainda conforme a notícia, o conteúdo seria disparado a partir do site "Portal de Prefeitura", que soma mais de 300 mil seguidores nas redes sociais.
O Portal de Prefeitura pertence à empresa Portal Comunicação e Marketing LTDA, que, segundo a reportagem, já teve Amisadai como um dos sócios.
A Record afirma que sua equipe de jornalismo investigou o fluxo financeiro e constatou que boa parte da receita desses agentes digitais foi paga com dinheiro público, por meio de verba de publicidade do governo de Pernambuco.
Contratos com o governo e reação do investigado
Segundo a denúncia relatada pela emissora, desde 2023 a empresa de publicidade que comanda o site usado para ataques a João Campos mantém contratos com o governo do estado e já recebeu mais de meio milhão de reais pelos serviços. Em redes, o Portal de Prefeitura divulgou nota onde diz que "a pessoa citada na reportagem não faz parte do quadro societário da empresa desde 2024 conforme consta na própria nota emitida, em que reforça que ela não representa nem é responsável pelo Portal desde a referida data".
Quanto ao recebimento de verbas do Governo de Pernambuco, a empresa diz que receber por publicidade de qualquer instituição pública faz parte de um precedimento comum e legal. "O procedimento ocorre dentro de todas as normas legais, reunindo as condicões necessárias, que passam pelo critério de audiência e sequem uma tabela de valores apresentada para apreciação. Toda a documentacão e comprovacão das veiculações de mídia também são apresentadas, assim como ocorre com qualquer outro veículo de comunicação, que precisa cumprir todas as exigências e estar apto a receber referente à publicidade", diz a nota.
O que diz o governo
Em nota enviada à reportagem do Tribuna Online, o Governo de Pernambuco reiterou que a distribuição de verbas publicitárias para o Portal de Prefeitura seguiu os trâmites legais. Veja a nota na íntegra:
"A Secretaria de Comunicação informa que a publicidade do Governo de Pernambuco é executada exclusivamente por agências contratadas mediante licitação, na forma da Lei federal nº 12.232/2010, que atribui a elas a elaboração do plano de mídia e a seleção dos veículos segundo critérios técnicos de audiência, alcance e custo.
Os valores destinados em 2026 ao veículo citado representam cerca de 0,3% do investimento permitido ao Estado em publicidade no período, distribuído entre dezenas de veículos. Todos os pagamentos são precedidos de comprovação de veiculação e estão disponíveis no Portal da Transparência".
Ainda sobre a denúncia
A Record afirma ainda que procurou Amisadai Andrade da Silva. Depois disso, alguns dos perfis utilizados na difamação teriam sido apagados das redes sociais, segundo a reportagem.
Em um trecho da matéria, Amisadai se refere ao momento em que João Campos havia acabado de ganhar a reeleição para a Prefeitura do Recife, em outubro de 2024. Ali, ele já despontava como possível candidato ao governo do estado e, por isso, teria se tornado alvo.
Denúncia à PF e análise do TRE
De acordo com a Record, a denúncia sobre a produção de conteúdos e a criação de uma rede de ódio na internet contra o candidato ao governo do estado foi levada à Polícia Federal.
A reportagem acrescenta que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) analisa denúncias sobre a criação de redes de ódio na internet contra os dois principais candidatos ao governo de Pernambuco.
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