Morre aos 89 anos Jomard Muniz de Brito, ícone da cultura pernambucana
Filósofo, cineasta e poeta deixou um legado marcado pela vanguarda artística e pela resistência política
O filósofo, cineasta e poeta Jomard Muniz de Brito morreu na madrugada desta segunda-feira (12), aos 89 anos, em um hospital no Recife, onde estava internado. O velório acontece na capela do Cemitério de Santo Amaro, com sepultamento previsto para as 16h.
Nascido em 8 de abril de 1937, no bairro de São José, na capital pernambucana, Jomard graduou-se em Filosofia pela Universidade do Recife, teve aulas de estética com Ariano Suassuna e trabalhou no Serviço de Extensão da instituição a convite do educador Paulo Freire. Durante o regime militar, foi preso no Forte das Cinco Pontas em 1964 e impedido de lecionar na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Atuação no Tropicalismo e produção cinematográfica
Na trajetória cultural, Jomard assinou em 1968 o primeiro manifesto tropicalista de Pernambuco, ao lado do músico Aristides Guimarães e do jornalista Celso Marconi, influenciando artistas da MPB como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Nas décadas de 1970 e 1980, dedicou-se ao cinema em formato super-8, dirigindo títulos como "O Palhaço Degolado" (1976) — gravado na antiga Casa de Detenção do Recife — e "Inventário de um Feudalismo Cultural" (1978). Suas produções faziam referências diretas a intelectuais e autores da cultura regional, como Gilberto Freyre e o próprio Ariano Suassuna.
Registro biográfico e preservação da obra
A vida do pensador foi registrada na biografia "Jomard Muniz de Britto: Professor em transe", escrita pela jornalista Fabiana Moraes e pelo historiador Aristides Oliveira e publicada em 2017. O trabalho do cineasta passou por um processo de conservação recente, tendo seus filmes remasterizados e exibidos publicamente na programação do 16º Janela Internacional de Cinema do Recife.
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