As derrotas têm anestesiado o Sport no Brasileirão Série A
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O Sport teve mais um revés na Série A. Desta vez perdeu para o Palmeiras, na última segunda-feira (25), por 3 a 0, no Allianz Parque, em São Paulo.
A derrota, apesar de ter sido com uma margem considerável no futebol - três tentos de diferença - parece que não preocupa mais o torcedor ou deixa marcas no elenco. Em outros tempos, principalmente no final dos anos 90 e começo dos anos 2000, haveria uma cobrança ou comoção muito maior. Mas hoje, anestesiado, a torcida do Sport perdeu a força até para contestar. Se acostumou com as pancadas. E quando falo contestar, por favor entendam, é sempre dentro dos limites do torcer. Quem invade Centro de Treinamento, ameaça jogadores e dirigentes, jamais deve ser visto como torcedor.
A anestesia que atinge a torcida, também aparenta chegar ao elenco. Se você assiste uma partida do Sport é possível ver que o time até vai bem em determinados momentos do jogo, mas quando sofre um revés… pronto! Acabou! Não há forças para reagir. É como se mentalmente eles pensassem: “Perdemos mais uma”.
É lógico que Daniel Paulista, que por sinal está fazendo um trabalho razoável para bom, virá em todas as coletivas pré ou pós-jogo, ressaltar a luta da equipe e dizer que é necessário seguir trabalhando. Essa é frase pronta para qualquer treinador que sabe que o momento é delicado, quase irreversível, mas que não pode entregar os pontos. E ele está certo em fazer isso. Quem pode dizer que não acredita sou eu, você e possivelmente a maior parte da torcida e imprensa esportiva.
O Sport conquistou, em todo o primeiro turno da Série A, apenas 9 pontos. A média histórica para um time seguir na elite - segundo levantamento divulgado pelo portal Globo Esporte - é de 43 pontos. Ou seja, o Leão teria que somar mais 33 pontos dos 57 que lhe restam. Um cenário pouco provável (mas pode usar o termo impossível, se achar mais adequado).
Particularmente, poderia até ter dizer que tenho um fio de esperança. Mas outro ponto que chama atenção - além da questão de time sem fôlego diante da adversidade e da pontuação muito alta para conquistar em poucos jogos - é a limitação técnica.
Para uma Série A, o que vemos é um elenco que pouco criou e que apenas marcou 12 gols em todos os jogos do campeonato até aqui. Que tem uma das piores defesas da competição, apenas 17% de aproveitamento e mais de 88% de risco de queda. Complicado!
Às vezes pode ser doloroso para um torcedor, dirigente ou atleta ler uma opinião assim. Mas é compreensível. O Sport criou uma expectativa grande para 2025 e ele tem sido trágico.
Com todo respeito que tenho aos profissionais do futebol do Sport, o erro pode estar na forma que o elenco foi montado. Não sei quem colocou na cabeça que o Sport na Série A deve ser sempre ter um time que bate de frente com tudo e todos. O Sport na elite é coadjuvante e isso, no momento atual do futebol brasileiro, não é desmerecer. Feio é o que estamos acompanhando.
Era melhor um time “fechadinho”, competitivo, que ganhasse de meio a zero, mas ganhasse. Não pensaram assim.
Eu espero, sinceramente, estar errado e que as previsões que tenho não se confirmem no final do ano. Prefiro “queimar a língua" e ver o Sport permanecer na elite do futebol brasileiro - local onde ele nasceu para ocupar - do que presenciar o único time de Pernambuco que está na Série A, retornar tão rápido para a segundona.
Mas por enquanto, mais uma vez eu falo, fico com a razão e ela me diz que a Série B 2026 está cada vez mais perto da Ilha do Retiro.
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