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PERNAMBUCO QUE ENCANTA

Entre cafés e cadernos, histórias ganham voz em Areias

Projeto que nasceu fora dos circuitos literários fecha 10 anos ampliando o acesso à formação de novos autores

Aline Moura | 08/04/2026, 20:59 h | Atualizado em 08/04/2026, 21:10
Pernambuco que encanta

Aline Moura

Carregando na bagagem experiências de sobra no Diario de Pernambuco e na Folha de Pernambuco, jornais em que atuou em todas as áreas, exceto esportes, Aline Moura integra o time do Tribuna Online PE. E com o seu olhar jornalístico, através da coluna “Pernambuco que encanta”, busca valorizar o que há de melhor nos municípios pernambucanos.

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A turma deste ano é composta por 20 participantes, sendo 50% em situação de vulnerabilidade social e 50% do público geral |  Foto: Divulgação

O café ainda está quente quando as primeiras pessoas chegam. É sábado, oito da manhã, e a cidade já se move com pressa do lado de fora. Dentro do Cobogó das Artes, em Areias, Zona Oeste do Recife, o tempo parece outro. Sobre a mesa, cadernos, canetas e uma promessa silenciosa: escrever.

Ali, durante um dia inteiro — das 8h às 17h —, histórias que nunca encontraram espaço começam a ganhar forma. Entre um gole de café e uma página em branco, desconhecidos se tornam leitores uns dos outros. E, pouco a pouco, autores.

É nesse encontro mensal, construído com cuidado — café da manhã, almoço, escuta — que a escrita deixa de ser um território distante e passa a caber na vida de quem chega. Cada participante é acompanhado de perto. Um professor para um aluno. Teoria e prática dividindo a mesma mesa. E, ao final do percurso, os textos que nasceram ali se transformam em livro, reunidos em uma coletânea publicada coletivamente.

Escrita criativa em Areias aproxima novos autores da literatura


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|  Foto: Divulgação

O que acontece em Areias não começou agora. Em 2026, o grupo pernambucano Estudos em Escrita Criativa (EEC) celebra 10 anos de existência reafirmando a missão que o consolidou como uma das iniciativas independentes mais consistentes na formação de escritores no país: democratizar o acesso à escrita literária e transformar a palavra em ferramenta de comunidade.

Formado por mais de 30 escritores e ministrantes de diferentes cidades brasileiras, especialmente do Recife e de Porto Alegre, o EEC nasceu do desejo de criar espaços de formação fora dos grandes centros e dos circuitos literários fechados.

Durante a participação do grupo na Feira de Frankfurt, em 2023, nasceu a vertente de projetos sociais do grupo, com a decisão de levar a escrita criativa a públicos que, historicamente, não têm acesso a cursos da área.

Projeto social de escrita criativa amplia acesso à formação literária

O EEC Social já realizou duas edições (2024 e 2025), impactando mais de 40 pessoas. Em 2026, a iniciativa reunirá 22 ministrantes de diferentes regiões do país em uma formação anual que combina teoria, prática, mentoria individual e acompanhamento psicológico.

A turma em Areias está já fechada este ano. Ela é composta por 20 participantes, sendo 50% em situação de vulnerabilidade social e 50% do público geral, promovendo integração, diversidade de repertórios e troca de experiências. Os alunos recebem material didático, cadernos, ecobags e certificado mediante frequência mínima.

“Um dos casos marcantes do projeto é o de Thiago Abercio, aluno da primeira turma, que publicou seu primeiro livro por uma editora nacional após a visibilidade conquistada no curso”, afirma a escritora Patricia Tenório, fundadora do EEC.

Caravana leva oficinas de escrita a escolas públicas do Recife

O que começa em Areias também encontra outros caminhos. Em 2026, a Caravana em Escolas Públicas visitará oito escolas da Região Metropolitana do Recife, atendendo estudantes entre 11 e 17 anos. As oficinas seguem a metodologia do curso regular: parte teórica, parte prática, sorteio de livros e lanche ao final.

O objetivo é despertar o interesse pela leitura e escrita em turmas que, muitas vezes, não se reconhecem como produtoras de literatura. Experiências anteriores mostraram aumento do engajamento e maior interesse pelas atividades literárias após as oficinas" Patrícia Tenório, Fudnadora do EEC

Oficinas de escrita para idosos resgatam memórias e histórias de vida


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O grupo vai participar de oficina no Cristo Redentor |  Foto: Divulgação

Há ainda outro movimento, mais silencioso, mas igualmente potente. Em 2026, o grupo inicia oficinas em instituição de longa permanência para idosos, o abrigo Cristo Rendentor, em Jaboatão, com metodologia acolhedora baseada na escuta e no registro de memórias orais. Os relatos poderão integrar a coletânea anual, com autorização dos participantes.

Tetralogia e ações sociais marcam os 10 anos do EEC

O ano marca também o lançamento de uma tetralogia da fundadora do grupo:

“Contos parisienses” – 12 de março (já aconteceu);
“Poemas de intervalo” – 4 de junho;
“Resenhas dos três anos” – 10 de setembro;
“Toda vida merece um livro” – 5 de novembro.

Os lançamentos acontecerão dentro das ações sociais — escolas, abrigo e aulas na Cobogó das Artes — reforçando a proposta de romper barreiras do mercado editorial tradicional.

No fim de cada sábado, quando as páginas já não estão mais em branco, fica a sensação de que algo foi deslocado por dentro. Porque escrever, ali, não é só técnica. É acesso. É encontro.

“Escrever é solidão, mas escrita criativa é comunidade”, resume a fundadora do EEC.

Veja também: Anita Presbitero: a mulher que criou um território de afeto e livros

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A coluna Pernambuco que encanta, do Tribuna Online PE, revela histórias inspiradoras dos municípios pernambucanos e seus moradores. Com olhar sensível, informativo e analítico, valoriza as riquezas humanas, econômicas e culturais do estado, mostrando quem transforma comunidades com criatividade, coragem e afeto.