FIGURINHAS DA COPA: como aproveitar para educar seu filho sobre consumo consciente
Planejamento, socialização e sentimentos de conquista ou frustração. Tudo isso está envolvido numa simples coleção de figurinhas
Edilson Vieira
Formado em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, com pós-graduação em Ciência Política pela mesma instituição. Trabalhou com marketing político. Atuou como repórter, produtor, e editor de texto de TV, e ainda como assessor e gerente de comunicação em assessorias de imprensa de empresas públicas. Foi repórter e colunista no Sistema Jornal do Commercio de Comunicação por 11 anos, nas editorias de Veículos e Economia. Está no Portal Tribuna Online PE desde julho de 2023.
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Com a aproximação da Copa do Mundo de 2026, a febre dos álbuns e figurinhas tomou conta do país. Bancas cheias, pontos de troca movimentados e o comércio aquecido mobilizam crianças, adolescentes e adultos. O momento é bem oportuno para aproveitar, e ampliar, essa experiência com os pequenos, até porque o consumo na infância vai muito além do valor financeiro do pacotinho, envolve até o impacto emocional do momento.
Especialistas chamam a atenção para o fenômeno conhecido como FOMO (Fear of Missing Out), ou seja, aquele medo de ficar de fora das experiências que todo mundo parece estar vivendo. Quando o consumo vira uma obrigação social para ser aceito, a brincadeira saudável pode virar um problema.
O lado bom: consumo consciente e convivência
Não se trata de proibir ou demonizar a brincadeira. Quando bem gerido pelos pais, o hábito de colecionar traz lições valiosas de negociação, paciência e socialização. Segundo a psicóloga Natália Lima, colecionar e trocar figurinhas pode trazer benefícios importantes.
"A atividade estimula a convivência, fortalece o senso de pertencimento e incentiva encontros presenciais, algo muito positivo em tempos de excesso de telas", destaca. O segredo aqui é usar a atividade para ensinar educação financeira na prática: estabelecer um teto de gastos semanal com os pacotinhos e mostrar que o planejamento faz parte do jogo.
A armadilha da exclusão e a pressão do mercado
O grande desafio para o consumidor — especialmente para os pais — surge quando o orçamento aperta. Completar um álbum exige um investimento financeiro considerável que nem todas as famílias podem ou desejam arcar. É justamente aí que a pressão do mercado e o apelo visual da Copa podem se transformar em frustração dentro de casa.
A especialista explica que nem todas as famílias conseguem acompanhar os custos envolvidos na coleção, o que pode gerar sentimentos de exclusão em algumas crianças. "Quando a criança percebe que não consegue participar da mesma forma que os colegas, podem surgir ansiedade, comparação e frustração. Os pais precisam observar esses sinais e acolher essas emoções", afirma.
Transforme o consumo em cidadania
Como proteger os pequenos dessa engrenagem sem isolá-los dos amigos? A resposta está no diálogo e na mudança de foco. Se o orçamento está curto para bancar a coleção inteira, mude as regras do jogo em casa. Mostre que o valor real está nas trocas e nas interações, e não no acúmulo de bens. Para Natália, o momento também pode ser uma oportunidade para ensinar valores como empatia e solidariedade.
"Mais importante do que completar o álbum é ajudar as crianças a compreenderem a importância da partilha, do respeito às diferenças e do olhar para o outro. Essas aprendizagens permanecem muito além da Copa do Mundo", conclui.
Fica o conselho: proteja o bolso e, acima de tudo, a saúde mental dos seus filhos. A Copa passa, mas os valores financeiros e emocionais que você ensina agora ficam para sempre.
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