Vítimas de racismo no RioMar vão recorrer contra indenização de R$ 10 mil
Defesa considera valor insuficiente diante da abordagem discriminatória e pede aumento da indenização na Justiça
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Dois anos depois de serem impedidos de entrar no Shopping RioMar, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife, os irmãos Mayck Raphael Santos e o caçula dele voltam à Justiça. Desta vez, para pedir o aumento da indenização fixada por racismo. A defesa considera o valor de R$ 10 mil para cada um insuficiente diante da humilhação sofrida e já anunciou que vai recorrer da decisão.
A sentença, de primeira instância, condenou o shopping e a empresa de segurança SegurPro pela abordagem considerada discriminatória, registrada em vídeo no dia 22 de dezembro de 2023. Mesmo com o reconhecimento da falha e da existência de racismo estrutural, o montante fixado não agradou às vítimas. (Veja matéria de Rubens Marinho no JT2 abaixo)
“Cenário escandaloso”
Hoje com 19 anos, Mayck relembra com detalhes o momento em que ele e o irmão foram barrados ao tentar subir a escada rolante para acessar as lojas do centro de compras. Eles iriam apenas trocar uma mercadoria.
“Quando a gente chegou na escada térreo, ele já inclinou o corpo na minha frente. E disse, vai subir não, boy. Aí eu achei que, por conta do horário, era 21h30, eu achei que já estava fechando. Aí eu dei as costas para ir embora. Quando isso, já veio uma senhora. Aí ele faz, boa noite, senhora. Aí sai da frente e ela sobe. Aí eu já fui questionar por que ela podia e eu não. No início, descia a gente, subia a gente. Então, criou-se aquele cenário escandaloso e a gente ficou lá”
As imagens mostram o momento em que os dois são impedidos de seguir, enquanto outras pessoas acessam o espaço normalmente.
Defesa aponta valor “irrisório”
Apesar da condenação, a avaliação da defesa é de que a indenização não cumpre função educativa nem punitiva.
“Não tem um caráter pedagógico, punitivo, suficiente para que refreiem condutas como essas. Então, para a gente, é óbvio que nós vamos recorrer para majorar esse valor”, afirmou o advogado Kleber Freire.
A estratégia é pedir a revisão da quantia em instâncias superiores, com o argumento de que o valor não condiz com a gravidade da violação.
Empresas também devem recorrer
Procurado, o Shopping RioMar informou, por nota, que colaborou com as autoridades desde o ocorrido, em 2023, e que não comenta a decisão judicial.
Já a SegurPro declarou que foi surpreendida com a sentença e também pretende recorrer.
A decisão ainda não é definitiva. O caso segue aberto.
Click no link para ver diretamente a matéria exibida no JT2, apresentado por Eliane Nóbrega, na TV Tribuna PE/Band, canal 4.1
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