Mulher que denunciou professor de academia por assédio presta depoimento
Defesa do personal afirmou existir uma "relação de intimidade" entre o suspeito e a aluna
A professora de filosofia que alegou ter sido vítima de assédio em uma academia no bairro do Passarinho, na Zona Norte do Recife, prestou depoimento na 1ª Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM), em Santo Amaro, nesta segunda-feira (24), sobre a denúncia feita contra um dos professores do local.
Durante o treino, o suspeito teria a tocado sem consentimento e a mordido no braço. Um vídeo gravado por uma câmera de segurança mostra o momento em que o homem se aproxima da aluna, a abraça e chega a tirá-la do chão, enquanto ela tenta afastá-lo.
A aluna fez um registro em foto da marca da mordida deixada pelo agressor.
"Quando ele me abraçou, eu tentei empurrar, mas foi uma coisa tão rápida. Eu fiquei sem força nenhuma", disse a vítima em entrevista à TV Tribuna.
Relatos de outras situações e impacto emocional
O caso aconteceu em maio deste ano, mas a aluna afirma que já viveu diversas outras situações semelhantes com o profissional.
Ela contou que, após a repercussão do caso, soube de histórias de outras duas possíveis vítimas — uma das quais também teria sido mordida pelo acusado —, mas que essas mulheres não quiseram prestar queixa.
"Eu sempre disse a ele que não gostava, achava desrespeitoso, e mesmo assim, ele não parava", diz. "Meu desejo é que ele pague pelo o que ele fez, e que não volte a fazer nada do tipo com nenhuma outra mulher".
A vítima espera que o caso sirva de exemplo para outros profissionais: "Mantenham esse limite com suas alunas e respeitem a outra mulher. Quando a gente diz 'não', é 'não'".
A defesa da vítima afirma que o acusado está sendo denunciado por importunação sexual, lesão corporal e assédio. Após o depoimento da vítima, a expectativa é que outras possíveis vítimas sejam ouvidas para que, então, aconteça o interrogatório do acusado.
O caso está sob investigação da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE).
Reação da academia e retorno pontual do acusado
No dia do ocorrido, a mulher comunicou o fato à gerência da academia e, dois dias depois, prestou depoimento e registrou a ocorrência.
Segundo ela, a gerência foi atenciosa e desligou o homem após a denúncia. No entanto, ela relata que retornou ao local na última semana e o encontrou trabalhando normalmente, o que a deixou abalada.
"A sensação que dá é de impunidade, e de que eu estou errada", diz.
Em nota oficial enviada à reportagem, a academia esclareceu que tomou conhecimento do caso em maio e adotou providências na época, incluindo o desligamento do instrutor e o envio das imagens do circuito interno de segurança à polícia.
Sobre o retorno do suspeito, a empresa enfatizou que ele não foi recontratado, mas chamado em caráter excepcional para cobrir duas diárias, após tentativas frustradas de encontrar outros substitutos.
A academia afirmou repudiar a conduta relatada e reiterou que permanece à disposição da vítima e dos órgãos policiais para colaborar com as investigações em andamento.
Investigação da polícia e versões da defesa
Em nota enviada à imprensa, a defesa do personal alega que "os fatos narrados não correspondem à verdade dos acontecimentos". Segundo o texto, existia uma "relação de intimidade" entre o acusado e a aluna, e a situação denunciada se tratou de uma "brincadeira infeliz [...] destituída de qualquer conotação ou intenção sexual".
Ainda de acordo com os advogados, a relação entre os dois era tão amigável que a aluna chegava a levar lanches para ele. A defesa afirma que o acusado assume a responsabilidade pelo comportamento, mas nega qualquer teor sexual por trás das atitudes.
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