Vinte anos de pesquisa e 80 dissertações foram prejudicadas em incêndio na UFPE
Entre 80 e 100 estudantes tiveram projetos e pesquisas diretamente afetados, afirma reitor da instituição
O prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (DINE), na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), abrigava mais de R$ 100 milhões em equipamentos e concentrava cerca de 20 anos de pesquisas científicas quando foi tomado pelas chamas na noite da última quarta-feira (7). Apesar de não haver vítimas no incêndio, o prejuízo para a comunidade acadêmica é considerado irreparável pelo reitor da instituição, Alfredo Gomes.
Inaugurada em 1965, a estrutura funcionou inicialmente como Restaurante Universitário, antes de se transformar em espaço de trabalho para pesquisadores e abrigar laboratórios das áreas de saúde, tecnologia e inovação da UFPE.
Segundo o reitor, todo o primeiro andar do prédio foi destruído. “Era um prédio que acomodava vários laboratórios de pesquisa, na área de inovação terapêutica, na área de fármaco, de genética. Também tinha laboratórios de informática e computação”, afirmou.
Alfredo Gomes informou que serão realizadas reuniões com as equipes responsáveis pelos projetos que funcionavam no local para identificar as perdas.
Cerca de 80 dissertações e pesquisas científicas que dependiam da estrutura do DINE estavam em andamento e foram prejudicadas pelo incêndio. Ainda de acordo com o reitor, os danos representam a perda de aproximadamente 20 anos de trabalho acadêmico. Entre 80 e 100 estudantes tiveram projetos e pesquisas diretamente afetados.
A infraestrutura do prédio ainda será avaliada, mas, segundo o reitor, a tendência é que outro espaço da universidade seja destinado às unidades que funcionavam no DINE.
Pesquisadores relatam perdas
O doutorando em Educação Física Victor Lima estava dentro do prédio quando o incêndio começou. Ele contou que trabalhava normalmente quando foi avisado por um segurança sobre as chamas.
“O fogo estava localizado na parte externa superior direita do prédio e parecia ser bem pequeno e controlável até então. Só que, à medida que o tempo foi passando, foi tomando o prédio horizontalmente e desceu”, relatou. “O prédio estava quase completamente vazio.”
Segundo Victor, diversas salas haviam sido adaptadas para receber os laboratórios e não contavam com uma estrutura capaz de suportar a ação das chamas.
O doutorando explicou que o espaço reunia equipamentos utilizados em diferentes linhas de pesquisa.
“Esse prédio comporta diversos tipos de laboratórios, projetos de pesquisa, das mais diversas linhas de pesquisa. A gente tinha computadores, aparelhos de biomecânica, câmeras. Tudo isso, possivelmente, foi danificado”, disse.
Para ele, a perda vai além dos equipamentos destruídos. “É uma perda muito grande. A gente sente a perda dos materiais, mas, principalmente, aqui é nosso local de estar. É o local que eu mais gosto de estar, e a gente perde esse espaço, um local de trabalho, de convívio com os colegas.”
A coordenadora do curso de Educação Física da UFPE, professora Melissa Celestino, também lamentou as perdas provocadas pelo incêndio. Em entrevista à TV Tribuna, ela contou que havia fundado, há cerca de dois anos, o laboratório onde desenvolvia as atividades, em parceria com outro professor.
“São muitos equipamentos, projetos de pesquisa, de iniciação científica, mestrado e doutorado. No nosso caso, a gente fazia avaliações voltadas à performance humana, comportamento motor e biomecânica. Se perdeu tudo”, afirmou.
Apesar do impacto, Melissa destacou a expectativa de reconstrução do espaço. “É difícil, como é sempre difícil quando envolve educação, auxílio público e fomento do governo federal, do Estado. Mas a educação está aí para isso, para lutar, para resistir.”
Investigação sobre as causas
O reitor informou a participação em reuniões com o Corpo de Bombeiros ao longo desta quinta-feira (8) para tratar da apuração das causas do incêndio. A Polícia Federal também foi acionada para investigar o caso, já que a origem das chamas ainda não foi esclarecida.
“Precisamos ouvir a perícia para chegar a uma conclusão”, afirmou Alfredo Gomes.
Questionado sobre os recursos destinados à UFPE, o reitor informou que a universidade recebeu cerca de R$ 190 milhões neste ano. O orçamento é destinado à manutenção das unidades e às ações voltadas aos estudantes.
“Os recursos têm chegado, e nós temos vários contratos com empresas terceirizadas que fazem as manutenções de limpeza, infraestrutura, energia elétrica”, explicou.
O reitor também destacou o apoio recebido dos Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação. Segundo ele, representantes das pastas demonstraram estar à disposição da universidade. Alfredo Gomes afirmou que deve se reunir com os ministros para avaliar os prejuízos e discutir as providências necessárias.
Ainda de acordo com o reitor, não há, até o momento, relação identificada entre o incêndio no DINE e os outros dois incêndios registrados na UFPE. Os três casos ocorreram em um intervalo de oito dias e deverão ser analisados pelas autoridades responsáveis pelas investigações.
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