Tubarões: Cemit vai estudar ampliação de áreas com restrição para banho de mar
Pesquisa será realizada ainda em junho para avaliar se outros trechos do litoral devem receber medidas mais rígidas
Com colaboração de Carlos Simões
Os recentes ataques de tubarão registrados em Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, e em Boa Viagem, no Recife, levaram o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) a priorizar um estudo para avaliar a necessidade de ampliar as áreas com proibição ao banho de mar no litoral pernambucano. A informação foi esclarecida nesta terça-feira (2) pela secretária executiva do comitê, Danise Alves.
Atualmente, segundo o Danise, a única área com proibição para banho de mar em Pernambuco, por decreto municipal, é um trecho de 2,2 quilômetros em Piedade, na orla de Jaboatão, entre o Hotel Dam Inn até o Hotel Barramares. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente estadual, este trecho inclui a Igrejinha de Piedade, onde a incidência de tubarões é alta.
Neste caso, a pesquisa deverá analisar se outras áreas da Região Metropolitana do Recife exigem medidas semelhantes.
Hoje, por exemplo, além da placa, foram colocadas bandeiras de "perigo" no local onde a jovem de 19 anos foi mordida, em Boa Viagem. Mas lá não há uma proibição legal, há uma placa que sugere não entrar na água. Danise deu esclarecimentos sobre o assunto em um momento no qual a última vítima, a estudante de Direito, Marcela Vitória, está sendo alvo de mensagens de ódio nas redes sociais.
"Esse estudo será uma prioridade", afirmou Danise à TV Tribuna PE.
Proibição e recomendação não são a mesma coisa
A discussão ganhou força após os ataques que deixaram uma criança de 11 anos e uma jovem de 19 anos gravemente feridos em um intervalo de pouco mais de 24 horas no Grande Recife.
Nos últimos dias, muitas informações passaram a circular nas redes sociais afirmando que os ataques ocorreram em áreas onde o banho de mar seria proibido. Segundo o Cemit, porém, essa afirmação não corresponde à realidade.
Além do trecho interditado em Piedade, outras praias contam com placas orientando a população a evitar o banho de mar em determinadas condições. Essas sinalizações funcionam como recomendações de segurança, mas não representam uma proibição legal.
Foi o caso do local onde a estudante de Direito Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, foi atacada na segunda-feira (1º), em Boa Viagem. Embora existam placas alertando para o risco de incidentes com tubarões, o banho de mar naquele trecho não era proibido.
A ocorrência chamou atenção por acontecer em uma das praias com maior histórico de ataques do Estado. Apesar disso, Boa Viagem não registrava incidentes desde 2013.
Veja também: Dois tubarões, duas espécies e a mesma consequência: amputações no Grande Recife
Monitoramento entrará em nova fase
Paralelamente à discussão sobre possíveis restrições, Pernambuco deve iniciar ainda neste mês uma nova etapa do monitoramento de tubarões no litoral.
A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) venceu o edital lançado pelo Governo do Estado para executar ações de pesquisa e monitoramento dos animais.
Segundo Danise Alves, o resultado foi divulgado na última semana e os trabalhos devem começar imediatamente.
Microchipagem permitirá mapear a circulação dos tubarões
O projeto prevê a captura de tubarões para a instalação de microchips. Além disso, equipamentos serão colocados em pontos do mar para identificar a passagem dos animais.
Na prática, os pesquisadores poderão acompanhar por onde os tubarões circulam ao longo da costa pernambucana. Sempre que um animal marcado passar próximo de uma das redes acústicas, um sinal será registrado.
Com essas informações, será possível descobrir quais áreas são mais frequentadas pelos tubarões, quais espécies aparecem com mais frequência e como elas se deslocam pelo litoral.
Os dados também poderão ajudar a aprimorar as medidas de prevenção e segurança para banhistas.
Debate ganha força após sequência de ataques
A iniciativa ocorre em um momento de grande atenção sobre o tema. Em pouco mais de um dia, Pernambuco registrou dois ataques graves envolvendo espécies diferentes de tubarão.
Um menino de 11 anos foi atacado em Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. No dia seguinte, a estudante Marcela Vitória foi mordida em Boa Viagem, no Recife.
Os dois casos resultaram em amputações e reacenderam o debate sobre os limites entre convivência com o ambiente marinho, sinalização de risco e medidas de proteção para banhistas em um trecho do litoral que há décadas é monitorado pelas autoridades.
Comentários