Professor de academia nega ter assediado aluna com mordida: "Brincadeira infeliz"
Em entrevista cedida à TV Tribuna, acusado apresentou sua versão sobre o episódio, e disse que mantinha relação amigável com a vítima
O profissional de educação física acusado de assediar uma aluna da academia onde trabalhava no bairro do Passarinho, na Zona Norte do Recife, negou ter agido com intenção sexual ao morder a estudante durante um treino.
Em entrevista cedida à TV Tribuna nesta quarta-feira (26), ele apresentou sua versão sobre o episódio que levou a professora de filosofia a prestar queixa por assédio.
Durante o treino, o suspeito teria tocado a aluna sem consentimento e a mordido no braço. Todo o momento foi gravado por uma câmera de segurança da academia, e a vítima registrou a marca da mordida em uma foto.
A defesa da aluna alega que o suspeito está sendo denunciado por importunação sexual, lesão corporal e assédio. Já o professor contesta a interpretação de que tenha cometido assédio e afirma que tentou apenas animar a aluna durante o exercício.
Professor diz que queria animar aluna e admite erro
O acusado relata que a aluna estaria apresentando um semblante cabisbaixo, e que foi até ela com a intenção de animá-la. Segundo ele, o gesto que gerou a acusação foi feito sem intenção sexual.
"Num tom de brincadeira, sem nenhum tom de cunho sexual, de forma alguma, abracei ela, e eu tinha dito pra ela: 'se você não treinar eu vou lhe dar uma mordida', mas num tom de brincadeira", conta. "Falei 'vamos treinar, vamos treinar', e foi o momento que eu abracei ela e desferi a mordida".
O suspeito afirmou que a aluna disse não se sentir confortável com esse tipo de brincadeira e que ele, em reação, pediu desculpas pelo ato.
"Eu não estou aqui pra dizer que eu estou certo. Errei no momento. Isso não condiz com a conduta dos profissionais de educação física [...] foi uma brincadeira infeliz", confessa.
Conversas sobre sexo e relação entre os envolvidos
Na denúncia, a vítima relatou que, em outro momento, teria sido questionada pelo professor sobre sexo oral. A versão apresentada pelo acusado é de que a pergunta surgiu em uma conversa casual entre os dois, iniciada pela aluna.
A aluna também disse que o professor chegou a perguntar para ela se ela "ficaria" com ele. O professor afirma que esse tipo de pergunta era comum entre os dois e que ela também já teria feito o mesmo questionamento a ele.
Apesar dessas conversas, o personal conta que não havia qualquer relação entre eles fora da academia, mas que a aluna não se mostrava constrangida nas interações que mantinham no ambiente de treino.
Retorno à academia e andamento da denúncia
Sobre o retorno à academia após a denúncia — ponto reforçado pela aluna em depoimento —, o acusado explica que voltou ao local a pedido da gestão, para cobrir a ausência de dois profissionais que não puderam cumprir seus turnos.
Na entrevista, ele afirma que sinalizou para a gerência que a aluna deveria ser consultada antes da sua volta, mas que se mostrou disposto a ajudar a academia diante do problema.
O professor admite ter errado ao morder a aluna, mas contesta a dimensão dos fatos narrados pela vítima: "A mordida, sim, [mas] não tudo que ela está explanando pela imprensa".
A mãe da vítima prestou depoimento na Delegacia da Mulher de Santo Amaro na manhã desta quarta-feira, local onde a vítima também foi ouvida na última segunda-feira (24).
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