Pernambuco recolhe vacinas da dengue do Butantan após alerta
Estado manda monitorar profissionais vacinados e isolar lotes em câmaras frias
O governo de Pernambuco recolheu os frascos e interrompeu a aplicação da vacina contra a dengue em profissionais de saúde. A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) enviou uma nota técnica urgente aos municípios para travar o uso do imunizante produzido pelo Instituto Butantan. A ordem estadual determina o estoque imediato dos lotes nos refrigeradores públicos até nova diretriz federal.
O recuo estratégico cumpre uma recomendação do Ministério da Saúde para suspender o cronograma do público de 15 a 59 anos. A medida restritiva foca exclusivamente nos trabalhadores da Atenção Primária e deixa de fora o calendário infantil. As caixas térmicas com as ampolas remanescentes saíram da linha de frente e foram trancadas nos estoques da Rede de Frio Municipal.
O monitoramento estadual indica que a suspensão não mexe com o atendimento de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Esse grupo jovem continua recebendo o remédio preventivo normalmente nas salas de vacina de todo o estado. O imunobiológico destinado aos menores é produzido por outra fabricante, sem relação com os lotes retidos.
Termômetro dos estoques e rastreamento de reações
A estratégia de imunização dos trabalhadores dos postos e hospitais começou em fevereiro e utilizou uma carga limitada. Entre fevereiro e abril, Pernambuco recebeu 36 mil doses da vacina dengue (atenuada) Butantan-DV. As planilhas da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) mostram que as prefeituras aplicaram 11.711 injeções antes do bloqueio atual.
Médicos, enfermeiros e técnicos que passaram pelas salas de vacinação nos últimos 21 dias receberam ordens para procurar as clínicas locais. As equipes de saúde abriram fichas de acompanhamento para monitorar o surgimento de efeitos adversos. O Estado quer pressa na identificação de qualquer sintoma incomum para evitar o agravamento dos quadros.
A superintendente de Imunizações do estado, Magda Costa, reforçou a necessidade de um cerco epidemiológico severo nos municípios.
Veja mais: Quais sintomas ficar atento para quem tomou vacina do Butantan“Diante desta medida, a SES-PE orienta que os municípios intensificarem o monitoramento dos indivíduos vacinados nos últimos 21 dias, fortalecendo a articulação entre as áreas de imunização, vigilância epidemiológica, assistência à saúde e laboratórios, visando à identificação oportuna de eventos compatíveis com dengue após a vacinação. Os casos suspeitos deverão ser notificados no módulo ESAVI do e-SUS Notifica, conforme os fluxos vigentes, com comunicação imediata dos casos graves às vigilâncias municipal, estadual e nacional". Magda Costa, Superintendente de Imunizações do estado
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