Pernambucana de 115 anos é a 2ª pessoa mais velha do Brasil
Beatriz Ferreira Duarte, moradora de Jaboatão dos Guararapes, comemora aniversário neste domingo (21) com idade validada por organização internacional
No documento oficial, o registro é raro: 21 de junho de 1911. Na vida real, a data marca os 115 anos que a pernambucana Beatriz Ferreira Duarte completa exatamente neste domingo (21). Nascida em Moreno, na Zona da Mata, e hoje moradora de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, ela ocupa um lugar quase solitário no tempo: é a segunda pessoa viva mais velha do Brasil e a sexta de todo o mundo.
A trajetória atravessou um século e meio. Beatriz cresceu em uma família de doze irmãos, casou-se com Amaro Cipriano Duarte e dedicou a vida à casa e à criação dos filhos em Jaboatão. Ficou viúva em 1990. Dos oito filhos que gerou, quatro morreram ainda recém-nascidos. Hoje, são as três filhas vivas que acompanham o cotidiano da matriarca, cuja descendência já soma sete netos, doze bisnetos e uma tataraneta.
A descoberta da LongeviQuest e os registros oficiais
O tamanho dessa história permaneceu guardado entre as paredes da família até que um clique despretensioso no Instagram, quando Beatriz completava 112 anos, chamou a atenção de pesquisadores internacionais. A organização LongeviQuest, especializada em validar registros de supercentenários (pessoas com mais de 110 anos), iniciou um minucioso trabalho de busca documental.
Os pesquisadores Gabriel Ainsworth, Filipe Lopes e Stefan Maglov cruzaram certidões e arquivos públicos até a validação oficial. O rigor do processo colocou a pernambucana no mapa oficial da longevidade global, separando os fatos das lendas urbanas.
O cotidiano e a celebração dos 115 anos em família
O tempo desacelerou o ritmo das palavras. “Ela hoje não interage mais para conversa, mas tem muita consciência. Sente quando vai chover e pede para não ser levada para fora, para não gripar. Quando não quer comer alguma coisa, diz que não quer”, conta Bernadete, filha caçula que acompanha a mãe no dia a dia.
Beatriz já não conversa longamente como antes, mas se faz entender nos detalhes do cotidiano. O corpo miúdo reage ao ambiente. Quando o tempo muda na Região Metropolitana do Recife, ela aponta para o céu e pede para não ir ao quintal, com medo da gripe. Se recusa um prato, o gesto é firme.
A celebração deste domingo acontece sem alardes, dentro de casa. O bolo divide a mesa com as memórias de quem nasceu quando o mundo era movido a cavalos e lampiões, e que hoje assiste, da sua cadeira de balanço, o desenrolar do século XXI.
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