Justiça atende MPPE e decreta prisão de motorista que atropelou seis em Escada
Após recurso da Promotoria, Juízo da 1ª Vara de Escada acolheu novos argumentos e determinou a prisão preventiva de Josenildo Oliveira da Silva
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Com colaboração de Rafaella Pimentel
A Justiça de Pernambuco determinou, nesta quinta-feira (23), a prisão preventiva de Josenildo Oliveira da Silva, de 48 anos, que atropelou quatro pessoas e causou a morte de José Lorenzo, 8 anos, no município de Escada, na Mata Sul de Pernambuco.
A decisão atende ao requerimento da 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Escada, que contestou a liberdade provisória concedida ao motorista durante o plantão judiciário do feriado de Tiradentes. O benefício foi concedido pouco antes do velório e enterro do pequeno Lorenzo, o que gerou revolta, além do sentimento de luto.
De acordo com o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), no entanto, a prisão já foi efetivada.
O pedido de prisão, protocolado ontem (22), trouxe novos elementos que convenceram o Juízo da 1ª Vara da Comarca de Escada. O MPPE sustenta que o crime foi um homicídio doloso (dolo eventual), pois o condutor teria assumido o risco de matar ao dirigir sob efeito de álcool e após se envolver em brigas na cidade vizinha de Belém de Maria.
Resposta ao clamor popular
A confirmação da prisão ocorre no mesmo dia em que familiares e amigos do pequeno Lorenzo, de 8 anos, morto no acidente, realizavam um protesto em frente ao fórum da cidade. O grupo cobrava a revisão da soltura, alegando que as medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, eram insuficientes diante da gravidade do fato.
A mãe de Lorenzo, Evelyn Kaylane, que relatou que a população precisou erguer o carro com as mãos para retirar o filho das ferragens, agora vê o caso ganhar um novo desfecho jurídico. Além de Lorenzo, outras três pessoas foram atingidas, incluindo a jovem Maria Eduarda, que segue em estado grave no Hospital da Restauração, no Recife.
A cena do crime: lanche, gritos e o peso do ferro
O acidente aconteceu na comunidade do Córrego do Ferreiro. Era um momento comum de lazer. Lorenzo estava sentado, lanchando. Emily Vitória da Silva, de 18 anos, também estava no local. Ela lembra de ver a caminhonete desgovernada descendo a ladeira. Não houve tempo para reação completa.
Emily foi prensada contra a parede. "Eu achei que não ia dar tempo de correr. Fiquei no canto da parede quando ele me prensou", relatou a jovem, que ainda sofre com dores intensas na coluna e hematomas. No momento do impacto, ela não sabia que o primo estava sob as rodas.Emily participou do protesto e chorou muito.
A cena descrita pela mãe de Lorenzo, a dona de casa Evelyn Kaylane Maria da Silva, 23 anos, é de desespero físico. No dia do acidente, a vizinhança precisou unir forças para erguer o veículo com as mãos. Debaixo da caminhonete, estava o menino de 8 anos. Ele ainda respirava quando foi retirado dos ferros.
Relatos de omissão no socorro
A revolta da família não se restringe ao motorista. Evelyn Kaylane denunciou uma suposta negligência policial no momento do atendimento. Segundo a dona de casa, enquanto Lorenzo e outra prima, Maria Eduarda, estavam em estado gravíssimo, a prioridade das viaturas teria sido outra. Ela também denunciou que existem pessoas poderosas protegendo o motorista.
"Os policiais daqui preferiram botar os dois indivíduos (motorista e passageiro) no carro para socorrer. E minha prima ficou lá. Eles disseram que não podiam socorrer ela", afirmou Evelyn. Maria Eduarda, com sangramento nos ouvidos, precisou ser levada ao hospital por moradores. Ela segue internada em estado grave no Hospital da Restauração, no Recife, após uma espera que durou até a madrugada de quarta-feira na unidade regional.
O rastro de embriaguez e briga
Testemunhas e familiares trouxeram à tona o que teria precedido a tragédia. Josenildo estaria em uma cavalgada em Belém de Maria, cidade vizinha. Relatos indicam que ele se envolveu em brigas em um bar e apresentava sinais nítidos de embriaguez. A situação era tão grave que a própria esposa do motorista teria se recusado a seguir viagem com ele, optando por retornar para casa em um transporte por aplicativo. Eles ainda beberam no bar da rua onde o acidente ocorreu, onde desceram a ladeira de forma desgovernada.
Entenda a mudança
Inicialmente, o caso havia sido tratado como homicídio culposo (sem intenção de matar), o que permitiu a liberação de Josenildo pela Central de Garantias do Cabo de Santo Agostinho. Com o novo entendimento acolhido hoje, o processo passa a seguir o rito de crimes dolosos contra a vida, o que pode levar o réu a Júri Popular com penas que variam de 6 a 20 anos de reclusão.
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