Homem morre após ser baleado por PMs na frente dos filhos no Ibura
Testemunhas acusam excesso de força e familiares pedem rigor nas investigações
Elvis Santos da Silva, de 35 anos, foi morto a tiros dentro da própria casa durante uma ação de policiais militares do 19º Batalhão na noite do último sábado (26), no bairro do Ibura, Zona Sul do Recife.
Segundo a Polícia Militar, os agentes estavam à procura de um homem, que foi detido com duas pedras de crack. Durante essa ocorrência, Elvis teria reclamado da ação policial ao ver os policiais armados em uma rua com crianças.
Como ocorreu o disparo
De acordo com a ocorrência registrada, a vítima estava embriagada e com o comportamento alterado, e teria arremessado duas garrafas de vidro contra os agentes. Quando se preparava para jogar uma terceira garrafa, um policial efetuou um disparo. O homem correu para dentro de casa e foi seguido pelos policiais, momento em que novos tiros foram disparados.
Elvis foi socorrido para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Imbiribeira, mas não resistiu aos ferimentos.
Versão das testemunhas sobre o ocorrido
A esposa de Elvis, identificada apenas como Renata, conta que a vítima teria reclamado após um dos agentes efetuar um disparo para o alto ao chegar no local. Após os policiais finalizarem a ocorrência, eles voltaram à casa de Elvis, onde começaram a agredi-lo.
"Esse fato ocorreu do nada. Tirou a vida do meu marido a troco de nada, na frente dos dois filhos", relata.
Antes dos disparos que atingiram a vítima, Elvis teria sido agredido pelos policiais. Segundo depoimentos, o caminhoneiro teria pego uma garrafa de vidro apenas para se proteger das agressões.
"Foi justamente quando ele pegou a garrafa, com a intenção de se defender. No meu ponto de vista, foi uma execução, foram seis disparos", afirma uma das testemunhas.
Outra testemunha relata que dois filhos da vítima estavam presentes no no momento e um deles chegou a abraçar o pai após a execução.
"Os policiais desceram do carro, pararam aqui na frente [da casa], e foi quando aconteceu [...] Foi uma coisa muito inesperada, muito rápido", conta.
Após deixar Elvis na UPA, os policiais voltaram ao local para tentar recolher as câmeras de segurança, mas os equipamentos já haviam sido retirados pela população.
As imagens serão repassadas ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga o caso. Peritos do Instituto de Criminalística estiveram na residência e recolheram cápsulas de pistola.
Investigação em andamento
O corpo da vítima foi liberado do Instituto Médico Legal (IML) no fim da manhã desta segunda-feira (28). Ele foi velado no Cemitério de Santo Amaro no mesmo dia.
Familiares e amigos de Elvis afirmam que ele era um pai de família e consideram a morte um ato de injustiça. Ele deixou esposa e três filhos.
O caso está sendo investigado, bem como a conduta dos policiais militares, que passará por investigação interna da corporação.
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